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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Razões para acreditar

 

Falam-me de razões para acreditar e a minha imaginação remete-me, imediatamente, para uma história de amor. Os que me conhecem já sabem que sou uma romântica. Os que acabaram de chegar ficam desde já a saber que me derreto com finais felizes. Sou lamechas é verdade. Sou lamechas e mimada. Uma combinação que aos 42 anos se pode tornar problemática. Mas paremos de falar de mim, e avancemos para falar de razões para acreditar.

 

Para falar do amor teria de falar do desamor, para falar de encontros teria de escrever sobre desencontros, para falar de vitórias teria de falar de derrotas. Depois tinha de falar de trocas de olhares e de beijos mais ou menos melados. Com um bocado de sorte os gemidos faziam-se ouvir e os defensores da moral e bons costumes podiam manifestar-se. Perdoem-me e permitam-me que vos diga que não me apetece. Hoje não me apetece escrever uma história de amor. Desenganem-se aqueles que acabaram de pensar em mim como mal-amada ou outro qualquer estereótipo de mulheres que não acreditam no amor. Acredito. É verdade! Acredito cada vez mais naquele tipo de amor incondicional onde o dar é mais importante do que receber, onde o ser é mais importante que o ter e onde o estar é mais importante do que o ir a qualquer lado.

 

Afastei-me do tema para falar um pouco de mim. O momento foi egocêntrico mas justifica-se uma vez que a historia não sendo sobre mim é minha. Gosto de comandar a história tal como gosto de liderar a minha vida. Dizia eu que tomada a decisão de não escrever o amor .Decido escrever sobre o sorrir, o avançar, o lutar e o não desistir. Nada de sorrisos amarelos, avanços timidos ou lutas corpo a corpo. Falamos apenas de vida e dos conceitos que a constituem.

 

Avanço para a história sem ter personagens principais. Defendo a igualdade da diferença e a diferença na igualdade. Defino palcos de vida e grandes planos de altos e baixos. Faço com que as letras se envolvam em projectos e  alcançancem resultados. No guião coloco principalmente imperfeição. Gosto daquele tipo de imperfeição que nos faz perceber que somos apenas humanos. Falhamos, uma e outra e outra vez. Felizes dos que avançam no erro. Felizes dos que não se importam de voltar a tentar.

 

Paro. Reflicto e decido-me a mudar de rumo novamente. Nas letras entenda-se. Porque na vida apetece-me continuar assim. Falemos então de razões para acreditar quando todos se tornaram incrédulos. Difícil o tema nos tempos que correm. Fale-se das posturas diferentes sobre diferentes situações. Fale-se daqueles que lutam sem desistir e que não perdem o sorriso. Fale-se dos que arriscam, avançam e vencem. Fale-se de tantos que perante as adversidades crescem interiormente e não baixam os braços.

 

Fale-se dos que sorriem a estranhos na rua. Dos que de ideias antecipadamente designadas idiotas constroem impérios, dos que se lembram de quem foram e ajudam quem quer ser. Fale-se dos que mudam o seu mundo e sem dar por isso mudam o mundo de tantos outros. Fale-se daqueles que também choram com a certeza de que amanhã vão sorrir. Fale-se dos que sabem dar de coração cheio e dos que recebem de coração aberto.

 

Fale-se do Homem comum que não desiste, não desanima, ultrapassa desafios e sorri nos piores momentos. Fale-se daqueles que com pouco ajudam os que tem menos. Fale-se dos que já choraram e ajudam quem hoje chora. Fale-se de solidariedade, de voluntariado, de dádiva e de gratidão. Fale-se de um mundo onde mais que termos, somos.

 

Fale-se do que quiser mas fala-se de  construir em vez de se falar em destruir. Fale-se em correcções em vez de se falar em revoluções. Fale-se de vencer em vez de se falar de medos. Fale-se de agir em vez de se falar em reagir. Fale-se, escreva-se, acredite-se e sorria-se porque só assim faz sentido.

 

Marta Leal

 

Participação na Fábrica de Histórias

Decisões - Sugestão da Semana

 

 

Acredito mesmo que a vida muda a partir de uma decisão. Acredito mesmo que tudo depende apenas de nós. Acredito na definição de objectivos e na elaboração de estratégias para os alcançar. Acredito no compromisso comigo mesma e com os outros. Acredito que quando fazemos mesmo aquilo que gostamos o tempo para e o sorriso é enorme. Acredito que o mundo se torna melhor se o nosso mundo for efectivamente melhor.

 

Em Janeiro de 2011 tomei uma decisão e avancei para algo que nunca pensei fazer. Os medos ultrapassam-se e as vitórias conquistam-se. Em Janeiro de 2012 escolho dizer-vos que foi este pequeno passo que fez uma grande diferença.

