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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

A filha pintou o cabelo de verde

A filha mais nova pintou as pontas do cabelo de verde. E em consequência disso a mãe espantou-se. Não com a cor de cabelo da filha porque para que fique bem claro a filha pintou os cabelos com a aprovação da mãe. Porque a mãe, eu, pensa que todas as pequenas rebeldias se devem manifestar na idade e no momento certo. Mas dizia eu que me espantei. Espantei-me não com o acto de rebeldia mas com a reacção dos outros a esse acto de rebeldia. A filha mais nova  pintou o cabelo de verde e viu-se apelidada de tudo e mais alguma coisa pelos colegas e por alguns auxiliares na escola. A mãe foi apelidada de coisas piores, que nem me atreveria a repetir por aqui. Até porque estamos num blog que defende a moral e os bons costumes. Mas avance-se na escrita visto que, na tolerância, ainda temos um longo caminho a percorrer.

 

Espanta-me a intolerância à diferença. Espanta-me o atrevimento dos que se julgam no direito de apontar, nos que se julgam no direito de julgar nos que se julgam no direito de “arrotar” postas de pescada sobre a vida dos outros e sobre os últimos gritos da moda. Espanta-me o apontar às marcas vestidas, aos ténis que se calçam ou ao telemóvel que se usa. Espanta-me, e preocupa-me, a forma como estamos a educar.

 

Surpreendemo-nos diariamente com actos de violência nas escolas. Onde aqueles que se deviam unir se acusam, se perseguem, se julgam, se maltratam e se apontam. Meus caros, os filhos são o espelho do que têm em casa, do que vêem, do que assistem, dos valores e dos princípios que lhes são transmitidos e, principalmente, dos julgamentos que passamos a vida a fazer. De uma forma geral, somos todos o espelho daquilo que nos é transmitido, portanto, meus caros, cultive-se amizade, cooperação e compreensão e acabe-se, de vez, com julgamentos e competição. Garantidamente, pouparíamos bastante na prevenção de programas de bulling, violência e faltas disciplinares.

 

Mas voltemos à mãe e à filha porque por aqui gostamos de finais felizes. A filha, passado o choque, percebe que para todas as escolhas existe uma consequência. A mãe não se importa que a filha pinte o cabelo de verde mas, garantidamente, importa-se com os valores e os princípios que lhe está a passar. A mãe perdoa uma irreverência mas decididamente não perdoa uma falta de educação. A mãe perdoa uma rebeldia mas de forma alguma perdoará a intolerância à diferença e o tratar mal de forma gratuita.

 

Por aqui somos mãe, mulher mas sobretudo eu mesma num ser e num estar muito próprios.