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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Vivencias Sentidas

 
(imagem retirada da net)
 

Confuncio diz a certo momento "faz o trabalho que gostas e nunca terás de trabalhar um unico dia na tua vida". Eu, que gosto de colocar o meu cunho pessoal em tudo o que faço, acrescento que ao amor pelo que fazemos devem ser acrescentados divertimento e sorrisos.

 

Brincamos muito pouco e sorrimos muito menos. Já repararam na fisiologia de quem sorri e se diverte? Já repararam na forma solta como a criatividade cresce sempre que o ambiente é descontraido? Já repararam que o brincar e o sorrir dependem apenas de nós?

 

Hoje iniciei o dia a fazer o que mais gosto com sorrisos e de forma divertida. Importante permitir-me ser eu mesma na certeza e na vulnerabilidade.  Importante permitir-me ser eu mesma numa vontade acrescida de crescimento. O meu e o dos outros. Porque afinal a vida é feita de cumplicidades partilhadas, vivencias sentidas e caminhos que se cruzam.

 

Pinte-se aquilo que consideramos cinzento e viva-se uma vida colorida.

 

 

Marta Leal

 

 

Leveza

 

Basta por vezes apenas uma palavra para que as coisas se tornem claras. Bastou apenas uma palavra para aquilo que me deixava curiosa ou mesmo na busca de porquês para que as peças se encaixassem. Fale-se! Fale-se então do que me fez sentido.

 

Fale-se de leveza. Fale-se da leveza com que admito gostar de viver. Fale-se da leveza de um beijo trocado, de um abraço dado, de um sorriso sentido. Fale-se da leveza de um gostar intenso de forma leve. Fale-se da leveza de um amar onde se dá de forma natural. Fale-se da leveza de um olhar, de uma palavra ou mesmo de um silêncio.


Gosto de silêncios entendidos, gosto de silêncios sentidos. Retire-se peso aos dias, aos acontecimentos, aos sentimentos. Retire-se peso aos papéis sociais que diariamente assumimos. Retire-se peso ás relações e ás palavras que por vezes são proferidas de forma irreflectida. Retire-se peso ás obrigações e aos deveres. Retire-se medos de perda que conduzem a sentimentos de posse. Retire-se peso a estatutos assumidos ou por assumir.

 

Retiro peso e vivo de forma leve. Retiro peso e vivo apenas como sei viver.

 

Marta Leal

Saudades

(Imagem retirada da net)
 
 

Hoje enquanto me preguiçava naquele hábito diário de “programar” o dia pensei em saudades. Pensei na verdadeira razão das saudades. Pensei que quando sinto saudades não é apenas do outro, não é apenas do momento, não é apenas dos cheiros, não é apenas dos toques, não é apenas de um sabor.

 

Quando sinto saudades de alguém sinto saudades do meu eu com o outro, sinto saudades de nós. Quanto sinto saudades de um beijo sinto saudades do nosso beijo, quando sinto saudades de um abraço sinto saudades do nosso abraço, quando sinto saudades de um toque sinto saudades daquilo que rapidamente deixa de ser meu e se transforma em nosso.

 

Porque afinal as saudades são de um todo que é muito mais que a soma das partes.

 

Saudades, saudades vossas!

 

Marta Leal

Soltam-se sorrisos pela manhã

 

(imagem retirada da net)

 

Solta-se o sorriso pela manhã. Descobrem-se parecenças nas diferenças. Mais que se sorrir, posso afirmar que comecei o dia a rir. Mas não um rir qualquer. Aquele rir que vem da alma e nos faz bem ao coração. Aquele rir que nos enche  e nos aquece por dentro.

 

O que foi diferente? Hoje brinquei com as vizinhas. Hoje permiti-me ir mais além e desenhar sorrisos. Gosto quando me permito desenhar sorrisos em mim e nos outros.

 

Um sorriso de mim para vocês

 

Marta Leal

Serenata de letras

 

(imagem retirada da net)

 

Encantam-me as letras mais do que me encantam as palavras. Encanta-me o ler e reler enquanto se integram sorrisos e saudades. Saudades, de um tempo onde as cartas revelavam emoções, sentires, sentimentos, vontades, planos e desejos. Tudo isto, impresso numa tinta que apenas o tempo se atrevia a esbater. Memória de outros tempos onde facilmente me atreveria a viver.

 

Gosto da serenata de palavras que me aquecem o coração, me soltam o imaginário e me desenham sorrisos. Gosto da serenata de palavras que me acalma a alma e me faz avançar de uma forma minha, sempre muito minha.

 

Marta Leal

Rumos

(imagem retirada da net)

 

 

Prendo-me durante muito tempo a conceitos e preconceitos. Ganho medos. Medos inexplicáveis dentro de qualquer tipo de racionalidade. Cimento-me na zona de conforto. Mais fácil dizer que não gosto do que me permitir experienciar ou mesmo degustar. Prendo-me mas as vontades crescem.

