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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

O Carmo e a Trindade

 

Nada como um abanão na vida para nos fazer pensar. Habituamo-nos a viver  uma vida calma ou um perfeito reboliço. A períodos de calma e harmonia sucedem-se períodos de  conflitos internos e externos, parece que de repente tudo nos acontece ou como o nosso querido povo costuma dizer, existem momentos em que cai o Carmo e a Trindade.

 

Incrível. Incrível como o mundo se ajusta num vaivém e vaivém de acontecimentos como se de ondas se tratasse. Muitas vezes embrenhamo-nos num dia-a-dia de insatisfações contidas ou de satisfações vividas que não nos apercebemos do quanto tudo o que está nossa volta muda. Mudamos nós e mudam os outros. O segredo está em aceitarmos isso de uma forma natural e deixarmo-nos ir ao sabor da vida. Por falar nisso, sugiro-lhe caro leitor que por aqui se deixe ir ao sabor das letras.

 

 

 

Cana de Pesca ou Peixe

 

Somos da geração do querermos o melhor para os nossos filhos, do querermos que sejam felizes, que tenham tudo, que sejam alguém. Muitos de nós, pais, realizam sonhos através deles os filhos. Querem que sejam aquilo que eles, pais, nunca foram.

 

Outros querem que sigam uma profissão de futuro uma profissão que lhes dê estatuto, casa, carreira e dinheiro. Escolhe-se pelos filhos, impõe-se decisões e esquecemo-nos que estamos a usar aquilo que um dia lhes demos como sendo só deles - a vida. Formam-se engenheiros, advogados, gestores e tantos outros mas esquecemo-nos de formar pessoas. Dão-se competências académicas mas esquecemo-nos das competências sociais. Escolhemos, decidimos e transformamo-los em adultos indecisos ou em pequenos ditadores.

 

Na ânsia de irmos para o quadro de mérito dos melhores pais do mundo onde sejamos admirados por todos caímos na tentação de escolher, decidir, fazer por eles. Apagamos sonhos, vontades e mesmo até vocações em nome daquilo que sabemos ser o melhor.

 

Adivinho aqueles que me estão a questionar neste momento: então não fazemos nada? Claro que sim. Apoiamos, cuidamos e aconselhamos. Mostramos os caminhos possíveis sempre com a noção de que responsabilidade de quem escolhe é dos filhos e não dos pais. Para mim, os melhores pais do mundo são aqueles que educam pelo exemplo na aceitação da sua força e da sua fragilidade, das suas lágrimas e dos seus sorrisos, dos seus erros e das suas vitórias. Melhores pais do mundo são aqueles que ensinam, que sabem dizer não, que responsabilizam e que se responsabilizam.

 

 

Por aqui prefiro ensinar a pescar do que dar o peixe. Prefiro permitir sonhar do que viver por eles. Prefiro que escolham conscientes de que a escolha e o caminho é deles, apenas deles. Tudo isto sempre com muito equilibro entre o saber ser e o saber estar e, o saber dar e o saber receber mas sobretudo o saber respeitar quem somos  e aquilo que os outros são na semelhança e na diferença.

 

Eu continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma.

 

Não tenho destino tenho apenas um caminho que escolhi fazer

 

E tu? qual é o caminho que pretendes fazer?

 

"Lembraste do dia em que te disse que me sentia como tivesse morrido na praia? Lembras-te de como me senti ao ter que dar as últimas braçadas sozinha até alcançar a areia? Nesse dia tinha chegado à final do 1º desafio e não tive com quem comemorar. Nesse dia em vez de festejar uma vitória limitei-me a chorar a solidão. Em vez de me sentir uma sobrevivente senti-me derrotada simplesmente porque olhei para o lado e não estavas lá.

Não quero ser injusta contigo, não esqueci os momentos em que não me apetecia dar nem mais uma braçada e tu me incentivaste, não esqueci os momentos em que parei e foste tu que me deste força para continuar, não esqueci as vezes que me agarraste e me ajudas-te a nadar contra a maré, não esqueci as lutas que travamos juntos contra o mar revolto. Lembraste? Claro que sim nem sei porque o pergunto. Foi uma viagem que era minha mas que tu até certo momento fizeste questão que se tornasse tua.

