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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Les Uns et Les Autres

 

 

Hoje fala-se de uns e de outros ou melhor escrevendo de nós e dos outros. Os outros. Sempre os outros. Aqueles outros que umas vezes amamos e rapidamente detestamos.  Hoje fala-se do que somos e do que pretendemos ser aos olhos de uns e aquilo que pensamos ser na boca de outros. Hoje fala-se de uma necessidade de validação externa quando o que deveria interessar é a validação interna.

 

Na maioria dos casos insistimos em responsabilizar os outros das nossas falhas, dos nossos medos e da nossa inacção. Na maioria dos casos somos exímios em encontrar bodes expiatórios para a derrota quando devíamos encontrar aliados para a vitória. Aponta-se muito e elogia-se de menos. Aplaudem-se mais rapidamente derrotas do que vitórias.

 

Concentramo-nos vez de mais nuns e noutros quando nos deviamos concentrar em nós, sempre em nós.

 

 

O que dizemos não é forçosamente aquilo que os outros ouvem

 

 

Antes de escrever sobre o que pretendo permitam-me que faça um agradecimento aos meus clientes que me inspiram tanto na sua aprendizagem e no seu crescimento. Acredito que todos os dias cresço com os momentos que passamos juntos. A todos eles um obrigada de coração cheio pela inspiração na vida e nas letras, bem como pela motivação diária.

 

Passe-se então dos agradecimentos ás letras que é para isso que aqui estamos. Por vezes insistimos, explicamos e queremos que os outros nos entendam. Por vezes sentimo-nos frustrados, melindrados e quiçá até zangados por não nos entenderem. Por vezes culpamos os outros por não nos ouvirem ou mesmo por não nos entenderem. Esquecemo-nos, contudo, de que falamos uma linguagem própria baseada em vivencias anteriores, crenças, conhecimentos, aprendizagens e emoções. Falamos de um eu para outro eu também ele com toda uma bagagem de referencias.

 

De facto, o que dizemos não é forçosamente aquilo que os outros ouvem. A comunicação só se torna comunicação quando saímos das nossas referencias e passamos a comunicar numa linguagem que o outro conhece e entende. O desafio está em chegares ao outro pelo que ele é sem te preocupares com o que és. O desafio está em comunicares sem competires de uma forma em que transformes aquilo que dizes naquilo que o outro entenda.

 

 

Vestida para sorrir

 

 

Gosto de me vestir para sorrir. Gosto de vestir o que me faz sentido não só no corpo mas também nas ideias. Acredito que tal como a roupa deve ser adequada ao corpo que temos,  também as ideias e os conceitos devem ser adaptados ao que somos enquanto pessoas. Gosto de aprender e adaptar a mim, apenas a mim. Cansam-me os formalismos que não me fazem sentido. Prefiro o deixar-me envolver e o deixar-me ir a um "ter de ser"  apenas porque sim.

 

Refiro-me á autenticidade que teimamos em vestir de perfeição quando devíamos vestir de sorrisos. Refiro-me  a quem somos e ao facto de teimarmos ser outros apenas porque nos deixamos ir. Refiro-me aos pezinhos de lã que por vezes insistimos em ter para não incomodar, refiro-me ao que insistimos vestir mesmo que não nos seja confortável.

 

Por aqui insisto num ser e num estar muito proprios.  !!!!!! Choro, rio, acerto, falho, julgo, defendo sempre na procura de uma aprendizagem que me faça sentido. Por aqui permito-me ser humana e insisto em vestir aquilo que me faz sorrir!!! E todos os dias recomeço vestida de uma essencia sentida e de uma "humanidade" permitida.

 

Mas claro este é apenas o meu vestir !!!!!

Reflexos ou Imagens Reais?

 

Esperam que sejamos sorridentes todos os dias, que choremos com eles nas tristezas e que achemos piada ao que nos contam. Pedem-nos que concordemos com tudo o que fazem, com os seus ideais, posturas e acções. Querem que sigamos por caminhos previamente definidos por regras sociais, que sejamos desta ou daquela maneira consoante a idade, querem que atinjamos este ou aquele objectivo, que tenhamos este ou aquele comportamento e, que digamos esta ou aquela palavra apenas porque querem.

 

Exigem-nos que sejamos apenas reflexos quando podíamos ser imagens reais, criticam-nos quando não estamos sem perceberem que não queremos estar, apontam-nos por não sermos sem sequer saberem quem somos, falam-nos sobranceiros senhores da razão .. de uma razão  que não é nossa. Perdemo-nos em regras quando nos devíamos perder em bem estar,  perdemo-nos em medos quando devíamos avançar certos de vitórias. Perdemo-nos nos outros quando nos devíamos encontrar apenas no que somos e  no que queremos alcançar nunca contra os outros apenas e tão somente a favor … de nós.

 

Muitas vezes pedem-nos que sejamos quem não somos. E nós aceitamos. Não são os outros que fazem somos nós que deixamos fazer. Esquecemos que na nossa perfeição imperfeita somos seres únicos donos do ser, do estar e do escolher. Eesquecemos de ser quem somos culpamos, acusamos e perdemo-nos de um nós que nada mais é do que a nossa essência, os nossos sonhos as nossas vontades.

 

Eu escolho seguir em frente num ser e num estar muito próprios. Eu escolho ser uma imagem real e tu o que escolhes?