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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Sobre os dias

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Atravessando o deserto, um viajante viu um árabe montado ao pé de uma palmeira. A pouca distância repousavam os seus cavalos, pesadamente carregados com valiosos objetos.

Aproximou-se dele e disse:

-- Pareceis muito preocupado. Posso ajudar-vos em alguma coisa?

-- Ah! - respondeu o árabe com tristeza - estou muito aflito, porque acabo de perder a mais preciosa de todas as joias.

-- Que joia era essa? - perguntou o viajante.

-- Era uma joia como jamais haverá outra - respondeu o seu interlocutor. Estava talhada num pedaço de pedra da vida e tinha sido feita na oficina do tempo. Adornavam-na vinte e quatro brilhantes, em volta dos quais se agrupavam sessenta menores. Já vereis que tenho razão em dizer que joia igual jamais poderá reproduzir-se.

-- Por minha fé - disse o viajante - a vossa joia devia ser preciosa. Mas não será possível que, com muito dinheiro, se possa fazer outra igual? Voltando a ficar pensativo, o árabe respondeu:

-- A joia perdida era um dia, e um dia que se perde jamais se torna a encontrá-lo.

Autor desconhecido
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Quero todas, quero sempre todas

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Tenho sempre muito cuidado com o chão que piso. Para mim faz todo o sentido observar o caminho que quero percorrer não só pelo planeamento necessário mas principalmente pelos obstáculos que poderei vir a encontrar.

 

Não será exagerado se disser que levo muito a sério o lema de ter cuidado o chão que piso. Isto não implica que não caminhe firmemente implica sim que gosto de saber por onde ando, como ando e principalmente aquilo que calço.

 

Gosto de sapatos mas gosto sobretudo de botas. Posso até afirmar que a minha capacidade de escolha tolda-se quando o tema são botas. Quero todas, quero sempre todas!

Marta Leal

 

Magazine La Redoute

 

 

Podemos ser tudo aquilo que quisermos

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"A melhor palavra que tenho para descrever a Marta é Fada dos sonhos. Quando recorri à Marta, das primeiras coisas que fiquei a saber é que podemos ser tudo aquilo que quisermos, tudo aquilo que sonhamos, desde que estejamos dispostos a trabalhar para isso, desde que, o que vamos fazer nos dê prazer, seja feito com amor, seja feito com paixão. Recorri porque parei no tempo há uns anos atrás. A vida deixou-me na mão, sem objectivos, sem metas a cumprir, presa num trabalho que não me dá muita satisfação, presa numa vida cujo único objectivo era ter alguém ao meu lado que a certa altura não me quis."  Cláudia Moreira

Sobre a Parentalidade Positiva

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É muito importante que todas as crianças tenham pais/mães que lhes proporcionem as necessidades básicas de sobrevivência e saúde. É da mesma forma importante que lhes seja proporcionado um mundo organizado onde impere, um mundo de afectos, a confiança e a segurança.

 

O exercício das funções de parentalidade depende de um conjunto de factores onde se podem inserir a historia de vida, personalidade e recursos dos progenitores; as características da criança, a relação entre os pais, o contexto e o suporte social existente, os recursos sócio-cognitivos (atitudes, expectativas e crenças) bem como estilos e práticas parentais.

 

Pais e mães positivos cuidam, capacitam, guiam e reconhecem as crianças como indivíduos no pleno gozo  dos seus direitos. As crianças fazem melhor quando os seus pais/mães:

 

  • São carinhosos e protectores;

  • Passam tempo de qualidade com eles;

  • Tentam compreender as suas experiências de vida e de comportamento;

  • Explicam as regras que eles devem respeitar;

  • Elogiam o bom comportamento;

  • Reagem a um mau comportamento com  um castigo não-violento em alternativa a uma punição severa.

Em Novembro inicia-se um ciclo de workshops sobre parentalidade positiva, o primeiro vai ser em Leiria.

  

Para marcações e alguma dúvida que queiras esclarecer contacta-me através do site ou do e-mail: martaleal@outlook.pt

 

Somos as escolhas e os caminhos que decidimos fazer!

Era domingo, um daqueles típicos de Inverno. Um dia triste que acabava com noite cerrada coberta de um nevoeiro intenso. Regresso a casa cansada e percorro a rua deserta. Caminho com passo apressado, o frio corta-me a respiração e eu só quero chegar a casa. Vejo um vulto a caminhar na minha direcção. A princípio não me assusto. Agora que penso nisso, é engraçado que passos atrás de nós podem gerar o pânico e passos à nossa frente não nos perturbam. Vejo-o cada vez mais perto, reparo que se enrola num cobertor e se tenta proteger do frio como pode. Um sem-abrigo penso para mim mesma. Passamos lado a lado sem que os olhares se cruzem, eu por receio, ele, talvez, por vergonha.
 
