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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

A Minha Inspiração

 

"A minha inspiração são os homens e as mulheres que surgiram em todo o globo e escolheram o mundo como o teatro das suas operações, e que lutam contra as condições socioeconómicas que não promovem o avanço da Humanidade, onde quer que este ocorra. Homens e mulheres que lutam contra a supressão da voz humana, que combatem a doença, a iliteracia, a ignorância, a pobreza e a fome. Alguns são conhecidos, outros não. Essas são as pessoas que me inspiraram."

 

 Nelson Mandela, in 'Conferência na London School of Economics, Londes, 6 Abril 2000'

Novas Perspectivas

 

 

"Marta, um reconhecimento fica sempre bem…. E sinto ser esta também uma forma de ajudar outros profissionais, pelo que aqui deixo algumas letrinhas sobre a minha experiência relativamente ao seu extraordinário desempenho. Tive a oportunidade de conhecer a Marta Leal através de uma acção de Coaching, via Skype, uma vez que vivemos em cidades diferentes. Se eu pudesse resumir todos os benefícios das nossas sessões numa só palavra, essa palavra seria Excelência. Ao longo de várias semanas, através do seu profundo conhecimento em comportamento humano e motivação, a Marta conseguiu manter-me altamente motivada e organizada, ajudando-me a criar novas perspectivas, encorajando-me, desenvolvendo a minha auto confiança e principalmente ajudando-me a reconhecer os pontos fracos e fortes, concentrando-me nos fortes e melhorando os fracos. É uma experiência que recomendo vivamente a todas as pessoas, quer estejam empregadas ou não. Confesso que já tenho saudade das nossas extraordinárias horas de agradável conversa e contínua descoberta. Deixo à Marta um grande e especial agradecimento pelos resultados obtidos, que me deram muita mais coragem e motivação, acreditando que estou no caminho certo. Não deixem de experimentar a sua acção nas vossas vidas." Leonor Marante

 

Por vezes sentimo-nos perdidos, sem rumo e sem saber muito bem para onde ir. Outras vezes estamos bem e queremos mais. Outras ainda precisamos de inspiração e motivação.

 

O coaching ajuda-nos a perceber quem somos e que papel é que queremos desempenhar na nossa vida. Enfrenta os teus medos, livra-te de dependências e eleva a tua auto-estima.

 

Revê a tua vida, encontra-te com quem és, e vive uma vida com significado onde impere a felicidade.

 

E tu costumas deixar a vida fluir?

Não estou em mim de tão contente. Sinto-me leve, feliz. Tão feliz que me apetece beijar e abraçar toda a gente. Nada fazia prever este desfecho quando acordei hoje de manhã. Vagueei pela casa sem qualquer tipo de planos. Decidi-me por um pequeno-almoço no meu jardim preferido. Saí e fiz o caminho que sempre faço.

 

 Distraio-me a olhar para o lado e quando dou por isso bato no carro da frente. Saio do carro cheia de culpas. Ele sai também com um ar calmíssimo. Peço desculpa e viro-me para ir buscar os documentos. Sorri-me, diz que não tem problema. Pergunta-me se me recordo dele. Faço um esforço e não me recordo.  Peço desculpa digo que não me lembro mesmo nada. Insisto que deve estar a fazer confusão com outra pessoa qualquer.

 

Diz-me que não. Recorda-me o último dia de mãe, uma loja, uma criança e a necessidade de comprar um presente. Recordo-me agora recordo-me mas não dele. Recordo-me da situação mas não da cara. Os carros apitam atrás de nós fazendo-nos voltar à realidade. Propõe-me estacionarmos onde não incomodamos e convence-me a tomar um café para tratarmos de tudo.

 

Ainda estou impressionada com o facto de se recordar de tantos pormenores do dia em que nos cruzámos. Eu sou sincera continuo a afirmar que me lembro da cara do filho mas não da dele. Ele sorri diz que me vai levar a mal que já não bastava estragar-lhe o carro como afirmar que não me recordo da sua cara.  A conversa corre sem parar.  Perdemo-nos no tempo e no espaço. Sinto-me sozinha ali com ele como se de repente tudo o resto desaparecesse e deixasse de ter importância.

 

Despedimo-nos depois de horas de conversa que nem um nem outro queriam que terminasse. Liga-me mal entro no carro. Faço o caminho para casa sempre a conversar com ele e aqui estou eu a sonhar com alguém que um dia se cruzou comigo e que não me esqueceu. Aqui estou eu a sorrir por aquele rosto que vi mas não retive da primeira vez que encontrei.  

