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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Vives ou Sobrevives?

Depois das leituras das histórias, do aconchegar os cobertores e dos desejos de boas noites resolvi sentar-me no sofá. O silêncio impunha-se de uma forma assustadora. Era um daqueles dias em que me conseguia ouvir pensar no silêncio da noite.

 

Ouvi um gemido ao longe que se transformou num grito. Não era um grito de dor, não era de desespero nem tão pouco de alegria. Era o meu interior que pedia ajuda. Era o meu eu que gritava por atenção, por reflexão,  por tempo para mim.

 

Assustei-me. Não percebi o que se passava. Tentei ignorar. Não queria ouvir não queria reflectir porque isso implicaria que teria de agir. Todas as minhas tentativas foram em vão. O grito era cada vez mais forte mais audível e mais perceptível. Resolvi prestar-lhe atenção. Resolvi tentar perceber se o meu EU gritava comigo ou gritava por mim.

 

 Afinal o meu EU não só gritava comigo como gritava por mim. Gritava para que eu tivesse atenção ao que estava a fazer. Gritava para que desse atenção a mim mesma. Gritava para que eu pensasse mais em mim. Gritava para que eu fosse mais egoísta. Mas essencialmente gritava para que eu lhe (me) desse mais atenção.

- Mas porquê? Porquê só agora – perguntava eu

- Porque não me tens ouvido

- Não quero ouvir-te, deixa-me em paz

- Não queres, mas vais ouvir

- Não quero, não me faças isso – soluçava eu

- Tens de me ouvir com atenção. Tens de perceber o que estás a fazer a ti mesma. Mas sobretudo tens de me calar.

- Calar-te? Mas isso é possível?

- Calas-me quando te sentires bem contigo mesma. Calas-me quando lutares pela realização dos teus sonhos. Calas-me quando fores feliz ou pelo menos quando lutares pela tua felicidade. Calas-me quando tiveres objectivos. Calas-me quando começares a viver.

- Mas eu vivo.

- Tu não vives tu pensas que vives. Pensas que isso é viver. Olha para ti. Os outros são importantes mas TU és o mais importante. Nunca te esqueças TU é que és importante. Tu, só tu....

 

Acordei. Tinha mais uma vez adormecido no sofá. No entanto, aquele grito continuava a ecoar na minha cabeça. Tinha de fazer alguma coisa. Tinha de lutar por mim e para mim.


 

E tu? Vives ou Sobrevives?