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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Cana de Pesca ou Peixe

 

Somos da geração do querermos o melhor para os nossos filhos, do querermos que sejam felizes, que tenham tudo, que sejam alguém. Muitos de nós, pais, realizam sonhos através deles os filhos. Querem que sejam aquilo que eles, pais, nunca foram.

 

Outros querem que sigam uma profissão de futuro uma profissão que lhes dê estatuto, casa, carreira e dinheiro. Escolhe-se pelos filhos, impõe-se decisões e esquecemo-nos que estamos a usar aquilo que um dia lhes demos como sendo só deles - a vida. Formam-se engenheiros, advogados, gestores e tantos outros mas esquecemo-nos de formar pessoas. Dão-se competências académicas mas esquecemo-nos das competências sociais. Escolhemos, decidimos e transformamo-los em adultos indecisos ou em pequenos ditadores.

 

Na ânsia de irmos para o quadro de mérito dos melhores pais do mundo onde sejamos admirados por todos caímos na tentação de escolher, decidir, fazer por eles. Apagamos sonhos, vontades e mesmo até vocações em nome daquilo que sabemos ser o melhor.

 

Adivinho aqueles que me estão a questionar neste momento: então não fazemos nada? Claro que sim. Apoiamos, cuidamos e aconselhamos. Mostramos os caminhos possíveis sempre com a noção de que responsabilidade de quem escolhe é dos filhos e não dos pais. Para mim, os melhores pais do mundo são aqueles que educam pelo exemplo na aceitação da sua força e da sua fragilidade, das suas lágrimas e dos seus sorrisos, dos seus erros e das suas vitórias. Melhores pais do mundo são aqueles que ensinam, que sabem dizer não, que responsabilizam e que se responsabilizam.

 

 

Por aqui prefiro ensinar a pescar do que dar o peixe. Prefiro permitir sonhar do que viver por eles. Prefiro que escolham conscientes de que a escolha e o caminho é deles, apenas deles. Tudo isto sempre com muito equilibro entre o saber ser e o saber estar e, o saber dar e o saber receber mas sobretudo o saber respeitar quem somos  e aquilo que os outros são na semelhança e na diferença.

 

Eu continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma.