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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Vestidos para Agradar

 

Mudam-se os tempos e mudam-se as filosofias de vida. Descobrem-se novas formas de estar, recuperam-se aprendizagens e procuramos tudo o que nos faça sentido ou então procuramos tudo o que seja moda. Corremos de aprendizagem em aprendizagem e experienciamos. Corremos, contudo, o risco de nos perdermos. Proliferam novos mundos de contacto com o nosso eu interior, com o nosso eu superior, com os nossos guias ou mesmo com aquele deus que escolhemos adorar.

Proliferam novos mundos por descobrir. Proliferam novos conhecimentos que podem ter a fórmula mágica do sucesso. Porque é isso que todos queremos ter, sucesso. E que fazemos nós? Avançamos numa busca constante daquilo que nos faça feliz, daquilo que nos faça sentir bem. Buscamos a felicidade, perseguimos “sentires” e revemo-nos em mestres que insistimos em moldar.

 

Até aqui parece-me bem, parece-me sempre muito bem a procura de algo melhor, a procura do conhecimento ou mesmo a procura de novas vidas e de novos caminhos. Queremos tanto, que, tal como fizemos no passado, insistimos em vestir apenas para agradar quando devíamos vestir apenas aquilo que nos serve. Martelamos aprendizagens, seguimos rituais que não nos fazem sentido, apenas por obrigação. Forçamos discursos, movemo-nos pelas palavras e esquecemo-nos que o que nos deve mover é o exemplo. Vestimos para agradar quando devíamos vestir apenas o que nos serve.

 

Na maioria dos casos corremos o risco da não integração ou, melhor dizendo, da não consolidação da aprendizagem. Esquecemo-nos constantemente que tudo tem um tempo próprio para crescer, que tudo tem um tempo para amadurecer. Rápido. Queremos tudo demasiado rápido. Não nos sentimos melhor ao primeiro minuto, então vamos continuar à procura. Procuramos satisfação exterior quando devíamos procurar conhecimento interior. Perguntas como: Quem sou eu na realidade? O que é que quero da vida? O que tenho feito para tornar a minha vida melhor? O que me falta para chegar onde quero chegar? – são muito raras de ser feitas, até porque lidar com a realidade é duro,  lidar com a realidade causa dor.

 

Aprendemos sem sentir. Queremos à viva força ser pessoas diferentes e pessoas mais felizes. Procuramos incessantemente uma felicidade fabricada e esquecemo-nos que a felicidade não se procura, a felicidade vive-se na forma como lidamos com quem somos, com o que nos acontece e com as circunstâncias que temos ao nosso redor. Corremos de aprendizagem em aprendizagem, saltamos de filosofia em filosofia e na maioria dos casos esquecemo-nos dos valores e dos princípios que as regem. Debitamos saberes mas agimos de forma contrária. É esse o efeito de quem veste para agradar.

 

Quantas vezes adaptamos filosofias de vida e temos comportamentos contrários ao que profetizamos? Incongruentes, tornamo-nos muitas vezes incongruentes entre o ser e o estar. Queremos ser e depois comportamo-nos de forma completamente diferente. Julga-se, compete-se, aponta-se e acusa-se. Somos humanos, é claro que somos humanos.

 

Não quero com isto dizer que não devamos procurar, não quero com isto dizer que não devemos aprender. Claro que sim. Procura e aprendizagem são passos importantes no caminho da mudança e do crescimento individual. Acredito apenas que essa procura deve ser feita com consciência de que se procura, com consciência de quem somos e para onde queremos ir. Acredito também que toda a aprendizagem tem pontos comuns e pontos divergentes. Confusos? Passo a explicar. Toda a aprendizagem deve ser aplicada e adaptada a quem somos. Que é como quem diz, deve-nos fazer sentido e deve-nos fazer bem. Tal como quando compramos uma roupa, se não nos servir mandamos modificar, deveríamos fazer o mesmo com a aprendizagem que recebemos. Ajustar a quem somos, adaptar o que nos faz sentido e deixar de martelar o que não nos faz. Tornaria tudo mais simples, tornaria tudo muito mais coerente. Não sei mesmo se não facilitaria na relação com o eu e com o outro, até porque, ao sentirmo-nos confortáveis, sentimo-nos muito mais felizes. Lembram-se? A tal felicidade que insistimos em procurar e nos esquecemos de sentir?

 

Descobre-te. Conhece-te e aceita-te. Aprende "de cor" todas as tuas mais-valias e todas as tuas limitações. Enumera de trás para a frente tudo aquilo que és e decide-te por quem queres ser. Veste apenas aquilo que te serve!

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