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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Partilhe-se

Existem os momentos em que se partilham  palavras transformadas em vivencias ou vivencias reduzidas a palavras. Existem momentos em que se partilham olhares que se perdem em perspectivas únicas. Existem momentos em que se partilham sabores e odores  unicos na partilha e nos sentires. Saciam-se pensamentos, saciam-se momentos.

 

Depois, existem os momentos  em que se partilham os toques e as vontades, os beijos e os sentires misturados em desejos unicos de uma partilha de vontades, numa partilha de sentires, numa partilha de corpos por saciar. Mais que se saciar corpos saciam-se desejos e partilham-se vontades.

 

Partilhe-se momentos unicos, sacie-se vontades sentidas mas sempre com muitos sorrisos, sempre com muita vontade.

 

Um sorriso com sabor a partilha

 

Marta Leal

 

Fale-se de Medos

 

Ultrapassam-se os medos e o peito enche, o sorriso aumenta e a confiança quase que explode tais são os seus niveis. Ultrapassam-se os medos e constatamos que é facil transformar o sonho em realidadel. Ultrapassam-se os medos e percebemos que, de facto, somos capazes disso e muito  mais. Ultrapassamos os medos e percebemos que transformamos mais do que uma situação, transformámo-nos a nós próprios.

 

Cresce-se na mudança e no atrevimento de a fazer. Avança-se na experiencia e na concretização. Sempre, claro está, com um sorriso nos labios e um coração bem quente.

 

Um final de dia com sabor a atrevimento

 

Marta Leal

 

Fale-se de Amor

(imagem retirada da net)
 

Hoje fale-se de amor. Fale-se de amor simples e leve. Fale-se de amor mas não aquele amor duro, pesado, obrigatório que insistimos em viver. Fale-se do amor que vai mais além do que aquele amor entre homem e mulher e que tantos insistem em complicar. Hoje, fale-se de amor mas aquele amor simples, incondicional que sentimos naturalmente.

 

Hoje fale-se daquele amor que nos faz sorrir, viver e acordar todos os dias. Hoje fale-se do amor que sentimos por nós, pelos nossos e por tudo o que nos rodeia. Hoje fale-se do que é natural sentirmos. Fale-se dos que gostamos, dos que se entranham na pele e condizem com o brilho que trazemos nos olhos.

 

Hoje fale-se do que nos faz sorrir, do que nos faz sonhar e do que nos faz sentir.

 

Um dia com sabor a amor

 

Marta leal

 

Contrarie-se

(imagem retirada da net)
 

Contrarie-se por momentos o cinzento das nuvens e coloque-se um sorriso na cara. Contrarie-se por momentos as lágrimas do tempo e choremos de tanto rir. Contrarie-se o frio e insistamos em aquecer a alma.

 

Por isso embrulhem-se em beijos sentidos e que vos façam sentido. Calcem sorrisos sinceros e caminhem na segurança que a felicidade nos dá. Depois, vistam abraços onde se partilharam emoções e vontades.

 

A seguir tenham aquilo a que eu gosto chamar de dia fantástico. De forma leve, de forma muito leve.

 

Marta Leal

Da gaveta

(imagem retirada da net)

 

Este foi escrito para a fábrica de histórias algures no tempo. Gosto, gosto mesmo.

 

 

Gosto de cor de vida e cor na vida. Gosto de saber que vivo de acordo com as regras do arco-íris em vez de viver num qualquer canto preto e branco. Agora que penso nisso começo a pensar que devíamos todos nascer com semáforos incorporados. E antes que comece tudo a achar ridículo o que estão a ler deixem-me desenvolver.


Este é o bem da escrita aqui ninguém nos interrompe podem não continuar a ler mas pelo menos ninguém nos impede de continuar o nosso raciocínio. Dizia eu ou melhor escrevia eu que devíamos nascer com semáforo incorporado não só pela beleza da cor, pela alternância de tons mas também pelo significado das mesmas.


Devíamos ter semáforos que nos impedissem de seguir em frente quando devíamos parar. Que nos deviam impelir para um futuro brilhante quando insistimos em hesitar. Que nos alertassem para caminharmos mais ou menos devagar consoante os perigos ou dificuldades.

 

Maria dos Anjos fazia parte daquelas mulheres frequentemente designadas como interessantes. Para mim era uma mulher bonita que se cuidava de uma forma muito própria, para os outros limitava-se a ser apenas uma mulher interessante.Recordo-me do rosto bem definido, pele clara e grandes olhos negros que sempre que nos serviam riam-se sem ser necessário mover um músculo sequer do rosto. Os olhos falavam num silêncio onde muitas vezes me pareceu que imperava a tristeza ou talvez o tédio. Era isso mesmo que me fazia pensar naquela mulher como sendo diferente das com que eu me tinha cruzado. Não gosto de cabelos curtos mas a ela este penteado ficava-lhe bem. Não gosto de lábios pintados de vermelho mas não a imagino sem eles assim. O corpo vestia-se sempre de uma forma cuidada alternando entre o sensual e o maternal. Sempre a vi de cores claras e sempre pensei que a cor do exterior contrastava com a tristeza interior. Mulher sem duvida trabalhadora, admirada por uns e invejada por outros. Discreta, atenta onde a agitação interior era abafada por uma serenidade aparente.

