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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

E sempre que o amor acaba

 

Quando apaixonados vivemos os primeiros sorrisos e os primeiros momentos como se não existisse amanhã. E de facto não existe amanhã para quem está apaixonado porque o amanhã é de expectativa constante. As borboletas no estômago, os sorrisos mais ou menos idiotas, a excitação daquele encontro, os primeiros toques, os primeiros beijos e as primeiras envolvências. Tão lindo que é o amor. Tão fantástico que é aquele(a) por quem nos apaixonamos. Movemos montanhas e derrubamos tudo e todos aqueles que se atreverem a se oporem. Encontrámos a alma gémea e não queremos saber de mais nada.

 

Confunde-me portanto que aquando de uma ruptura se faça exactamente o contrário. Passamos de bestiais a bestas. Transformam-se erros e enganos em monstruosidades dignas de condenação eterna. Transformam-se as borboletas em úlceras nervosas e os violinos em marchas fúnebres. Estamos magoados e magoamos sem dó nem piedade. A nossa alma gémea transforma-se em alma negra sendo para isso necessário denegrir, abater, desconsiderar. Num vale tudo, esquecem-se os momentos vividos, as promessas feitas e a confiança sentida. Revelam-se segredos de alcofa. Acrescentam-se pormenores sórdidos e a necessidade de aprovação externa é tão grande que acredito perdermos a noção de quem somos e o que dizemos. 

 

Espanta-me no mais comum dos mortais e espanta-me muito mais naqueles que são figuras públicas. Espanta-me a sordidez de quem procura noticias e espanta-me a fúria de quem as dá. Pare-se por momento e reflicta-se. As palavras ferem, magoam e são apagadores reais de bons momentos vividos. As palavras ferem e magoam não só os que as dizem mas todos aqueles que estão envolvidos na questão. As palavras ficam enquanto os bons momentos se esvanecem. Será que o Manuel e a Bárbara têm a noção de que tudo o que disserem pode ser lido e, quem sabe, visto pelos filhos?

 

Um grande amor, quando termina, merece terminar como começou: com respeito, dignidade e equilíbrio porque, afinal, ninguém é obrigado a estar quando não quer ou quando não lhe faz sentido. E como alguém tão sabiamente canta “ninguém é de ninguém”.

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