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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Entre Cigarra e Formiga passando por Gata Borralheira

 
(imagem retirada da net)

 

Gosto de ser cigarra. Gosto dos dias em que a preguiça impera, o divertimento surge e o prazer emana. Gosto dos dias  em que me permito estar apenas por estar. Ser apenas por ser e viver ao segundo de uma forma leve e sentida. Gosto de ser cigarra.

 

Gosto de ser cigarra mas não abdico de ser formiga. Não abdico dos dias em que me esforço por realizar sonhos. Não abdico dos dias em que as ideias me ultrapassam e o meu sorriso aumenta. Nesses dias estudo, investigo, trabalho e  avanço sem nunca me esquecer de sonhar. Gosto de ser formiga.

 

Menos amada mas mais frequente aparece a Gata Borralheira. Salto diariamente para o papel de Gata Borralheira onde os afazeres domésticos são uma constante. Limpa-se, lava-se, esfrega-se, cozinha-se e passa-se a ferro  numa rotina quase que perfeita mas numa perfeição imperfeita. Não gosto de ser Gata Borralheira.

 

Alterne-se entre uns e outros e sempre com a noção de equilíbrio. Alterne-se entre o lazer e o empenho, o divertimento e o trabalho e o coração e a razão.

 

Um dia com sabor a prazer, muito prazer.

 

Marta Leal

Aprendizagem

(imagem retirada da net)

 

Fale-se de aprendizagem mas esqueçam-se palavras escritas. Fale-se de aprendizagem e fale-se daqueles que nos têm tanto para dar. Esqueçam-se graus académicos, lugares atribuídos ou percursos percorridos. Fale-se de aprendizagem e sinta-se aquilo que os outros nos tem para dar.

 

Gosto. Gosto de me derreter com as palavras sábias de quem sabe do que fala. Gosto de me deliciar com as historias de vida onde se pensa que existe apenas vida sem historia. Bebam-se palavras tal e qual nos saciamos quando temos sede.

 

Gosto dos que me fazem perder o tempo e o espaço apenas porque um dia viveram.

 

Um dia com sabor a aprendizagem, muita aprendizagem.

 

 

Marta Leal

Sementes

 

Hoje fale-se de sementes e de regas. Fale-se de amor e contribuição. Fale-se de esperas e de colheitas. Hoje fala-se de sonhos. Fala-se daqueles sonhos que para serem realizados necessitam de tempo. Tempo para amadurecerem, tempo para serem colhidos.

 

Apressados somos demasiado apressados de resultados e de realizações. Semeise na vida como se semeia na terra. Inunde-se os sonhos de amor tal como o sol inunda os campos de luz. Regue-se com persistência, resiliências e sorrisos. Espere-se. Espere-se o tempo que for necessário. Atente-se aquilo que somos e aquilo que sonhamos e um dia tal qual de um milagre se tratasse estamos lá em colheita sentida.

 

Um dia com sabor a sementes, muitas sementes.

 

Marta Leal

Por vezes sinto-me

(imagem retirada da net)

 

Por vezes sinto-me cansada daquilo que um dia me esgotou, cansada de gestos repetidos, de sorrisos forçados de rostos também eles cansados. Cansada de conversas umas mais banais do que outras, cansada daquilo que me massa, cansada do que não faz sentido. Cansada de  gestos automáticos de quem já nem sente que os executa.

 

Por vezes sinto-me cansada daquilo que sei que é possivel mudar. Mudem-se atitudes e alterem-se comportamentos.

 

Um dia com sabor a mudança, muita mudança.

 

Marta Leal

Caminhos

 (imagem retirada da net)

 

Não deixa de ser  interessante a forma como a vida nos vai ensinando ou,  melhor dizendo,  a forma como as experiências de vida nos vão fazendo mudar de opinião. Mudamos de opinião não só em relação à forma como encaramos a vida mas acima de tudo aos caminhos a seguir.

 

Tempos houve em que acreditei que o destino estava traçado, isto é, por muitas voltas que pudesse dar as coisas acabariam sempre por acontecer naquele sentido. Hoje acredito no oposto somos nós que traçamos o próprio destino pelos caminhos que decidimos percorrer, pelas pessoas que decidimos acolher, pelos que decidimos abraçar. Cada vez que chegamos a uma encruzilhada só a nós cabe a decisão de escolher o caminho para onde queremos ir. Se errarmos só nós resta voltar atrás e percorrer outro caminho. A isto chama-se aprendizagem. Acredito que só crescemos como pessoas se aprendermos não só nas derrotas mas também na forma como celebramos as vitórias.

 

Um dia com sabor a vitória, muita vitória

 

Marta Leal

Avance-se

(Imagem retirada da net)

 

Deixemo-nos da necessidade de certezas absolutas e avancemos na diversidade. Deixemo-nos da necessidade de planeamentos exaustivos e permita-se que os acontecimentos se desenrolem de forma natural, muito natural. Avance-se com sorrisos sem necessidade de preocupações. Avance-se com entrega sem necessidade de cobranças.  Avance-se com o que somos sem necessidades de sermos mais ninguém.