 

Engravidara cedo do primeiro namorado que tivera, para trás ficou o sonho de ser médica e rumar a outros destinos. Um dia sonhara andar por terras distantes a mudar o mundo e a salvar aqueles que dela precisassem. Todos os sonhos de voluntarismo e altruísmo foram esmagados por uns momentos de prazer vividos atrás da igreja. Seguiu-se a reposição da honra por parte do João dos Camiões rapaz de muitos princípios mas pouca visão no futuro. Depois veio o nascimento do Joãozinho, a morte do seus pais e a necessidade de continuar à frente de um negócio que não a realizava mas que pagava as contas e a deixava numa posição económica confortável.

 

Passaram 10 anos desde a última vez que aqui estive. Tirando o pormenor da cor da parede que passou de laranja para branco e as cadeiras da esplanada que deixaram de ser vermelhas para serem daquele amarelo que fere a vista a qualquer ser humano que ouse olhá-las sem qualquer protecção, está tudo na mesma. O rosto de Maria dos Anjos foi substituído pelo rosto de Joãozinho cujo diminutivo não faz qualquer sentido neste momento. Calculo que tenha uns 20 anos, os olhos são os da mãe mas os dele são mais expressivos de alegria do que os dela alguma vez foram, o nariz e a tez é a do pai. Consigo compará-los porque este está ali sentado a um canto com rosto enrugado e postura de derrota. De facto só damos valor ao que temos quando sentimos que o vamos perder.

 

Acabaram de me contar que Maria dos Anjos fugiu há uns 6 meses. Acabaram-me de me contar que Maria dos Anjos se perdeu de amores por um turista britânico que tinha estado aqui na aldeia uns tempos de férias. Acabaram de me contar que foi uma surpresa para todos apesar da honestidade da mesma. Acabaram de me contar que depois de uma conversa com o marido e outra com o filho seguiu em frente certa do caminho para onde seguia. Acabaram de me contar que esta semana chegaram noticias e que Maria dos Anjos anda por terras de África. O sentimento por ela continua o mesmo, uns admiram-na em silêncio, outros invejam-na nas palavras de censura.

 

Eu, aqui sentado brindo a ela num silêncio de admiração. Recordo-a a passear pelas mesas, recordo o sorriso com vontade de chorar, e a simpatia forçada pela necessidade. Recordo o contentamento descontente de um caminho que foi forçada a escolher. Recordo o brilho no olhar quando conversávamos sobre este ou aquele local. Recordo as perguntas e os suspiros de quem anseia por algo. Eu, aqui sentado brindo a uma mulher que não hesitou em seguir em frente mesmo que no semáforo social brilhasse o vermelho. Eu, aqui sentado brindo a um rosto cujo semáforo emocional a fez seguir em frente num verde cheio de esperança. Eu, aqui sentado só não brindo aos meus medos aos que um dia quando se aperceberam do meu fascínio por ela acenderam o sinal amarelo que me fez ficar ali cheio de cuidados e anseios.

 

Gosto da cor da vida … daquela que nos faz caminhar por caminhos coloridos com ou sem semáforos ligados com ou sem avisos mais ou menos esperados.

 

Marta Leal

Corte-se

(imagem retirada da net)

 

Isolemo-nos por momentos de tudo o que nos rodeia. Esqueça-se tudo. Esqueça-se por momentos as contas por pagar, os amores e os desamores e esqueça-se os que nos incomodam e os que nos são indiferentes. Dispam-se de tudo o que faz ruído e deixem-se ficar em silêncio. Gosto do silêncio, gosto daqueles momentos onde permito ouvir-me.

 

Feche-se os olhos e pense-se em quem somos, o que queremos, o que sentimos. Feche-se os olhos e alinhem-se caminhos, e vontades. Feche-se os olhos e encontre-se o que é realmente nosso. Abandone-se medos dos outros que se tornaram nossos. Abandone-se quereres que pensamos nossos e afinal mais não passam do que vontades dos outros. Seja apenas o que sabemos ser.

 

Corte-se o que já não nos faz sentido porque afinal até as roseiras precisam de ser podadas regularmente para que cresçam e desenvolvam.

 

 

Sorrisos com sabor a vontade

 

 

Marta Leal

Preguiças

(Imagem retirada da net)
 

Hoje troquei o café matinal na praia pela preguiça da cama. Quebrem-se regras e assumam-se vontades. Gosto dos dias em que me permito dormir até acordar naturalmente. Gosto dos dias em que a preguiça me faz sentido. Gosto do momento que antecede o acordar efectivo e precede o dormir profundo. Gosto dos momentos em que permito, ser , estar e sonhar em pensamentos que vão e voltam.

 

Saudades destes dias calmos onde permito ao tempo que seja apenas tempo e não meu adversário. Saudades destes dias onde indolentemente se definem e cumprem tarefas com calma,com muita calma ! 

 

Hoje contrasto o choro do dia com o sorriso da minha vontade.

 

Marta Leal

 

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