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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Cá por casa

 

Lá por fora temos notícias da execução de um jornalista e de seguida temos a contra notícia que poderá ter sido tudo encenado. Baralha-se um mundo onde o pensar já é muito pouco . De seguida temos desfile de prisioneiros na Rússia o que segundo o Governo não foi de modo algum humilhante. Cá por casa fiquei com a sensação de que estava a assistir a um qualquer documentário sobre uma época em que os direitos humanos não eram respeitados. Lá por fora terminamos em grande com a notícia de que a uma das minhas séries preferidas (uma família muito moderna) ganhou 3 Emmys. Resta-me dar os parabéns a quem me tem feito rir tanto.

 

Cá por dentro o Novo Banco começou já com publicidade apelando á confiança dos seus clientes. Depois de uma destas não sei se alguém pode confiar seja no que for. É por estas e por outras que eu continuo cliente CGD. José António Saraiva escreve um artigo sobre Emídio Rangel que me deu volta ao estômago. Somos todos livres de dar opiniões mas somos todos responsáveis por aquilo que dizemos publicamente. Feio muito feio denegrir a imagem de alguém contando confidencialidades e conversas de amigos.  Cascais esteve ao rubro com os confrontos no concerto de Anselmo Ralph. Diz quem lá esteve que o moço teve uma postura muito coerente e que procurou acalmar os ânimos. Conta-se que o governo quer continuar a aumentar os impostos quero acreditar que estamos a viver num mundo encantado onde vencem as bruxas más e perdem as gatas borralheiras.

 

Cá por casa a filha mais nova está de férias com o pai, a do meio continua na apanha da pera e o mais velho continua por cá. Os dias cheiram e parecem de Outono até porque a Oeste já temos dias com chuva. Desde que vim de férias que tenho a sensação de que o trabalho é constante e que o número de horas que me dedico ao que gosto tem vindo a aumentar. O penteado novo já está mais aceite, embora não totalmente. Os elogios foram tantos que acabei por me render às evidências.  Por aqui gosto de um mundo que é muito meu pela serenidade, verdade e aceitação. Por vezes perco-me das letras a favor de um dia-a-dia de inspiração. Nesses momentos obrigo-me a escrever tal como me obrigaria a comer se o deixasse de o fazer. A comida alimenta-me o corpo mas a escrita alimenta-me a alma.

 

Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma.

 

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