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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Cá por casa

 

 

Lá por fora entristecem-me as noticias de raptos de umas meninas, de venda de outras e de casamento de mais algumas. Espanta-me! Espanta-me que nos achemos preparados para conquistar outros planetas quando ainda não nos conquistámos a nós mesmos. Pare-se e pense-se o que estamos a fazer ao planeta, a nós e aos outros. Não posso deixar de estar surpreendida pela vitória da Conchita Wurst levanto-me e aplaudo. Aplaudo a Conchita e aqueles que votaram nela. O que querem? Sou por aqueles que são simplesmente e que não têm medo de o ser.

 

Cá por dentro sinto-me a viver num filme de comédia que se mistura com um faz de conta. Agora faz de conta que vivemos todos muito bem, que não há fome e que o país está a recuperar. Cá por dentro consta que os deputados vão discutir a possibilidade de dar mais apoio ás familias para manuais escolares, o que seria dispensável se baixassem os impostos.  E apesar do meu coração continuar verde não posso deixar de felicitar o Benfica que soma e segue.

 

Cá por casa sempre que muda a estação, apetece-me mudar a decoração. Mas como estamos em tempos de contenção não se muda a decoração mas mudam-se os locais dos moveis, a forma como as coisas se arrumam e as gavetas onde estão os diversos objectos. Ora digam lá se a criatividade não faz maravilhas? Cá por casa soma-se e segue-se no que diz respeito a objectivos, planos e sonhos. Continuo a não gostar de ter de pedir o que é meu e continuo a sentir-me desconfortável com o preconceito.

 

Cá por casa agradeço todos os dias aquilo que construi, aquilo que os meus filhos são e aquilo que colho diariamente. Porque cá por casa continuamos assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma.