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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Fale-se de construir em vez de se falar em destruir

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Falam-me de razões para acreditar e a minha imaginação remete-me, imediatamente, para uma história de amor. Os que me conhecem já sabem que sou uma romântica. Os que acabaram de chegar ficam desde já a saber que me derreto com finais felizes. Sou lamechas é verdade. Sou lamechas e mimada. Uma combinação que aos 46 anos se pode tornar problemática. Mas paremos de falar de mim, e avancemos para falar de razões para acreditar.

 

Para falar do amor teria de falar do desamor, para falar de encontros teria de escrever sobre desencontros, para falar de vitórias teria de falar de derrotas. Depois tinha de falar de trocas de olhares e de beijos mais ou menos melados. Com um bocado de sorte os gemidos faziam-se ouvir e os defensores da moral e bons costumes podiam manifestar-se. Perdoem-me e permitam-me que vos diga que não me apetece. Hoje não me apetece escrever uma história de amor. Desenganem-se aqueles que acabaram de pensar em mim como mal-amada ou outro qualquer estereótipo de mulheres que não acreditam no amor. Acredito. É verdade! Acredito cada vez mais naquele tipo de amor incondicional onde o dar é mais importante do que receber, onde o ser é mais importante que o ter e onde o estar é mais importante do que o ir a qualquer lado.

 

Afastei-me do tema para falar um pouco de mim. O momento foi egocêntrico mas justifica-se uma vez que a historia não sendo sobre mim é minha. Gosto de comandar a história tal como gosto de liderar a minha vida. Dizia eu que tomada a decisão de não escrever o amor .Decido escrever sobre o sorrir, o avançar, o lutar e o não desistir. Nada de sorrisos amarelos, avanços timidos ou lutas corpo a corpo. Falamos apenas de vida e dos conceitos que a constituem.

 

Avanço para a história sem ter personagens principais. Defendo a igualdade da diferença e a diferença na igualdade. Defino palcos de vida e grandes planos de altos e baixos. Faço com que as letras se envolvam em projectos e  alcançancem resultados. No guião coloco principalmente imperfeição. Gosto daquele tipo de imperfeição que nos faz perceber que somos apenas humanos. Falhamos, uma e outra e outra vez. Felizes dos que avançam no erro. Felizes dos que não se importam de voltar a tentar.

 

Paro. Reflicto e decido-me a mudar de rumo novamente. Nas letras entenda-se. Porque na vida apetece-me continuar assim. Falemos então de razões para acreditar quando todos se tornaram incrédulos. Difícil o tema nos tempos que correm. Fale-se das posturas diferentes sobre diferentes situações. Fale-se daqueles que lutam sem desistir e que não perdem o sorriso. Fale-se dos que arriscam, avançam e vencem. Fale-se de tantos que perante as adversidades crescem interiormente e não baixam os braços.

 

Fale-se dos que sorriem a estranhos na rua. Dos que de ideias antecipadamente designadas idiotas constroem impérios, dos que se lembram de quem foram e ajudam quem quer ser. Fale-se dos que mudam o seu mundo e sem dar por isso mudam o mundo de tantos outros. Fale-se daqueles que também choram com a certeza de que amanhã vão sorrir. Fale-se dos que sabem dar de coração cheio e dos que recebem de coração aberto.

 

Fale-se do Homem comum que não desiste, não desanima, ultrapassa desafios e sorri nos piores momentos. Fale-se daqueles que com pouco ajudam os que tem menos. Fale-se dos que já choraram e ajudam quem hoje chora. Fale-se de solidariedade, de voluntariado, de dádiva e de gratidão. Fale-se de um mundo onde mais que termos, somos.

 

Fale-se do que quiser mas fala-se de  construir em vez de se falar em destruir. Fale-se em correcções em vez de se falar em revoluções. Fale-se de vencer em vez de se falar de medos. Fale-se de agir em vez de se falar em reagir. Fale-se, escreva-se, acredite-se e sorria-se porque só assim faz sentido.

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