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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Ditadura da paixão

Vivemos  numa especie de ditadura da paixão. Não acreditam? Esperem. Antes de desistirem de continuar a ler permitam-me que continue. Dizia eu que vivemos na ditadura da paixão apenas e somente porque nos sentimos na obrigação de estarmos permanentemente apaixonados. Sempre com as emoções ao rubro sempre com as sensações do primeiro momento. Fala-se de paixão e lembro-me das saudades do tempo em que também eu acreditava na sua permanência, na longevidade da sua emoção e na perpetuidade da acção de gestos imaturos tão próprios da sua existência.

 

Saudades de momentos tão únicos que nos fazem querer viajar no tempo para voltarmos a ter o que tivemos. Para voltarmos a ser quem fomos. Saudades de um tempo onde o coração palpita, as mãos humedecem e a ansiedade cresce. Ama-se muito intensamente quando estamos apaixonados. Por vezes invejo a imaturidade dos que saltam de paixão em paixão, dos que acreditam na sua eternidade e que na sua inocência procuram que o pico nunca se perca. Perde-se. Perde-se fruto de uma evolução natural da paixão para o amor. Perde-se na vivencia do dia-a-dia. Perde-se no amadurecimento daquilo que obrigatoriamente tem de crescer. Porque o que não cresce na maioria das vezes morre.

 

Salta-se da paixão para o amor e do acreditar para o desconfiar. Mudam-se os olhos com que vimos o outro, alteram-se disposições e emoções. Criticam-se hábitos e questiona-se. Questiona-se a permanência apenas porque sentimos a ausência do que nos fez lá chegar. Uns ficam e outros partem em busca daquilo que um dia tiveram. Busca-se a permanência da paixão em detrimento da solidez do amor. 

 

E tu? Como é que vives as tuas paixões?