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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Os amores que simplesmente não têm de ser vividos

 

Voltei à praia eu sabia que ia sentir essa necessidade Lembraste da nossa praia? Voltei ontem não para ficar mas para recordar. Mal cheguei o vento veio ter comigo, perguntou-me como estava e o que tinha feito nos últimos tempos. O mar aproximou-se e deu-me as boas vindas, os raios solares acenaram-me e o sol sorriu-me da forma que só ele sabe fazer.

 

Caminhei descalça pela areia molhada e por fim encostei-me à nossa rocha. Fechei os olhos e revivi  tudo o que um dia tivemos.  Vi o teu olhar, senti o teu toque e ouvi a tua voz. Sorri pelo que vivemos e suspirei pelo que poderíamos ter tido. Abri os olhos e deixei-me ficar ali em silêncio como tantas vezes fizemos juntos lembras-te? Desta vez não chorei por teres partido, desta vez não te condenei nem tão pouco te julguei. Desta vez simplesmente recordei aquilo que vivemos, fechei os olhos e abracei-te da forma como sempre me senti abraçada.

 

O vento contou-me que tinhas lá voltado que nunca te viu mas que estiveste lá quase todos os dias. Não duvidei um segundo do que ele me disse tal como nunca duvidei do que sentias por mim. Hoje já não meço o amor nem comparo o que ambos sentimos. Hoje sei que cada um de nós viveu e sentiu com a intensidade que conseguiu. Hoje sei que o poder das recordações é mais forte do que o poder da razão. Revivemos, voltamos a sentir e o nosso corpo vibra da forma como vibrou.

 

Levanto-me e decido voltar aquele que agora é o meu caminho. Olho e sinto-te também ali não sei se acabaste de chegar ou se já lá estavas quando cheguei. A única coisa que sei é que te sinto mesmo que não te veja. Viro-me mais uma vez e aceno-te sussurro-te o que aquilo para mim hoje é uma certeza existem  amores que simplesmente não tem de ser vividos.

 

 

E tu como estás de amores vividos e amores perdidos?