 

Eu brinquei com o fogo

 

Marta leal

Tempo

A sensação de que o tempo passa rápido não nos larga. Frequentemente,  falamos desse assunto quase sem darmos conta. Tal como falamos do tempo quando não existe mais nada para falar, mas isso são outras historias que me permito remeter para outras escritas. Dizia eu que a sensação de que o tempo passa rápido é uma constante na nossa, neste caso, minha vida. A certeza vem quando olhamos para os filhos e percebemos que cresceram.  A certeza vem quando nos embevecemos nos bebés dos outros conscientes de que serão saudades de um tempo que sabemos não voltar.

 

Gosto do tempo que tenho para mim. Gosto da flexibilidade de horários a que já me posso permitir. Gosto e sinto saudades de outros tempos. Prevalecem os “”gosto muito de ti e os “és a melhor mãe do mundo” só que a esta altura são alternados com “Ó mãe” “achas?” “já vou” e todas aquelas expressões que quem é pai ou mãe conhece tão bem. 

 

Gosto de os ver crescer, gosto de os ver evoluir, gosto daquilo que vivemos diariamente. No entanto, mentiria se dissesse que não sinto falta dos embalar ao colo, de os mimar e de os proteger.

 

Marta Leal

Inícios

No início do ano tiram-se férias. Retomam-se energias e organizam-se novos projectos. Neste momento reconheço-me em cada objectivo definido, cada resultado esperado e cada vontade contida. Certa, porém de que entre resultados e objectivos existe um caminho a percorrer, desafios a ultrapassar e muitas duvidas a abater.

 

 Perdoem-me. Já me desviei do que queria escrever. Funciono nas letras como no pensamento. Por vezes deixo que voe e quando dou por isso o que me levou a escrever é tão diferente do que escrevi na realidade ou será que não? Acredito que quando fazemos algo que gostamos mesmo o tempo para, a satisfação é enorme e o resultado é algo que foi feito com empenho, satisfação e com o coração.

 

Dou comigo a pensar que me falta o sol, falta-me o sol de inverno e o passear à beira-mar. Falta-me o cheiro da minha praia preferida. Falta-me o caminhar na areia, o sentir o vento na cara , o estar ... apenas estar.

 

Marta Leal

Confunde-se

 

Confunde-se e por vezes confundem-me aqueles que insistem em se afirmar num estar diferente. Confundem-me os que chocam, provocam, e insistem em zangar-se com o mundo porque não os aceitam. Acredito que se zangam com eles próprios em busca de uma aceitação interior.

 

Zangamo-nos muito e apaziguamo-nos pouco. Mais fácil gritar do que pedir desculpa. Mais fácil julgar do que analisar. Mais fácil esperar do que avançar. Mais fácil falar do que escutar.  Tão fácil julgar.

 

Acredito que não há melhor forma de viver do que sermos nós mesmos. Avançarmos pela vida confiantes no que somos, no que queremos apenas porque gostamos de o ser.

 

Confundem-se as vontades dos outros com as nossas. Confundem-se as nossas vontades com as vontades dos outros. No final, somos o que querem que sejamos e esquecemo-nos do que um dia quisemos ser.

 

Marta Leal

Conta a Lenda

A vontade de regressar era enorme. As ideias sobrepunham-se e o compromisso impunha-se. Saudades das letras. Saudades das personagens, e saudades de se permitir voar num céu onde sempre se sentiu bem. Faltava-lhe algo que fizesse sentido. Regressa sem perceber que renasce. Renasce com a consciência que regressa.

 

Descobre-se numa infinidade de sentires. Avança em quereres que nunca pensou ter. Cresce num ser que afinal é seu. E assume-se num estar que não poderia ser de mais ninguém.  Permitam-me que fale da ironia da vida. Permitam-me que afirme que só quando sentimos que não temos mais saída é que avançamos. Perdido por 100 perdido por 1000 assim diz o povo e assim reforço eu.

 

Olha para trás e pensa como é fácil. Por vezes pára sem perceber porque demorou tanto tempo. Lembra-se, então,   que o tempo  humano é diferente do tempo universal. Recorda-se da aprendizagem e sorri para um aceitar estar onde se sente que se escolheu estar. Porque é fácil é de facto muito fácil.

 

Volta tal e qual Fenix. Diferente num estar mas igual num ser. Conta a lenda que entre os humanos existem alguns que foram prendados com esse dom. O dom de renascer das cinzas, uma e outra vez. Conta a Lenda que sempre que cada ser humano renasce o mundo fica mais forte e a esperança cresce. Conta a lenda que sempre que se renasce, renasce-se com um brilho diferente e uma vontade maior. Conta a lenda que esse brilho alimenta almas. É a lenda que conta, não eu.

 

Marta Leal

 

Um regresso à fábrica de histórias

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