 

Acabou de me enviar uma mensagem que diz  “como se faz para não sentir saudades?”. Eu derreto-me. Estranho, derreto-me por alguém que acabei de conhecer.

 

Não posso acreditar no que aconteceu. Saio de casa para comprar o jornal. Ando uns 100 metros e eis que me batem por trás. Mal a vi sair do carro reconheci-a logo. Nunca a esqueci não pela beleza ou pela forma como vestia. Mas nunca a esqueci pela disponibilidade, a paciência e o carinho com que tratou o Afonso. Ele desesperava comigo porque queria comprar um presente especial á mãe. Eu já lhe tinha proposto mil e umas ideias. Ela estava perto de nós quando eu o tentava convencer a comprar uma planta. Passou a mão pela cabeça do Afonso e perguntou se podia ajudar. Ele deu-lhe a mão e arrastou-a por várias lojas do Centro Comercial.

 

No final agradeci-lhe ela respondeu-me que não tinha importância. Que o que interessava era o Afonso ter saído dali com o presente ideal. Pareceu-me triste mas amável.  O Afonso adorou-a. Lembro-me de me ter dito qualquer coisa como “uma namorada destas é que tu precisas”. Ri-me mas o que é certo é que nunca mais a esqueci.

 

Hoje conversámos durante horas. De início tive medo que voltasse a desaparecer mas depois percebi que estava tão confortável como eu. Enquanto os meus pensamentos correm a minha vontade de estar com ela aumenta. Não resisti a mandar-lhe uma mensagem correndo o risco de me tornar demasiado persistente.

 

Temo que não responda. Esperem, o telefone apitou é ela a resposta chegou “O melhor modo de não sentir saudades é nunca nos separarmos daquilo que gostamos”.

 

E quando foi a ultima vez que te permitiste deixar a vida fluir?

 

 

Politicamente pouco correcta

Hoje assumo uma postura longe do politicamente correcto e assumo a irreverência que me caracteriza. Há uns dias ao ouvir um comentário sobre um colega de profissão senti-me incomodada. Hoje revelo-vos o que me incomoda. Sinto-me incomodada e permitam-me que vos confidencie. Incomoda-me a postura daqueles que se vestem de todos os saberes e de todas as verdades absolutas. Incomoda-me aqueles que se assumem pouco humanos porque não falham, nunca falham. Incomoda-me os que apontam, mas incomoda-me mais os que denigrem a imagem de outros de forma deliberada. Incomodam-me os que apontam os erros e não aplaudem as vitórias. Incomodam-me os que se escondem por detrás de saberes decorados, transmitidos por palavras desprovidas de sentimentos. Incomoda-me a incongruência entre o que se diz e o que se faz. Confundem-se as posturas entre o que se diz, o que se é e a forma como nos comportamos.

 

Não gosto quando ouço colegas de profissão denegrir outros colegas apenas porque sim. Não gosto quando se apontam defeitos que nada mais são do que diferenças num ser e num estar que nos caracteriza como pessoas. Não gosto quando se ataca apenas por se atacar. É feio, é muito feio principalmente quando adquirimos o saber para não o fazer. É certo que todos temos opinião, que todos julgamos, que todos questionamos e que muitas vezes discordamos. O meu lado humano não me permite que me exclua dos que o fazem. Mas será que isso nos dá o direito de denegrir o outro apenas pela diferença. Mesquinho, demasiado mesquinho quando a vitória de uns significa a derrota de outros. Meus caros, somos cerca de 7 mil milhões de habitantes no planeta terra. Não será muita pretensão quererem ajuda-los sozinhos? Compete-se demais para o exterior quando devíamos competir apenas para o interior. Compete-se quando se devia cooperar.

 

Medem-se vitórias e concentram-se forças no que os outros fazem quando se deviam concentrar forças naquilo que fazemos. Acredito que cada um de nós pode fazer a diferença. Acredito que cada um de nós pode dar o melhor de si mas também acredito que isso só é possível se o fizermos de uma forma autêntica e única. Acredito que um dia, talvez um dia, se pare para pensar em vez de se parar apenas e somente para apontar.

A Chávena

"Um professor de filosofia foi ter com um mestre zen, Nan-in, e fez-lhe perguntas sobre Deus, o nirvana, meditação e muitas outras coisas. O mestre ouviu-o em silêncio e depois disse.

 

- Pareces cansado. Escalaste esta alta montanha, vieste de um lugar longínquo. Deixa-me servir-te uma chávena de chá.

 

O Mestre fez o chá. Fervilhando de perguntas, o professor esperou. Quando o Mestre serviu o chá encheu a chávena do seu visitante e continuou a enchê-la. A chávena transbordou e o chá começou a cair do pires até que o seu visitante gritou:

 

- Pára. Não vês que o pires está cheio?