O Joãozinho saltita à minha frente. Adora correr entre as poças de água. E, quando me apanha distraída salta de propósito para o meio delas. Faço que não vejo, afinal de contas lembro-me do prazer que me dava fazer o mesmo quando tinha a idade dele. Afasta-se mais do que é costume, o meu coração acelera quando o vejo perto da estrada. Ouço um carro a descer a rua, largo os sacos e corro em direcção a ele. O coração bate acelerado, o corpo responde mas a voz não sai. Ele saltita no meio da estrada alheio ao perigo e ao que o rodeia. O carro aproxima-se, ouço o chiar de travões e vejo-o saltar e tirar o Joãozinho da estrada por uma fracção de segundos. Corro até eles. Abraço-me ao meu filho, não consigo suster as lágrimas. Olho para lhe agradecer mas ele já não está lá. Procuro-o no grupo de pessoas que se juntou à minha volta, vejo-o na esquina a espreitar assustado. Sorrio-lhe e digo obrigada muito baixinho. Ele sorri, acena e afasta-se.
 
Procuro-o durante semanas. Contacto com instituições, faço perguntas mas ninguém tem conhecimento de nenhum sem abrigo que pare por aquelas paragens. Preciso de lhe agradecer, preciso de o encontrar, preciso de retribuir o que fez por mim. O tempo passa mas não me faz esquecer. Nunca se esquece o que fazem pelos nossos filhos. E eu não esqueço que um dia aquele homem salvou a vida do Joãozinho.
 
Chega o verão e com ele a vontade de vaguear pelas esplanadas quando a noite acontece. O tempo convida a aproveitar ao máximo o dia quase como se não quiséssemos que ele acabasse. Estou concentrada na conversa que mantenho com os amigos, nas gargalhadas e na boa disposição. As crianças brincam por ali perto e, enquanto os observo, vejo-o caminhar para perto de nós. Levanto-me feliz por o ter reencontrado. Sinto uma dívida de vida para com ele.
 
Aproximo-me, pergunto-lhe se se lembra de mim. Começo a explicar-lhe quem sou e ele responde que não é preciso. Conta-me que me conhece desde sempre. Diz que, embora não andássemos nas mesmas turmas, frequentámos as mesmas escolas. Fala-me de amigos de infância em comum. Fala-me de festas e espectáculos onde estivemos juntos. Faço um esforço mas não me recordo. Procuro-lhe no rosto sujo e cansado alguma referencia que me faça recordar. Culpabilizo-me e ele percebe. Diz que não tem importância, que seguimos caminhos diferentes. Eu fui pelo certo e ele pelo errado. Pergunta-me se me lembro desta ou daquela situação. Diz-me quem são os pais. Fico boquiaberta, agora sim, agora sei quem ele é. Lembro-me de ser uma miúda e babar quando ele passava. Aliás lembro-me de todas suspirarmos só por um sorriso, uma atenção daquele rapaz lindo.
 
Pergunto-lhe o que aconteceu. Explica-me que uma coisa levou à outra. Conta-me como se meteu nas drogas. As mentiras para ele próprio de que ia sair, de que não era viciado. As mentiras para os outros, o desespero para arranjar dinheiro para o vício e todo um sem número de situações que levaram todos à exaustão. A opção de viver na rua e o hábito que criou. Pergunto-lhe se continua tudo igual. Diz-me que não, que o vício morreu há muitos anos. Mas que ninguém confiava nele para lhe dar uma oportunidade. Diz que errou e que está a pagar por isso.
 
Sinto-me angustiada e impotente perante uma situação destas. Digo-lhe que vou tentar ajudar. Digo-lhe que vou falar com pessoas. Responde-me que não vale a pena, que já não sabe viver de outro modo. Diz que gostou de falar comigo que há muito tempo que não falava com ninguém. Vira-me as costas e eu chamo-o. Vira-se e sorri “afinal lembras-te do meu nome” diz-me. Pergunto-lhe se posso fazer alguma coisa por ele. Diz-me que a única coisa que posso fazer por ele é sorrir-lhe sempre que o encontrar.
 
Eu fico a vê-lo a afastar-se. Vestido com roupas remendadas, ombros descaídos e cabelo descuidado. Caminha vagarosamente como se arrastasse uma multidão atrás dele. Penso na ironia do destino e no facto daquele rapaz de quem eu ansiava um sorriso se ter tornado num homem que só pede a alguém que lhe sorria.

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Marta Leal.

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