 

Aceito-me na importância de sair da minha zona de conforto. Depois? Depois perceber que o importante é confiar, acreditar e sentir, apenas sentir. Depois? Perceber que não vivi sensações, emoções, vivências e sorrisos. Muitos sorrisos.

 

No final, fica uma sensação de ter dado mais um passo e avançado rumo aquilo que sou e aquilo que sinto.  No final, fica a certeza que, tal como quando velejamos, existem momentos na vida em que estamos a favor do vento e outros momentos em que nos cabe a nós definir o rumo que vamos tomar.

 

Marta leal

 

 

 

Desacelerar

Aos 43 anos começa-me a apetecer desacelerar. E quando falo em desacelerar não significa  que seja parar, mas desacelerar e ter tempo para fazer simplesmente … nada.

 

Desacelerar e ter tempo para ver aquilo que muitas vezes ignoramos pela forma como vivemos. Agora digam lá se a minha praia não é linda

 

Noutro registo

Por aqui tenho por principio respeitar ideias e opiniões. Tenho por principio aceitar perspectivas e vontades próprias. Acredito que a melhor forma de nos darmos bem é aceitarmo-nos na diferença e na semelhança.

 

Hoje abro a excepção e afirmo que não entendo que se mate por matar. Não entendo como se dispara contra homens, mulheres e crianças apenas por uma diferença de cor, raça ou religião.

 

Não entendo, simplesmente não entendo.

 

Marta Leal

Esta não é uma História de Amor

Esta foi escrita para o outro blog ... mas gosto tanto, gosto mesmo muito. tanto que resolvi publicar neste.

 

Risque-se o amor das letras. Apague-se príncipes e princesas. Palavras de romance estão proibidas mas a história vai continuar. Pedem-nos palavras novas, ideias novas e vontades novas. Equacionam-se temas possíveis e sorrimos na primeira reflexão. Oxalá fosse tão fácil definir tudo o resto. Fale-se entãode tudo menos de amor.

 

Sobe a rua do Carmo. Vê o reflexo numa montra e distrai-se com os artistas de rua. Sorri enquanto actuam. Uns cêntimos só uns cêntimos ouve pedir-lhe. Abana a cabeça num não impensado e desarma-se com um “muito obrigada que só esse sorriso já valeu a pena”. Recorda-se de Portobello Market em especial de um artista que adorava ouvir tocar. Promete-se lá voltar. Ajeita o cabelo que teima em soltar-se e sente o cheiro de castanhas a assar.

 

Se se falasse de amor estava na hora de um ele entrar. Certamente cruzariam olhares e fixar-se-iam num flirt mais ou menos velado. Mas não. Aqui
fala-se de uma ela que passeia pelas ruas de Lisboa. Ela e os seus pensamentos.

 

Pensa na quantidade de pessoas à sua volta. Recorda-se dos tempos em que fazia aquele caminho todos os dias. Interessante. Veio-lhe à memória o
incêndio do Chiado. Olha à volta e apercebe-se do que foi feito. Aprecia as floreiras nas janelas. Gosta do Chiado. Pensando bem sempre gostou do Chiado.Senta-se na esplanada da Brasileira lado a lado com Fernando Pessoa. Pensa nos seus heterónimos e pergunta-se o porquê de não lhes terem erguido, também a eles, uma estátua.

 

Pede o café da praxe. Pousa o livro na cadeira do lado. Não percebe porque continua a trazer um livro se o que lhe interessa verdadeiramente são as pessoas. Gosta de observar as pessoas. Viaja novamente. Desta feita estamos na Praça da Cidade Velha em Praga. Perde-se em imagens soltas. Denunciam-na as risadas e regressa aos olhares dos que estão sentados por perto.

 

Encanta-se com os que tocam á sua frente. Abana o corpo ao ritmo dos instrumentos. Sorri mais uma vez e perde-se no gesto ao lado. Estranham-se
gestos diferentes. Pensa-se em sexos e em géneros e recua até ao Paraíso. Como seria o dia-a-dia de Eva e de Adão? Pergunta-se.

 

Faça-se um parêntese e acalmem-se os leitores. Não se fala de romance mas a história honra a moral e os bons costumes. Adão e Eva estão cobertos por uma parra. A única orgia que poderá existir é a de letras. Orgasmos e clímax apenas nas ideias. Avancemos então para a nossa protagonista que se bem se lembram estava entre o Chiado e o Paraíso. Reconhece aimportância das lutas pela igualdade das mulheres. Mas derrete-se num gesto cavalheiro. Revolta-se contra as desigualdades de oportunidades. No entanto, não abdica de um deixar passar na frente. Indigna-se com diferenças salariais. Não resiste a um puxar de cadeira. Sente-se tonta com tais pensamentos alternados. Chama o empregado e pede-lhe uma água.

 

Observa os que caminham. Apressam-se uns e detêm-se outros. Falam-se línguas diferentes. Sobem e descem num vai e vem constante. Vê casaisdiferentes. Sorri na coragem aplaudindo a vontade. Esconde-se nos Prada. Mais fácil assim. Não gosta que a olhem porque não gosta que a leiam. Sempre foi assim mas não sabe se sempre assim será. Cai a noite em Lisboa. Solta-se o vento de Janeiro. Perdeu-se no tempo de um dia sem tempo.

