Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

A Macieira Encantada

 

Era uma vez um reino antigo e pobre, situado perto de uma grande montanha. Havia uma lenda de que, no alto dessa montanha havia uma Macieira mágica, que produzia maçãs de ouro. Para colher as maçãs era preciso chegar até lá e enfrentar todas as situações que aparecessem no caminho. Contava a lenda que nunca ninguém tinha conseguido tal façanha.

 

O Rei desse reino resolveu oferecer um grande prémio àquele que se dispusesse a fazer essa viagem e que conseguisse trazer as maçãs, pois assim o reino estaria a salvo da pobreza e das dificuldades que o povo enfrentava. O prémio seria escolhido pelo vencedor e incluía a mão da princesa em casamento.

 

Apareceram três corajosos cavaleiros dispostos a essa aventura tão difícil. Eles tinham de  seguir separados  por três caminhos:

1º - Rápido e fácil, onde não havia nenhum obstáculo e nenhuma dificuldade;

2º - Rápido e não tão fácil quanto o primeiro, pois havia algumas situações a serem enfrentadas;

3º - Longo e difícil, cheio de situações trabalhosas.

 

Foi feito um sorteio para ver quem escolheria em primeiro lugar um desses caminhos. O primeiro sorteado escolheu, naturalmente, o primeiro caminho. O segundo sorteado escolheu o segundo caminho. O terceiro sorteado, sem nenhuma outra opção, aceitou o terceiro caminho.

 

Partiram juntos, à mesma hora, e levavam apenas uma mochila que continha alimentos, agasalhos e algumas ferramentas. O primeiro, com muita facilidade chegou rapidamente até à montanha, subiu, feliz por acreditar que seria o vencedor e quando se deparou com a Macieira Encantada sorriu de felicidade. O que ele não esperava, porém, é que ela fosse tão inatingível. Como é que podia chegar até às maçãs? Elas estavam em troncos muito altos. Não era possivel  subir. Não  tinha nenhum meio de chegar até lá cima. Ficou à espera do segundo cavaleiro para resolverem juntos a questão.

 

O segundo cavaleireiro enfrentou corajosamente a primeira situação com que se deparou, porém logo de seguida apareceu outra, e logo depois mais uma e mais outra, sendo algumas delas muito difíceis de superar. Acabou por ficar tão esgotado e cansado que foi obrigado a  voltar á aldeia onde foi internado nos cuidados intensivos.

 

O terceiro cavaleiro teve o seu primeiro teste quando acabou a água e teve que recorrer a um poço. Quando puxou o balde a corda rebentou  e ele com as suas ferramentas e alguns ramos, improvisou uma escada para descer até ao fundo do poço e retirar a água para matar a sede. Resolveu levar a escada consigo bem como a corda remendada. Percebeu que estava a começar  a gostar muito desta aventura.

Depois de descansar, seguiu viagem e precisou de atravessar um rio com uma corrente fortíssima. Construiu, então, uma pequena jangada e com uma vara de bambu como apoio, conseguiu chegar ao outro lado do rio, protegendo assim a sua mochila, os seus agasalhos e todo o material que levava consigo para o momento em que precisasse deles, incluindo a jangada.

 

Noutro ponto do caminho teve de cortar a densa vegetação  e passar por cima de grossos troncos. Com esses troncos fez rodas para facilitar o transporte do seu material, usando também a corda para puxar.

 

E assim, sucessivamente, a cada nova situação que surgia, como ele não tinha pressa, calmamente e fazendo uso de tudo o que estava a aprender nessa viagem e do material que, prudentemente guardara, resolvia facilmente a questão.


 A viagem foi longa, cheia de situações diferentes, de detalhes, e quase sem dar por isso chegou à Macieira Encantada. O primeiro cavaleiro tinha-se cansado de esperar e já tinha voltado á aldeia.

O encanto da Macieira enfeitiçou o  terceiro cavaleireiro. Ela era tão linda, grande, alta, brilhante. Os raios do sol que incidiam  nos frutos dourados irradiavam uma luz imensa que o deixou extasiado. Quanto mais olhava para a luz dourada, mais ele se sentia invadir por ela, e percebeu que todo o seu corpo parecia estar também dourado. Nesse momento sentiu como se uma onda de sabedoria tomasse conta de seu ser. Com essa sensação maravilhosa deixou-se ficar, inebriado, durante algum  tempo. Depois deste primeiro impacto, pôs-se a trabalhar e preparou cuidadosamente o seu material, usando todos os seus recursos. Transformou a jangada numa grande cesta, para guardar as maçãs dentro, subiu à árvore, pela escada, usou o bambu para empurrar as maçãs mais altas e mais distantes. Depois de encher a cesta com as maçãs, e com a certeza de que poderia voltar ali quando quisesse, por ser a Macieira pródiga, ele agradeceu por ter chegado e por ter conseguido concluir seu objetivo. Agradeceu principalmente a si mesmo pela coragem e persistência na utilização de todos os seus recursos, como a inteligência e a criatividade.

 

Voltou pelo caminho mais fácil, levando consigo os frutos de seu trabalho e de seus esforços, frutos esses colhidos com muita competência e merecimento.

 

Maria Madalena de Oliveira Junqueira Leite

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D