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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Amor e Loucura

 

"Contam que uma vez se reuniram todos os sentimentos e  qualidades dos homens . Depois do ABORRECIMENTO ter reclamado pela terceira vez, a LOUCURA, como sempre tão louca, propôs-lhe:

- Vamos brincar ás escondidas?

A INTRIGA levantou a sobrancelha intrigada e a CURIOSIDADE   sem poder conter-se perguntou:

- Escondidas? Como é isso?

- É um jogo, explicou a LOUCURA, em que eu fecho os olhos   e começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se escondem, e quando eu   tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo. O ENTUSIASMO dançou   seguido pela EUFORIA.

A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou por convencer a   DÚVIDA e até mesmo a APATIA, que nunca se interessavam por nada. Mas nem todos   quiseram participar.

A VERDADE preferiu não se esconder

- Para quê, se no final todos me encontram?

A SOBERBA opinou que era um jogo muito tonto (no fundo o  que a incomodava era que a idéia não tivesse sido dela).

A COVARDIA preferiu não arriscar-se.

- Um, dois, três, quatro...- começou a contar a LOUCURA.

A primeira a esconder-se foi a PRESSA, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho.

A FÉ subiu ao céu e a INVEJA escondeu-se atrás da sombra do TRIUNFO, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore   mais alta.

A GENEROSIDADE quase não consegue esconder-se, pois cada   local que encontrava, lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos. Se era   um lago cristalino, ideal para a BELEZA. Se era a copa de uma árvore, perfeito   para a TIMIDEZ. Se era o voo de uma borboleta, o melhor para a VOLÚPIA. Se era   uma rajada de vento, magnífico para a LIBERDADE. E assim acabou por se escondender num raio de sol.

O EGOÍSMO, ao contrário, encontrou um local muito bom   desde o início. Ventilado, cômodo, mas apenas para ele. A MENTIRA escondeu-se no   fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se atrás do arco-íris). E a   PAIXÃO e o DESEJO, no centro dos vulcões.O ESQUECIMENTO, não me recordo onde  se escondeu, mas isso não é o mais importante.

Quando a LOUCURA estava lá pelo 999.999, o AMOR ainda não tinha encontrado um local para se esconder, pois todos já estavam ocupados, até   que encontrou uma roseira e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre as suas  flores. A primeira a aparecer foi a PRESSA, apenas a três passos de uma pedra.

Depois, escutou-se a FÉ discutindo com Deus, no céu, sobre   zoologia. Sentiu-se vibrar a PAIXÃO e o DESEJO nos vulcões. Em um descuido, a   LOUCURA encontrou a INVEJA e claro, pôde deduzir onde estava o TRIUNFO. O   EGOÍSMO, não teve nem que procurá-lo: ele saiu sozinho  disparado de seu   esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.

De tanto caminhar, a LOUCURA sentiu sede e ao aproximar-se  de um lago, descobriu a BELEZA. A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois encontrou-a   sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado esconder-se. E assim foi   encontrando a todos. O TALENTO entre a erva fresca, a ANGÚSTIA numa cova   escura, a MENTIRA atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até   o ESQUECIMENTO, que já se tinha esquecido que estava a brincar ás escondidas.   Apenas o AMOR não aparecia em nenhum local.

A LOUCURA procurou atrás de cada árvore, debaixo de cada   rocha do planeta e em cima das montanhas. Quando estava a ponto de dar-se por   vencida, encontrou um roseiral. Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos,   quando, no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito. Os espinhos tinham   ferido o AMOR nos olhos. A LOUCURA não sabia o que fazer para se desculpar.   Chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia.

Desde então, desde que pela primeira vez se brincou ás escondidas na terra, o AMOR é cego e a LOUCURA é sempre a sua companhia."

 

(autor desconhecido)

 

Ama o que fazes e quem  está ao teu lado. Sê louco no ser e no estar mas nunca te esqueças de quem és e para onde queres ir.

Eu? continuo assim muito mãe, muito mulher mas, sobretudo, muito eu mesma.