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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Dia Mundial do Idoso

No dia mundial do Idoso penso na sorte que tive em nascer na familia que nasci. Somos aquilo que vimos, que ouvimos e que sentimos. Cresci num mundo onde os avós ajudavam a cuidar de nós e onde as referenciais familiares eram e são marcantes. Hoje volto a recordar o avô sem pretender descuidar-me da avó, um dia sei que vou escrever sobre ela.
No dia mundial do Idoso gostava que todos nós nos lembrassemos das nossas raizes e de quem somos. Quem nos viu nascer, quem cuidou de nós merece que cuidemos deles de forma digna e sentida. Afinal,  a eles devemos o nosso próprio ser.
Recorde-se então o avô !

Paro em alguns acontecimentos. Sinto sabores e recordo cheiros. Saltito entre tios, avós, brincadeiras, animais de estimação, professores, escolas, primeiros namoros e afins. Sonhos, muito sonhos.

 

Falemos de culinária. Decido-me. Contra-senso para quem não gosta de cozinhar. Mas falemos de bacalhau cru e peixe frito. Permitam-me que recue á sala dos avós. Permitam-me que recue no tempo e me sente á mesa com o avô onde passávamos tardes de histórias e de hábitos alimentares diferentes. Agora que penso nisso foram tantas vezes que me queixei de ouvir aquelas histórias e agora dava tudo para as voltar a ouvir. Gosto de bacalhau cru com pão da mesma forma que gosto de peixe frito no pão. Reportam-me me sempre ao avô. Reportam-me à forma como ele ia cortando as fatias de pão e íamos partilhando histórias e sabores.

 

Gostava de partilhar com o avô. Os momentos e a comida, as histórias e os passeios. Gostava de passear de mão dada com ele. Gostava de como me ensinava a pescar enguias. Arrepiava-me a forma como as preparava mas aguentava-me firme. Sem manifestar a pena que tinha dos pobres bichos. Pena, que diga-se em abono da verdade, se extinguia no momento em que as começava a comer.

 

Inocente a forma como admiro aquele homem. Inocente a forma como pensamos os nossos como imortais. Inocente a forma como admiramos sem o manifestar. Inocente a forma como queremos que certas coisas sejam eternas.

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