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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

cinema

 

O mundo sussurrava-lhe vontades. A vida gritava-lhe apenas verdades. O mundo dizia-lhe que havia muito mais para ver. A vida afirmava que tinha de crescer. Algures no tempo sentiu-se impedida de sonhar. Algures no tempo sentiu-se impedida de avançar. Perdeu-se nas palavras da vida quando se queria ter encontrado com o mundo. Acomodam-se as vontades e deixam-se as tontarias. É-se aquilo que todos esperam que se seja.Revia-se na paixão das letras e na magia das histórias que lia. Sonhava nos ecrãs de cinema e encarnava vidas que acreditava poder viver.

 

Sonha-se apenas na tela de cinema que foi ficando cada vez mais pequena. Perde-se a magia da ida ao cinema e reduzimo-nos á sala de estar.  Perde-se a evasão do que nos rodeia e permitimo-nos que nos limitem. Acomodamo-nos ao que temos e não percebemos que nos limitámos no que fomos.

Cresce a ser heroína em silêncio.

 

Na infância veste as dores da Cinderela e acredita que um dia vai ter um príncipe encantado, na adolescência torna-se personagem principal de uma qualquer comédia romântica, sonha com personagens épicas e revê-se em personagens principais. Perdida em histórias dos outros esquece-se de escrever a sua. Avança e representa papéis impostos ou apenas vestidos como seus.

 

Por vezes, torna-se necessário reinventarem-se vidas, por vezes torna-se necessário reinventarem-se sonhos, necessidades e vontades. Reinvente-se num final e reescreva-se outra história. Aquela que um dia sonhou, aquela que um dia julgou poder ser sua. Reinvente-se numa exposição sincera de quem é e de quem decide ser. Inspire-se no que quer ser e no que alguns lhe ensinaram poder ser possível.  Autêntica no ser e transparente no querer.
Dispa-se de personagens e assuma-se quem se é na realidade. Faça-se da vida uma sala de cinema gigante onde se desempenhe o papel que se sempre se sonhou desempenhar. Permitamo-nos amar, ser e sentir.

 

Sente-se muito pouco nos nossos dias!!! Aplaudo de pé os que sentem de coração, amam com as entranhas e são apenas o que são. Aplaudo de pé os que despidos de defesas se permitem apenas a ser autenticos.

 

Marta Leal

 

Escrito por mim para a Fábrica de Histórias