 

Apaixonem-se como se não existisse amanhã. Vivam as experiencias como se não tivessem tido o ontem. Permitam-se ser leves, tão leves que um dia vão perceber que se atreveram a voar.

 

Um dia com sabor a liberdade, muita liberdade.

 

Marta Leal

Amor Fora de Prazo

 

 

Inconstante a forma com o te olhava ultimamente, oscilando entre o amor e o ódio, entre o altruísmo e a cobrança, entre o desejo e a vontade, agora que caí em mim posso até dizer que te olhava com olhos de amor e coração em ódio ou será que era ao contrário? Se fores sincero sabes que é verdade, posso até apostar que sentias o mesmo. Sei que um dia sentia ser tudo para ti e no outro sentia que era menos que nada. Outro acordava apaixonada e noutros não te podia sequer ouvir.

 

Esfumou-se o amor entre decisões precipitadas e indecisões confirmadas, esfumou-se o amor entre promessas quebradas e vontades desiludidas. Quebram-se segredos cobram-se desejos que se misturam entre o meu e o teu quando deveriam ter sido desde inicio nossos. Falhámos ambos num conceito quando deveríamos termos, apenas, vivido momentos.

 

Entre raivas sentidas e sonhos desfeitos questionam-se veracidades de sentimentos quando se deveriam questionar veracidade de vontades. Entre lágrimas que não se sabe provirem de rios de nuvens de sonhos se de raiva ou de vingança colocam-se dúvidas sobre a veracidade dos factos, duvida-se de se ter sentido ou mesmo de se ter vivido.

 

Pensam-nos vitimas um do outro quando afinal somos vítimas de nós próprios. Procuramos culpas exteriores quando devíamos procurar perdões interiores. Acusamo-nos mutuamente sem nunca assumirmos a nossa percentagem de amor mal confeccionado, de dúvidas exageradas ou mesmo de certezas que nunca o foram. 

 

De repente percebo que nos esquecemos de olhares cúmplices, toques furtivos, sussurros velados que rapidamente se transformaram em corações em palpitação, em palavras cheias de significados, em beijos únicos e abraços de conforto. Esquecemo-nos de momentos em que nos entrelaçámos e fomos um do outro ou mesmo um e outro. Esquecemos que um dia fomos com a preocupação que temos em pensar no que poderíamos vir a ser.

 

Perguntas-me “O que aconteceu ao nosso amor?” Eu limito-me a responder que “ Acredito que ficou fora de prazo”

 

 

Marta Leal (Texto de ficção - 31/08/2010 - escrito para a fabrica de historias)

Medos

 (imagem retirada da net)

É, de facto, o medo que nos impede a maioria das vezes de seguir em frente. Temos medo de sofrer, temos medo de nos desiludir, temos medo até de errar. Com o tempo somos incapazes de nos entregar da mesma forma como nos entregámos da primeira vez que nos apaixonamos. Estamos sempre na duvida, questionamos o que não devíamos questionar, desconfiamos ao menor indicio e nunca estamos lá como devíamos estar de forma natural e pura.

 

Equilibre-se  o medo e saia-se da zona de conforto. Equilibre-se o medo e ame-se, sonhe-se e concretize-se.

 

Um dia com sabor a amor, muito amor.

 

Marta Leal

Rebeldias

 (imagem retirada da net)

 

Porque um dia me apeteceu ser rebelde consolei-me nas letras quando os conceitos e preconceitos me atacavam. Protegi-me entre palavras com ou sem sentido. Fiz frases minhas sem me preocupar com as frases feitas ou grandes efeitos sobre frases.

 

Houve momentos em que as letras se juntaram muitas vezes furiosas dando à luz palavras de raiva e de vingança. Palavras que formavam frases de confiança ainda inconsciente. Nos parágrafos viam-se vontades mascaradas de certezas quando as incertezas imperavam como que de uma ditadura se tratasse. 

 

E quase sem dar por isso deste romance quase alfabético nascia uma história feliz onde as letras se juntaram e formaram o amor e a paixão. Consta que lutaram contra a raiva e a vingança. A única coisa que vos posso contar é que da batalha nasceram a confiança, a vontade, o empenho  e o sorriso tudo envolto em paz e serenidade.

 

Porque um dia me apeteceu ser rebelde desejo-vos um dia com sabor a rebeldia, muita rebeldia.

 

Marta Leal

Gosto

(imagem retirada da ne)

 

Gosto. Gosto dos dias de chuva onde o mar e o céu se misturam num salgado e doce compatível. Gosto de observar o movimento das ondas num vai e vem constantes. Gosto do cheiro da relva molhada. Gosto do cheiro da terra molhada .

 

Gosta da independencia dos elementos, tal como gosto da independencia dos seres. Gosto da forma como uns e outros se unem.

 

Um dia com sabor a independência

 

 

Marta Leal

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