 

Preocupam-na as diferenças de género mas resolve-se a esquecer a Anatomia, Biologia, Psicologia e afins. Caminha em direcção ao miradouro. Gosta da vista de cidade iluminada. Perde-se no postal vivo. Recua-se a outros tempos e suspiram-se todas as promessas que ficaram por cumprir.

 

Desce no passeio contrário ao que subiu. Abriga-se da chuva que teima em cair. Choca nos que se preparam para a noite de Lisboa e sente-se novamente adolescente. Pergunta-se, as vezes que terá caminhado por ali. Procura caras e situações. Fácil perder pessoas no nosso tempo mas mais fácil ainda manter amizades. Apressa-se na vontade de uns braços que a esperam para a abraçar. Perde-se na multidão que circula e ruma aquilo que prometemos não falar.

 

Gosto de desalinho mas quando é para seguir regras seguem-se regras. Pensando bem gosto do equilíbrio que os opostos me trazem. Satisfaz-me que já possa falar de amor.  De caminho juntemos ao amor a acção e vamos ver o que isto vai dar.

 

Perde-se na multidão que circula e ruma aquilo que prometemos não falar. Desce a Rua do Carmo apressada. Sente-se rejuvenescida numa tarde bem
passada. Gosta de Lisboa mas para ser mais objectiva do que gosta mais é do cheiro a Lisboa. Enquanto caminha tem consciência que ao perder-se nos rostos dos outros se perdeu no tempo. Liga. Diz-se atrasada e diz que o quer. Derrete-se na resposta e sorri com aquele sorriso idiota de quem se sente apaixonado.

 

Soltam-se gemidos enquanto se sente prazer. Murmuram-se juras de amor sentidas. Entrega-se o corpo como se de sobrevivência se tratasse. Luta-se
corpo a corpo e empata-se na vitória. Somos dois, somos um. Alterna-se entre risos e sorrisos. Desarrumam-se leitos e arrumam-se vontades. Fundem-se cheiros que se entranham na pele. Amam-se com desejo e Abraçam-se numa pausa sentida. Partilha-senuma cumplicidade indescritível e pede-se mais. Sempre mais. Despedem-se numa saudade antecipada.

 

Fiquemos por aqui no que respeita a sensualidade. Não queremoscensura erótica nem tão pouco impedimentos de escrita. Saboreemos o que foi escrito e esperemos pelos próximos capítulos. Acabe-se por momentos com o romantismo e avance-se com a acção que o número de palavras está-se a esgotar.

 

Não gosta quando a porta se fecha atrás de si. Dói quando o deixa. Os gestos saem automáticos enquanto entra no carro. Ainda sente os beijos dele nos lábios. Sente o toque na pele e sente ainda mais o cheiro. Pensa no quanto gosta do cheiro. O pensamento voa enquanto os lábios acompanham a música que toca no rádio. Estaciona em frente a casa. Sorte ou simplesmente vontade? Não percebe o porquê de lhe perguntarem se não tem medo. O medo impede-nos de viver, pensa enquanto sai do carro.

 

O som dos gritos despertam-na do transe erótica em que se encontra. Olha para o fundo da rua e tenta vislumbrar o autor de tal aflição. Hesita entre um encolher de ombros e uma acção. Não demora muito tempo a decidir-se. O encolher de ombros só é válido na sua vida para o que não interessa. Pensando bem seria Incapaz de dormir sem tentar ajudar quem precisa. Ou então, morreria de curiosidade e imaginaria o maior número de cenários.
Passaria semanas ou mesmo meses a pensar no mesmo. Agir tinha mesmo agir.

 

Entenda-se que este momento é literário. Necessário compor-se a história ou então rapidamente se acabariam as letras. Se estivessem a matar alguém, já teria dado tempo para se enterrar o corpo. Mas tenhamos calma porque há que defender primeiro a nossa menina, criar “suspense” e percebermos o que se está a passar.

 

Lembra-se do calhamaço de Sociologia que traz dentro da mala e associa-o a arma de arremesso. Procura rapidamente o estojo de unhas e mune-se
de uma lima. Descalça as “andas” vermelhas que trás nos pés e avança ciente de que o perigo a espreita. Os gritos espaçam-se no tempo enquanto a ansiedade aumenta, Arrepende-se de não ter ficado em casa dele. Sorri ao lembrar-se que em vez de uma noite de acção podia ter uma noite de amor. Abana a cabeça e começa-se a achar meio “taradita”. O perigo espreita-a. Concentra-se no que realmente interessa. Avança encostada à parede. Lembra-se que vai ficar com aroupa suja e ainda olha com ar enjoado para as meias. Chega-se à esquina e quase não respira. Sente arrepios. Não sabe se do frio se do medo que os gritos lhe provocam. Agarra-se à lima que trás na mão e é quando sente uma pancada na cabeça. Sente o cheiro a perfume intenso e desmaia.

(…)

 

Marta Leal

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