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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

A Helena fala-nos de estar diferente

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"Hoje, refletia comigo própria, silenciosamente, que o coaching mudou a minha vida. Estou diferente. Mudou a minha perceção da realidade.

Momentos mais tarde, conclui que só mudou porque me eu aceitei a mudança e decidi aprender e a divertir-me com a mudança… aceitei pôr-me em causa em vez de consequência. Hoje, na minha agenda em vez de anotar todo o que tenho de fazer aponto maioritariamente tudo o que me dispos a fazer e está feito. Cada dia é interpretado realmente como um novo dia… uma nova oportunidade.

Hoje, sei que estou ainda longe de onde espero estar mas o que é certo é que estou a cada dia mais perto…

A Marta é o espelho que todos podemos desejar… Experimentem. Atrevam-se a mudar… a bater com a cabeça… a perdoar… a agradecer… a amar, a fazer e a encontrar a vitalidade adormecida…

A mim a Marta ajudou-me a tornar-me a prioridade da minha vida, a ser fiel aos meus valores, a encontrar a alegria na ação e, sobretudo, o foco nos meus sonhos.

 

Atenção: Nada disto se faz de um dia para o outro mas acreditam faz-te um pouco todos os dias ;) Eu sinto-o.

Marta,

Obrigado. Obrigado pela oportunidade e pela flexibilidade. Amanhã comemoro mais um aniversário e esta experiência foi das melhores deste ano. Obrigado.

 

Com gratidão, 

Um abraço,

Helena " 

Dia Mundial do Idoso

No dia mundial do Idoso penso na sorte que tive em nascer na familia que nasci. Somos aquilo que vimos, que ouvimos e que sentimos. Cresci num mundo onde os avós ajudavam a cuidar de nós e onde as referenciais familiares eram e são marcantes. Hoje volto a recordar o avô sem pretender descuidar-me da avó, um dia sei que vou escrever sobre ela.
No dia mundial do Idoso gostava que todos nós nos lembrassemos das nossas raizes e de quem somos. Quem nos viu nascer, quem cuidou de nós merece que cuidemos deles de forma digna e sentida. Afinal,  a eles devemos o nosso próprio ser.
Recorde-se então o avô !

Paro em alguns acontecimentos. Sinto sabores e recordo cheiros. Saltito entre tios, avós, brincadeiras, animais de estimação, professores, escolas, primeiros namoros e afins. Sonhos, muito sonhos.

 

Falemos de culinária. Decido-me. Contra-senso para quem não gosta de cozinhar. Mas falemos de bacalhau cru e peixe frito. Permitam-me que recue á sala dos avós. Permitam-me que recue no tempo e me sente á mesa com o avô onde passávamos tardes de histórias e de hábitos alimentares diferentes. Agora que penso nisso foram tantas vezes que me queixei de ouvir aquelas histórias e agora dava tudo para as voltar a ouvir. Gosto de bacalhau cru com pão da mesma forma que gosto de peixe frito no pão. Reportam-me me sempre ao avô. Reportam-me à forma como ele ia cortando as fatias de pão e íamos partilhando histórias e sabores.

 

Gostava de partilhar com o avô. Os momentos e a comida, as histórias e os passeios. Gostava de passear de mão dada com ele. Gostava de como me ensinava a pescar enguias. Arrepiava-me a forma como as preparava mas aguentava-me firme. Sem manifestar a pena que tinha dos pobres bichos. Pena, que diga-se em abono da verdade, se extinguia no momento em que as começava a comer.

 

Inocente a forma como admiro aquele homem. Inocente a forma como pensamos os nossos como imortais. Inocente a forma como admiramos sem o manifestar. Inocente a forma como queremos que certas coisas sejam eternas.

Donos da verdade

Desde cedo que escolhi os meus amigos pelo que me faziam sentir. Lembro-me que mesmo em miúda nunca escolhi os amigos por quem eram ou mesmo pelo que me podiam dar. Pelo que consta até escolhia aqueles que mais ninguém queria. Segundo consta eram os mais indefesos com quem eu gostava de me dar. Não sei se pela liberdade de acção se pela liberdade de pensamento.

 

Tive os meus tempos de contestação, de verdades absolutas e certezas incontestáveis. Tive o meu tempo de dúvidas e com o tempo fui percebendo que é fácil estarmos no 8 ou no 80 dependendo do momento que vivemos, das experiencias que tivemos e no que nos permitimos crescer enquanto pessoas.

 

Com o tempo fui aceitando os outros como eles são independentemente de estarem alinhadas comigo ou não. Com o tempo fui-me apercebendo que acreditamos todos ser donos da verdade. Esquecemo-nos é que a nossa verdade não é de todo a verdade do outro. Esquecemo-nos que o nosso ser e estar não é de todo melhor que outros seres e estares.

 

Hoje vivo rodeada de pessoas completamente diferentes umas das outras. Hoje dou-me com as mais variadas pessoas porque o importante para mim é que aqueles que estão ao meu lado me respeitem pelo que sou e que estejam alinhados com os meus princípios e os meus valores. Não me importo com o que foram, importo-me com o que são.

 

O que mudou? Com o tempo deixei de me sentir dona da verdade, percebi que o mundo é muito mais do que eu conheço e do que algum dia vou conhecer. Percebi que o que o que os meus olhos vêem e o meu ser sente é muito diferente daquilo que os outros vêem e sentem.

 

E tu consideras-te dono da verdade?

Cá Por Casa

 


Os vestidos e as camisas de verão voltaram a encolher. Acredito que seja do mau tempo que se tem vido a sentir na zona oeste até porque a neblina matinal tem sido uma constante. Existe quem insista a colocar a culpa sobre as bolas de berlim com leite condensado que eu gosto de comer. Eu, continuo a pensar que a responsabilidade é do tempo, sempre do tempo.
 Já repararam como anda inconstante?

 

Há muitos anos que não tinha uma cor tão pálida e uma vontade tão grande de fazer praia. O branco está tornar-se mais sujo e os banhos de mar uma realidade. Cá por casa é mais um ano que percebo o quanto os filhos crescem e quão necessário é deixa-los voar.

 

A necessidade e o planeamento fizeram-me estar de férias em part-time e fora da minha zona de conforto. Tranquilo, muito tranquilo até porque há quem diga que o sucesso não tira férias!

 

Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma.

Pessoas Comuns - Vidas Inspiradoras

Yasmine Mustafa Yasmine Mustafa – Antes: Uma imigrante nos Estados Unidos. Agora: Renovada e corajosa

Yasmine Mustafa saiu do Koweit para os Estados Unidos durante a Guerra do Golfo quando tinha apenas 8 anos. Depois de 22 anos a viver na América decidiu-se a viajar para tal como diz " conhecer a pessoa que sou sem um notebook".

Mais sobre as usas histórias por aqui http://myasmine.com/

 Ainda achas que não consegues?

 

Quando o azar se transforma em sorte

 

Madalena sentou-se na cadeira da esplanada onde há vinte anos tinha por hábito ir.  Pousou o livro em cima da mesa verde e olhou em redor. Nada ou quase tinha mudado. Revivera aquela imagem vezes sem conta mas do que mais tinha sentido saudades era do cheiro a maresia. Aquele cheiro que tantas vezes a tinha acalmado mas que com o tempo quase tinha esquecido.

 

Observou as pessoas que começavam a chegar à praia, sorriu ao ver a forma como as crianças brincavam e corriam em direcção ao mar. Também elas tantas vezes tinha estado naquela situação naquele mesmo areal. Recordou os inúmeros castelos de areia que fez, as correrias pela praia atrás dos filhos e a ansiedade que sentia sempre que os via afastarem-se.

 

- Os velhos hábitos nunca se perdem, posso sentar-me?

 

Os anos tinham passado por ele mas era capaz de o reconhecer em qualquer lugar.Ali estava ele o homem que um dia a tinha feito mudar o rumo da sua vida. O homem que a tinha feito afastar de tudo e recomeçar de novo afastada de quase tudo o que gostava.

 

- Mas claro que podes. Como estás?

- Mais velho mas isso já deves ter reparado.

- Estamos os dois meu caro.

- Mas linda como sempre

- E tu não perdeste o charme

- Não me digas que costumas vir aqui muitas vezes. Se o disseres atiro-me a mar.

- Não vinha cá há cerca de vinte anos. Hoje resolvi voltar.

- O que é que te aconteceu? Procurei-te por todo o lado.

- Queres que comece por onde?

- Por onde quiseres.

 

Continuava cuidado e gentil. A cara enrrugada não perdera a expressão e os olhos continuavam expressivos. Ao longo do tempo a imagem que tinha dele foi desaparecendo bem como todos os sentimentos que a acompanhavam. Tinha perdido não só a referência fisica e com ela a referência emocional. Deu consigo a pensar que de facto o tempo cura tudo.

- Então? encomendo já o jantar?

- Desculpa?

- Estás a demorar tanto tempo a começar que acho que vamos ficar aqui o dia todo.

- É assim tão importante para ti?

- Perdi-te há mais de vinte anos e procurei-te por toda a parte é natural que esteja curioso.

- Depois de me teres ligado a dizer que não podias continuar. Falei com a Raquel. lembro-me que chorava tanto que ela largou tudo para vir ter comigo. Falei-lhe do que tinha acontecido e repeti vezes sem conta que só queria desaparecer. A Raquel esteve sempre lá lembraste dela?

- Claro que me lembro vocês eram inseparáveis.

- No dia seguinte a Raquel, que sempre se mexeu bem em todo lado, trouxe-me uma documentação para trabalhar numa embaixada. Estavam a necessitar de uma pessoa e ela lembrou-se de mim. As aulas tinham terminado e era mais fácil tratar de tudo. O unico senão era que me tinha de mudar de armas e bagagens para a Grécia.

- Grécia?

- Sim. E deve ter sido a decisão mais rápida que tomei em toda a minha vida.  Em dois meses tinha a documentação pronta, as trasferências dos miudos efectuadas e a casa posta à venda.

- Eu sei. Passado 3 meses arrependi-me da minha decisão e procurei-te por todo o lado. Cheguei até a falar com a Raquel mas ela foi intransigente. Disse-me sempre que não sabia de nada e para eu a deixar em paz. Tentei faze-la ver que te amava mas de nada valeu.

- Ela contou-me.

- Contou-te?

- O ano passado mas já lá chegamos.

- Mudei-me de armas e bagagens para Atenas. Comigo foram dois grupos um que ia trabalhar para a Embaixada e outro que ia formar uma empresa. Lembro-me que a minha diferença para eles era que eles iam abraçar um projecto novo eu ía na tentativa de fugir de um projecto antigo. Quando chegámos tinhamos uma casa à nossa espera e os miudos já estavam inscritos nas escolas. O inicio foi dificil sentia-me longe de tudo e de todos apesar de ter sido sempre muito apoiada. E, depois os miudos sempre com tanta actividade obrigavam-me a ter de contactar com muita gente.

- Sabes que nunca mais me apaixonei porn ninguém?

- Eu não posso dizer o mesmo. Voltei a apaixonar-me e a casar. Conheci o Manuel no voo. Os miudos adormeceram na sala de embarque e ele ajudou-me a embarcar. Mais tarde contou-me que conhecia a Raquel e que ela lhe tinha pedido para tomar conta de nós. Foi das pessoas que mais me apoiou e ao fim de dois anos descobri quen estava completamente apaixonada por ele.

- E os miudos?

- Os miudos adaptaram-se rapidamente. De inicio chegaram-me a perguntar se ias ter connosco. Nem sabes o que essas palavras me magoavam. Mas com o tempo também eles foram esquecendo. Hoje estão ambos formados e casados. O joão está agora nos Estados Unidos a fazer um doutoramento. A Alice é médica e casou o ano passado.

- Também me esqueceste?

- Os grandes amores não se esquecem. Podem acabar mas não se esquecem e acho que foi isso que me aconteceu. Sabes que no dia do meu casamento dei comigo a agradecer-te por teres tomado a decisão que tomaste?

- Como assim?

- Foi a tua decisão que me fez tomar outro caminho e se assim não fosse não tinha vivido os anos maravilhosos que vivi. Até ao ano passado.

- Então?

- O Manuel sofreu um acidente de viação e acabou por morrer na sala de cirurgia.

- Lamento.

- Também eu. E, foi justamente depois da morte dele que a Raquel foi ter comigo e me contou que tinhas procurado logo depois de ter ido para a Grécia. Pediu-me perdão por não me ter contado mas que não me queria ver a sofrer mais. Nesse dia choramos abraçadas uma à outra eu não sei se por desespero ou se por agradecimento. Afinal, nunca vou saber qual teria sido a minha decisão se ela me tivesse contado há vinte anos.

- Talvez tivessemos ficado juntos.

- Não sei. Eu estava muito magoada e amargurada. A mágoa destrói qualquer tipo de relação.

- E, agora o destino juntou-nos outra vez.

- Sabes que não acredito muito nessas coisas do destino. Quem nos juntou foram as nossas decisões. Tal como foram elas que nos afastaram.

- Eras uma romântica na altura.

- E continuei a ser mas isso não implica que acredite no destino.

- E o que chamas ao facto de nos encontrarmos aqui?

- Hábitos. Eu tinha o hábito de vir aqui e tu também o ganhas-te.

- És feliz?

- Pode-se dizer que sim. Vive muito feliz durante todos estes anos e, agora que o Manuel morreu sinto-me feliz cada vez que o recordo. E tu?

- Eu nunca me perdoei ter-te deixado.

- Acredites ou não. Foi o melhor que me podias ter feito

Cá Por Casa

Os vestidos e as camisas de verão voltaram a encolher. Acredito que seja do mau tempo que se tem vido a sentir na zona oeste até porque a neblina matinal tem sido uma constante. Existe quem insista a colocar a culpa sobre as bolas de berlim com leite condensado que eu gosto de comer. Eu, continuo a pensar que a responsabilidade é do tempo, sempre do tempo.

 

Há muitos anos que não tinha uma cor tão pálida e uma vontade tão grande fazer praia. Por aqui continua-se a investir em bases e afins. Se isto continuar pondero enviar as contas ao S. Pedro. Sim porque o seu a seu dono.

 

Por aqui desacelerámos um pouco mas continuamos a trabalhar oscilando entre o tempo que se dedica á família e aquele que se dedica á motivação. Os pintos regressaram todos ao ninho e mãe galinha parece um galo emproado. Por falar em filhos consta que a  filha do meio  treme sempre que é publicado  mais um cá por casa não vá eu escrever algum disparate. 

 

Eu? Continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma.

Incapacidades

 

 

 

 

 

 

Quando contamos os tostões e temos pouco dinheiro começamos aos poucos a perceber que o que está à nossa volta se transforma e deteriora perante a nossa incapacidade de resolver. É a parede que fica por pintar, o carro que continua batido, o móvel que se partiu e precisava de ser substituído, as roupas que ficam debotadas e um encolher de ombros que mais do que pontual se torna usual. Habituamo-nos. Habituamo-nos e esperamos por um momento melhor ou então não esperamos por coisa alguma.

 

O que nós não percebemos é que a nossa cabeça funciona da mesma forma. Quando temos pouca motivação, nos sentimos pouco inspirados, temos pouca esperança e nos sentimos desacreditados de nós e do mundo tudo à nossa volta desmorona. As relações com os outros tornam-se mais complicadas, os acontecimentos menos bom sucedem-se e a incapacidade para reagir também.