Percebo agora que tenho estado sentada nessa praia sem dar valor ao que conquistei. Percebo agora que fiquei ali a incentivar, apoiar e a ouvir os que chegavam nas mesmas condições do que eu. Todos eles seguiram para as etapas seguintes e eu deixei-me ficar porque não queria continuar sem ti. Deixei-me ficar sem perceber que ficava. Achava que o passear pelo areal me bastava . Percebo agora que fiquei à tua espera não porque mo pediste mas porque era isso que eu queria fazer. Perdi a conta das vezes que me visitaste mas ao contrário do que eu sonhava nunca ficaste. Pensei sempre que não ficavas porque não podias mas hoje sei que não ficaste porque não querias. Nas nossas idades já só não podemos o que não queremos não é verdade?

As nossas vidas separam-se neste momento. É hoje que inicio o resto da minha caminhada. Vou sozinha consciente de que é assim que o tenho de fazer. Agora sei que esperei o tempo necessário para me recompor de um passado e poder caminhar consciente de um presente real com esperança no futuro que sonho vir a ter.

Sei que nunca me vais ler porque escrevo-te no areal que um dia me acolheu. O mar vai-me servir de borracha assim que me afaste. Tenho como companhia o vento mas esse prometeu-me guardar segredo do que te escrevi e de todas as confidências que lhe fiz. Ao fundo, o sol nasce para se despedir, acenando-me como a incentivar-me.

A única bagagem que levo está no meu coração e na minha vontade. Neste momento é tudo o que preciso, neste momento é tudo o que quero. Olho mais uma vez para trás, recordo momentos, recordo palavras mas o que quero reter é este cenário que me apazigua e que me incentiva a iniciar a minha caminhada.

Sinto saudades antes de partir mas sei que é aqui que vou voltar sempre que a minha imaginação mo permitir.

Não tenho destino tenho apenas um caminho que pretendo fazer."

 

Escrito em 2008 para a Fábrica de Histórias

Guilty Pleasure

 

Hoje falo de futilidades até porque a vida minha vida é feita de pequenos prazeres que a fazem um todo que posso apelidar de feliz. Atenção que ser feliz para mim pode não ser o que é ser feliz para os outros. Por conseguinte hoje fala-se de guilty pleausures ou como gosto de lhes chamar "prazeres proibidos". Desenganem-se aqueles que pensam que vou revelar segredos sórdidos ou mesmo manias impensáveis. Por aqui vai-se falar apenas de dois prazeres que se fundem num bem estranho aos olhos dos outros e comum perante os meus.

 

Gosto de vaguear pelas lojas a provar roupa sabendo á partida que não vou comprar nada. Aliás nestes dias de "ronda" nunca compro nada. Gosto de experimentar coisas novas, estilos diferentes apenas pelo prazer de o fazer. Gosto de vestir novas personagens. Faço-o sozinha e acompanhada durante horas seguidas. Devo-vos dizer que acompanhada por quem nunca o fez é fantástico. Gosto de ver o olhar surpreendido de quem não percebe o porquê de o fazer.

 

O dois em um? Provar tudo o que tenha bolinhas. Adoro bolas. Se existem momentos que isso não é problema até porque é moda. Existem alturas em que quase ressaco por ter experimentar produtos com bolas. E então como resolvo o problema? Lá vou eu direitinha a lojas de roupa em 2ª mão, usada e reciclada. Sim! Porque o importante é que tenha bolas.

Revela-se portanto hoje um segredo que poucos conheciam e que todos estranham. Confundem-se as mentes enquanto este prazer me alimenta alma.

 

Lugares comuns


 

"Pense como as pessoas sábias, mas fale como as pessoas simples"

Aristóteles

Parece que somos muito simples se falarmos de lugares comuns. Consta até que poderemos ser apelidados de menos desenvolvidos intelectualmente. Por mim que seja. O que não posso negar é que gosto da simplicidade das palavras e da simplicidade da vida. Gosto das palavras simples onde o ser é apenas ser, o amar apenas amar, o sorrir apenas sorrir.

O lugar comum está no ponto onde me cruzo com os outros, a minha essência está no ponto em que eu me assumo na diferença e na igualdade de uma especie  tão dificil de entender.

 

 

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