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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

D'alma

Hoje lembrei-me deste que escrevi para a Fabrica de Histórias

 

Conta-se que existem dois mundos. Conta-se que um dia se descobrem os segredos de um mundo de sentires. Abrem-se se os cofres das almas. Soltam-se as cúmplices com promessas de reencontros. Abraçam-se numa despedida e assumem-se missões. Só no crescer existe reencontro. Munem-se de vontades e partem para um mundo terrestre. Esqueçam as memórias num mundo de sentires. Nasce-se, cresce-se a aprende-se. Busca-se um olhar e sente-se no tocar.

 

Cresce-se num mundo de fantasia. Balança-se ao som de histórias de encantar. Dança-se ao som de músicas felizes. Queremos ser fadas de um reencontro, princesas de uma vida e felizes para sempre para todo o sempre. Acredita-se no príncipe encantado e constroem-se castelos de areia desfeitos por lágrimas de desilusão. Permite-se sonhar sabendo que se corre o risco de se permitir chorar.

 

Dá-se o meu primeiro beijo na inocência do primeiro amor. Alternam-se sentires como se alternam escolhas. Somos novos no caminhar e corajosos no sentir. Queremos tudo e queremos agora. Incompreendidos nos humores e apaixonados no todo.

 

Beijos ferozes, toques ofegantes e palavras feitas ou mesmo palavras nenhumas. Unem-se os corpos apressados em gestos desajeitados. Seduzem-se os sentidos e saciam-se as vontades. Vontades porque é de vontades que se trata. Segue-se um silêncio incómodo. Incomoda sempre o que não se sente.

 

Nega-se ao incómodo e sente-se ridícula no seu querer. Colam-se etiquetas de desagrado. Soltam-se lágrimas de insucessos. Mas acredita-se. Acredita-se sempre que um dia talvez um dia. Procura-se incessantemente aquilo que se deve encontrar. Forçam-se relações e partilhas, torna-se cúmplice, aquilo que nunca o foi.

 

Sonha. Suspira e cansa-se de procurar. Acredita no sentir e sente no acreditar. Assume a solidão dos outros como a companhia dela própria. Cuida-se de amores, mune-se de carinhos e deixa-se ficar. Um dia talvez um dia.

 

Diz-lhe que a quer enquanto a beija. Olham-se nos olhos e soltam-se as roupas de forma ordenada sem ordem nenhuma. Sussurram repetidamente o que sentem. Tocam-se com vontade e sentem-se com verdade. Fundem-se os corpos na cumplicidade de um querer e na partilha de um desejo. São um do outro num movimento perfeito. Segue-se um silêncio partilhado numa mão entrelaçada que não se quer soltar.

 

Transformam-se quereres, vontades e atribuem-se novos significados. Gosta-se do silêncio do olhar. Gosta-se da timidez de um gesto gosta-se apenas por gostar. Não se explica,  sente-se apenas!!!! Cuida-se, mima-se e protege-se.

 

Caminha firmemente. Pensa que desejos sentidos fazem desejos permitidos. Sorte dos que permitem que se toquem as almas . Sorte dos que se permitem sentir.

 

Marta Leal