 

De facto não podes mudar o acontecimento externo mas podes mudar o acontecimento interno.

 

Já pensaste em olhar à volta e procurar novas soluções? Sonhar? Re-inventares-te? Lembras-te de quem querias ser quando fosses grande?

 

O Francisco fala da importância de saber perdoar

“Quanto a mim foi importante abordar coisas que nunca se abordam, trata-las com naturalidade e procurar soluções conscientes. Ser despertado para a realidade e abordar ferramentas que ajudam ao nosso crescimento pessoal, para mim faz todo o sentido. Obrigado. Só posso avançar se souber onde estou e tu dás uma grande ajuda nessa tomada de consciência. Obrigada por me ensinares a importância de saber perdoar e principalmente a estar grato."

 

Francisco Vasconcelos

 

E tu? Sabes perdoar? sabes perdoar-te?

 

 

 

O permitir que alguém nos mude só porque nos fez perder as esperanças

 

"Meu querido,

 

Olho à volta sinto que todos andam a uma velocidade superior à minha. Quero fugir quero desaparecer mas não consigo mover-me. Ouço alguém perguntar-me se estou bem. Abano a cabeça em sinal de assentimento. Sinto-me noutra dimensão, os meus pensamentos fogem-me acelerados. Não quero nem posso pensar mais.

 

Paro. Não sei onde estou ou como vim aqui parar. O meu corpo anda sem sentido porque os meus pensamentos se encontram perdidos. Não consigo sequer chorar. Não sei o que sinto porque não sinto nada. Quero um ombro para chorar, quero uns braços que me abracem e me digam simplesmente “vai passar”

 

Olho, reconheço este sítio. Foi onde um dia gritaste para que todos ouvissem que me amavas. Sento-me no mesmo local e não aguento mais. Choro não sei por quanto tempo. Começo lentamente a deixar a dormência em que fiquei. Sinto dor, sinto raiva. Sinto o que nunca tinha sentido. As esperanças desapareceram e com ela a vontade de viver e de rir. Agora sinto tristeza e dor.Queria fechar os olhos e só acordar quando tudo passasse. Tento mas não consigo, Era tão fácil se assim fosse.

 

Recordo tudo o que tivemos. Revivo emoções, sentimentos, desejos e paixão. Acordo para a realidade. Sinto-me dorida porque agora duvido se o que vivi foi verdadeiro. Não posso e não quero recordar mais. Dói muito dói demais. És tudo para mim sinto que não quero continuar porque sem ti não faz sentido. Não sei viver sem ti não quero viver sem ti. Quero somente fechar os olhos e fingir que isto não aconteceu.

 

Tomo uma decisão recuso-me a amar novamente. Não volto a sofrer por ninguém.”

 

Enquanto lia estas linhas Joana revivia tudo o que um dia tinha sofrido. O mau estar, a dor e, até as lágrimas voltaram. Encontrara este pequeno texto por acaso. Já se tinha esquecido que um dia o tinha escrito e mal se recordava do rosto de quem a tinha feito sentir assim. Engraçado as emoções voltarem todas ao de cima e as imagens não.

 

Fora naquela hora, naquele momento que decidira nunca mais voltar a amar. Hoje sabia que tinha sido uma decisão errada mas fora a que sentira há uns anos atrás. Hoje apetecia-lhe voltar a viver de forma menos sarcástica e azeda. Hoje gostava que alguém já sem rosto na sua memória não a tivesse feito alterar o seu modo de ser e de viver.

 

O tempo não se recupera. Os momentos não se recuperam podem-se reviver e recordar mas não se recuperam e hoje Joana hoje tinha vontade de voltar a trás mudar de decisões e, alterar o seu rumo.

 

Tinha consciência de que desde esse dia se tinha afastado de tudo o que a podia magoar. Deixara de viver com medo. Vivia rodeada de fantasmas de vida que a impediram de viver. Deixara de acreditar e ao mesmo tempo deixara de viver. Agora percebia que desde aquele dia que deixou de ser ela própria para ser aquilo em que deixara que a transformassem.

