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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Procura-se compromisso sério

Procura-se compromisso sério. Procura-se compromisso com o próprio significado de compromisso. Confusos? Eu passo a explicar. Vivemos um dia-a- dia apressado. Não sei se por vontade própria ou apenas porque não queremos parar. Parar implica reflectir, analisar e pensar. E pensar, caros leitores, pode ser demasiado trabalhoso. Mas perdoem-me os mais atentos porque já me estou a dispersar. Dizia eu que o nosso dia-a-dia é apressado. Habituamo-nos a correr de um lado para o outro. Habituamo-nos a aceitar convites, a confirmar presenças sem sequer percebermos se queremos ou podemos fazê-lo. Habituamo-nos a querer tudo e a não querer nada. Saltitamos de solução em solução sem nunca esperar que as ideias amadureçam, que as ideias consolidem sem mesmo esperar que as soluções tenham oportunidade de crescer. Apressamo-nos nas escolhas e apressamo-nos nos sim. Sim claro que vou! Sim claro que faço! Sim claro que estou!

 

Depois esquecemo-nos. Esquecemo-nos do compromisso e ficamos num descompromisso sentido. Desculpamo-nos. Estamos demasiado ocupados para conseguirmos chegar a todo o lado. Estamos demasiado ocupados para respeitarmos o compromisso com o outro. Não percebemos, contudo, que ao falhar o compromisso com o outro falhamos o compromisso connosco. Saltitamos de relação em relação, de terapia em terapia, de vontade em vontade. Sem nunca parar. O que é que eu vos dizia no parágrafo anterior? Sim. É verdade que parar implica pensar e pensar por nós mesmos é trabalhoso. Assumimos compromissos, olhamos sem ver, ouvimos sem prestar atenção porque é tudo rápido e nos recusamos a parar. Apenas porque parar implica pensar sobre quem somos e o que estamos a fazer.

 

Procura-se compromisso sério nos sim que se dão e que não se cumprem. Nos compromissos assumidos que não são cumpridos apenas porque nem nos lembramos que os assumimos. Levianos. Tornámo-nos demasiado levianos no que diz respeito à palavra. A palavra vale muito pouco nos nossos dias apenas e somente porque nem nos lembramos de a ter pronunciado. Falta-nos a atenção ao outro e falta-nos a atenção ao nós.

Apressados, vivemos demasiado apressados. Preocupados na busca constante sem nunca querermos parar. Queremos mais, queremos sempre mais sem perceber que por vezes necessitamos de tão pouco.

 

Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher e sobretudo eu mesma.

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