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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Hoje deixámos de partilhar ideiais

Arrasto-me por uma história que não é minha. Iludo-me com palavras que são reais para uma vida irreal. Tivemos tanto e agora temos tão pouco. Não me basta, ando descontente porque não me basta. Não gosto no que me tornei desiludi-me a mim mesma. E, não gosto deste sentimento.

 

Tivemos tanto. Partilhamos medos, planos, alegrias e tristezas. Estiveste lá sempre para mim do mesmo modo que estive para ti. Vivemos um amor real, amámos como nunca tínhamos amado. Hoje não sei o que partilhamos. Por vezes sinto-te um estranho que só deixa de o ser quando os nossos corpos se tocam. Esses entendem-se porque estão despidos de medos, de tristezas e de angústias. Buscam-se um no outro com uma sofreguidão cada vez maior. Amamo-nos sempre como se fosse a ultima vez que o fazemos. Depois vêem as duvidas, os medos as incertezas e o vazio instala-se.

 

Hoje deixamos de partilhar ideias. Falamos cada vez mais de coisas banais. Por vezes o silêncio instala-se e outras as palavras são medidas para que não se diga nada que não se possa dizer. Hoje sinto que forçamos algo que não existe. Queremos reviver o que tivemos mas isso é impossível. Hoje queremos sentirmo-nos um do outro mas já não és meu e eu já não sou tua.

 

Sinto-me agarrada a ti como se de uma tábua de salvação se tratasse. Tenho medo de me fazer ao mar sozinha e acho que tu sentes o mesmo. Depois relembro as vezes que saíste e entraste na minha vida e revolto-me. Não, não me revolto contigo revolto-me comigo por o ter permitido. Chamei-te covarde e hoje sou eu que me sinto assim. 

 

Relembro tudo o que tivemos. Uns dias concentro-me nas coisas boas e outras nas coisas boas. Tenho dias em que não penso em ti outros não penso em mais nada. Sinto que vivo no passado enquanto o presente passa imune a tudo isto. Pensando bem tenho a certeza que estamos ambos agarrados ao que fomos sem nos apercebermos no que nos tornámos.

 

Queria que tivesse sido diferente e tenho a certeza que tu também. Queria que continuássemos um nós mas tu deixaste-me um eu vazio e magoado.

 

 

E tu quantas vezes já te sentiste assim?