A morte faz-me sempre repensar a vida!
Uma das vantagens de avançarmos na idade é a serenidade com que encaramos as coisas e a aceitação do que antes era inaceitável. Amadurecer, ganhar rugas e entrar na "época" dos "entas" traz-nos muita certeza no que somos, no que que queremos e naquilo que estamos ou não dispostos a viver. Há quem diga que com a idade se perde força eu acredito que envelhecer nos torna mais fortes, na presença mas principalmente na ausência.
Envelhecer é também despedirmos-nos daqueles que vão partindo antes de nós. É lidar com a morte e somar perdas. Falar de morte é sentirmos falta dos que se vão ausentando e revolta pelos que partem cedo de mais. Temos medo temos muito medo. De um modo geral aceitamos a morte quando a consideramos natural, ou melhor, quando na vida seguimos o percurso natural que nos leva à morte. Essa é fácil. Essa é muito mais fácil de aceitar. Vivemos e morremos velhinhos já quando todos estão à espera que morramos.
Tramado é quando a morte se antecipa á vida que nos propomos viver. Tramado é quando a morte aparece sorrateira e num ápice nos retira peças que tinham tudo para continuar a jogar. Falar de morte faz-me sempre questionar a vida. Falar de morte faz-me sempre questionar caminhos, vontades e escolhas. Normalmente, perante a morte nasce em mim uma grande vontade de avançar perante aquilo que está parado, de escolher na indecisão, de mudar aquilo que tem de ser mudado e de questionar aquilo que nunca se questiona.
Avançar na vida é também avançar na perda daqueles que partem de forma inesperada quando a morte se antecipa à vida. Abanam-se as crenças. Abanamos a cabeça em sinal de negação e os mais afoitos permitem-se até chorar. Injusto quando alguns partem fora de tempo mas mais injusto é impedirmo-nos de viver aquilo que sabemos merecer, porque um dia, meus caros, o herói morre e o filme acaba!
A morte faz-me sempre repensar a vida!

