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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

A caverna mágica

 

"Era uma vez uma mulher que morava numa casinha modesta ao pé de uma montanha onde havia uma grande floresta. Tinha um filho a quem amava muito.

No solstício de verão, a mulher levou o filho para colher os morangos maravilhosos que havia na floresta. Subiram a montanha e chegaram a um lugar coberto dos morangos maiores, mais vermelhos e mais saborosos que já tinham visto.

Colheram quantos puderam. Mas logo que a mulher encheu a cesta, viu abrir a porta de uma gande caverna diante dela. Enormes pilhas de ouro brilhavam no chão, e três virgens brancas guardavam o tesouro.

- Entre, boa mulher - disseram as virgens brancas. - Leve todo o ouro que conseguir levar de uma só vez.

A mulher entrou na caverna e, segurando o filho pela mão, pegou em algumas moedas de ouro e coloco-as no avental. Mas o toque do ouro despertou uma enorme cobiça e, esquecendo-se do filho, pegou em mais algumas moedas e saiu a correr da caverna.

No mesmo instante ouviu um estrondo atrás dela e uma voz trovejou:

- Mulher infeliz! Perdes-te o teu filho até o próximo solstício de verão!

A porta da caverna fechou-se e a criança ficou presa lá dentro.

A pobre mulher torceu as mãos desesperada, chorou e implorou, mas não adiantou, e ela voltou para casa sem o filho. Voltou todos os dias ao lugar, mas a porta nunca mais se abriu e ela não conseguia encontrar a caverna.

No ano seguinte, no solstício de verão, ela acordou muito cedo e correu para o local onde tudo tinha acontecidor. Ao chegar encontrou a porta aberta. As pilhas de ouro brilhavam no chão e as três virgens guardavam o tesouro. Ao lado delas estava o menino com uma maçã vermelha na mão.

- Entre, boa mulher - as três virgens convidaram. - Leve quanto ouro puder pegar de uma só vez.

A mulher entrou na caverna e, sem sequer olhar para o ouro, agarrou no filho e abraçou-o nos braços.

- Boa mulher - disseram as três virgens, - leve o menino para casa. Devolvemos-to porque agora seu amor é maior que a cobiça.

A mulher voltou para casa com o menino e o amou mais que a tudo até ao resto da vida."

 

Do livro: O Livro das Virtudes II - O compasso moral - Editora Nova Fronteira

 

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