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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Mães de outros tempos

Hoje fala-se de mães de outros tempos: as mães dos nossos tempos. Quando nos separamos, seja qual for a razão que nos leve a faze-lo, não fazemos ideia daquilo que nos espera. Encetamos um recomeço e sonhamos com as facilidades de um mundo que nos ajude, que nos aceite e sobretudo que nos compreenda. Lidamos melhor ou pior com o sentimento de derrota anterior mas continuamos cheias de esperança por um mundo melhor. Para nós e para eles, os filhos.

 

Debatemo-nos com uma nova rotina, uma nova realidade e novos conceitos. Passamos de casadas a divorciadas, o mundo olha-nos de forma diferente e nós olhamos o mundo com outros olhos. Os filhos deixam de ser nossos e passam a ser meus e teus. Luta-se por acordos que nos satisfaçam, por despesas razoáveis e pagamentos cumpridos. Luta-se por horários justos, visitas satisfeitas e paz, sobretudo paz. Ficamos com a sensação que em vez de vivermos nos limitamos a lutar. Compete-se em vez de se cooperar.

 

Permitam-me que pare e que pense na pouca importância que damos aos momentos em que fomos felizes. Podia falar-vos das dores, das quedas que dei, dos medos, das inseguranças e das injustiças que senti. Não o faço porque quase não me lembro. Não o faço porque sempre que penso no que tive o sorriso insiste em crescer. Acredito que mais tarde ou mais cedo existe um momento em que todos acreditamos que somos felizes. Verdadeiramente felizes. E um dia olhamos ao espelho e não conhecemos a imagem do outro lado. Não. Não se trata de envelhecimento precoce mas apenas de perda de identidade.

 

Corre-se contra os meses que nos parecem cada vez maiores. Concentramo-nos na sobrevivência material para que não lhes falte nada. Esquecemo-nos de quem somos mas sobretudo de quem queremos ser. Não nos permitimos sonhar, não nos permitimos viver. Vale-nos a maternidade. Gostamos de ser mães como sentido e como propósito. Gostamos da barriga a mexer, gostamos dos abraços e gostamos dos “és a melhor mãe do mundo”. Gostamos todas de ser as melhores mães do mundo!

 

Somos diferentes mas tão iguais. Gostos, sonhos, objectivos, crenças e valores. Vivências e experiências. Amores e desamores. Mentiras e verdades. Somos o que queremos, e somos apenas o que decidimos ser. No meu caso? Mãe, Mulher, mas sobretudo, eu mesma.

 

E tu quem decides ser? O que precisas para avançar?

 

PS: o meu agradecimento a uma mãe muito especial que me inspirou

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