 

- É exactamente assim que te encontras. A tua mente está tão cheia de perguntas que mesmo que eu responda não tens espaço para a resposta. Sai, esvazia a chávena e depois volta."

 

(autor desconhecido)

Vives ou Sobrevives?

Depois das leituras das histórias, do aconchegar os cobertores e dos desejos de boas noites resolvi sentar-me no sofá. O silêncio impunha-se de uma forma assustadora. Era um daqueles dias em que me conseguia ouvir pensar no silêncio da noite.

 

Ouvi um gemido ao longe que se transformou num grito. Não era um grito de dor, não era de desespero nem tão pouco de alegria. Era o meu interior que pedia ajuda. Era o meu eu que gritava por atenção, por reflexão,  por tempo para mim.

 

Assustei-me. Não percebi o que se passava. Tentei ignorar. Não queria ouvir não queria reflectir porque isso implicaria que teria de agir. Todas as minhas tentativas foram em vão. O grito era cada vez mais forte mais audível e mais perceptível. Resolvi prestar-lhe atenção. Resolvi tentar perceber se o meu EU gritava comigo ou gritava por mim.

 

 Afinal o meu EU não só gritava comigo como gritava por mim. Gritava para que eu tivesse atenção ao que estava a fazer. Gritava para que desse atenção a mim mesma. Gritava para que eu pensasse mais em mim. Gritava para que eu fosse mais egoísta. Mas essencialmente gritava para que eu lhe (me) desse mais atenção.

- Mas porquê? Porquê só agora – perguntava eu

- Porque não me tens ouvido

- Não quero ouvir-te, deixa-me em paz

- Não queres, mas vais ouvir

- Não quero, não me faças isso – soluçava eu

- Tens de me ouvir com atenção. Tens de perceber o que estás a fazer a ti mesma. Mas sobretudo tens de me calar.

- Calar-te? Mas isso é possível?

- Calas-me quando te sentires bem contigo mesma. Calas-me quando lutares pela realização dos teus sonhos. Calas-me quando fores feliz ou pelo menos quando lutares pela tua felicidade. Calas-me quando tiveres objectivos. Calas-me quando começares a viver.

- Mas eu vivo.

- Tu não vives tu pensas que vives. Pensas que isso é viver. Olha para ti. Os outros são importantes mas TU és o mais importante. Nunca te esqueças TU é que és importante. Tu, só tu....

 

Acordei. Tinha mais uma vez adormecido no sofá. No entanto, aquele grito continuava a ecoar na minha cabeça. Tinha de fazer alguma coisa. Tinha de lutar por mim e para mim.


 

E tu? Vives ou Sobrevives?

 

 

Fale-se de Memórias

Sou dura de ouvido. Não reconheço uma nota pese embora o facto de ter andado em aulas de piano na infância. Não porque gostasse. Apenas e tão-somente porque era óptimo para a minha educação. Desenganem-se os mais persistentes. Se não gostamos não fazemos. Agora que penso nisso, consigo recordar as escalas de notas, os solfejos e a voz da senhora Dona Amélia nas suas tentativas desesperadas em fazer de mim uma pianista de alto gabarito (só no gabarito porque aqui de alto temos muito pouco).

 

Fala-se da D. Amélia e lembro-me da D. Branca. Melhor apressar-me a explicar antes que pensem que a pouca sanidade que me resta se tenha desvanecido. A D. Branca não era a das fraudes mas sim aquela senhora sem idade que se esforçou durante tardes a fio a ensinar-me a bordar, a costurar e a fazer crochet. Se na casa da outra descobri que era dura de ouvido na casa desta apreciava o silêncio. Sim. Porque ali qualquer risinho ou sussurro era cortado pelo olhar penetrante num rosto que, naquele tempo, eu pensava ter mais de 100 anos. Ás duas por três falhou-se nas tentativas de me tornar prendada.

 

Evado-me de qualquer crença e avanço com os meus valores. Prefiro subir às arvores, brincar ao bate pé e andar de bicicleta. Também agora me revolto e afirmo que gosto de rap e música tribal.

 

Transformam-se as notas musicais em letras e os pontos de bordado em palavras. Fuja-se do que nos foi imposto e encostemo-nos ao que nos faz bem. Gosta-se de palavras bonitas sussurradas ao ouvido. Sorrimos ao som de frases escritas no nosso tom. Saltemos pela escala e não importa que se desafine. Organiza-se o concerto de vida e no final verificamos que a melodia é perfeita numa canção vivida a dois.

 

É num ser e num estar muito proprios que acredito estar a nossa verdadeira magia.

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