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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Argumento

 

Embrulharam-se as roupas sem ordem numa emoção desordenada. “Não acredito, não acredito” diziam-me as minhas inseguranças. “Fantástico, fantástico” repetia-me um ego que de tão inchado mal se conseguia mover. Volto á minha adolescência e sinto-me com borboletas no estômago, muitas borboletas no estômago. Corro escadas a baixo. Lembro-me que em Londres deve estar frio. Volto a subir e procuro o meu blusão de cabedal. Gosto do meu blusão da sorte, lembro-me de pensar. Saio no silêncio da noite onde me apetece gritar aos sete ventos o que me está a acontecer. Lamentável, não me terem mandado uma limusina ou algo parecido. Apetece-me gritar num silêncio que me incomoda.

 

Interessante a forma como existem aqueles momentos em que parece que somos tomados por uma qualquer amnésia momentânea que nos impossibilita de ver mais além. Enquanto caminho pelos bastidores olho á volta e sorrio. Faço aquela cara que todos fazemos quando nos sentimos intimidados e talvez menos preparados para o que estamos a fazer. Caminho apressada. Cruzo-me com uns fulanos no corredor e pergunto-lhes onde fica a sala vip. Olham-me como se esperassem que lhes dissesse algo. Olham-me confundidos e indicam-me o caminho de forma hesitante. Agradeço a indicação numa euforia desenfreada sempre com a sensação que os conheço de algum lado. A minha tensão aumenta e o ritmo cardíaco cresce. Corro pelo corredor e perguntam-me se os vi, o que lhes disse, como me responderam... Paro. Estanco enquanto suores frios me percorrerem o corpo. Evidente. Claro que os conhecia, eram eles.

 

Repõe-se as certezas no segundo encontro. Rimo-nos do primeiro e admiram-se humildades. Reescreve-se um argumento porque o primeiro perdeu-se algures na distracção de quem vive distraída.

 

E tu como está o teu argumento de vida?