 

Hoje ao encontrar aquela carta que nunca tivera coragem de enviar percebera que já mal se recordava de quem lhe fizera mal. Hoje percebera que caíra na pior armadilha em que alguém pode cair. O permitir que alguém nos mude só porque nos fez perder as esperanças. O permitir que alguém um dia, só porque nos magoo  fique com a nossa vida e nos impeça de voltar a viver. O

"Meu querido,

 

Olho à volta sinto que todos andam a uma velocidade superior à minha. Quero fugir quero desaparecer mas não consigo mover-me. Ouço alguém perguntar-me se estou bem. Abano a cabeça em sinal de assentimento. Sinto-me noutra dimensão, os meus pensamentos fogem-me acelerados. Não quero nem posso pensar mais.

 

Paro. Não sei onde estou ou como vim aqui parar. O meu corpo anda sem sentido porque os meus pensamentos se encontram perdidos. Não consigo sequer chorar. Não sei o que sinto porque não sinto nada. Quero um ombro para chorar, quero uns braços que me abracem e me digam simplesmente “vai passar”

 

Olho, reconheço este sítio. Foi onde um dia gritaste para que todos ouvissem que me amavas. Sento-me no mesmo local e não aguento mais. Choro não sei por quanto tempo. Começo lentamente a deixar a dormência em que fiquei. Sinto dor, sinto raiva. Sinto o que nunca tinha sentido. As esperanças desapareceram e com ela a vontade de viver e de rir. Agora sinto tristeza e dor.Queria fechar os olhos e só acordar quando tudo passasse. Tento mas não consigo, Era tão fácil se assim fosse.

 

Recordo tudo o que tivemos. Revivo emoções, sentimentos, desejos e paixão. Acordo para a realidade. Sinto-me dorida porque agora duvido se o que vivi foi verdadeiro. Não posso e não quero recordar mais. Dói muito dói demais. És tudo para mim sinto que não quero continuar porque sem ti não faz sentido. Não sei viver sem ti não quero viver sem ti. Quero somente fechar os olhos e fingir que isto não aconteceu.

 

Tomo uma decisão recuso-me a amar novamente. Não volto a sofrer por ninguém.”

 

Enquanto lia estas linhas Joana revivia tudo o que um dia tinha sofrido. O mau estar, a dor e, até as lágrimas voltaram. Encontrara este pequeno texto por acaso. Já se tinha esquecido que um dia o tinha escrito e mal se recordava do rosto de quem a tinha feito sentir assim. Engraçado as emoções voltarem todas ao de cima e as imagens não.

 

Fora naquela hora, naquele momento que decidira nunca mais voltar a amar. Hoje sabia que tinha sido uma decisão errada mas fora a que sentira há uns anos atrás. Hoje apetecia-lhe voltar a viver de forma menos sarcástica e azeda. Hoje gostava que alguém já sem rosto na sua memória não a tivesse feito alterar o seu modo de ser e de viver.

 

O tempo não se recupera. Os momentos não se recuperam podem-se reviver e recordar mas não se recuperam e hoje Joana hoje tinha vontade de voltar a trás mudar de decisões e, alterar o seu rumo.

 

Tinha consciência de que desde esse dia se tinha afastado de tudo o que a podia magoar. Deixara de viver com medo. Vivia rodeada de fantasmas de vida que a impediram de viver. Deixara de acreditar e ao mesmo tempo deixara de viver. Agora percebia que desde aquele dia que deixou de ser ela própria para ser aquilo em que deixara que a transformassem.

 

Hoje ao encontrar aquela carta que nunca tivera coragem de enviar percebera que já mal se recordava de quem lhe fizera mal. Hoje percebera que caíra na pior armadilha em que alguém pode cair. O permitir que alguém nos mude só porque nos fez perder as esperanças. O permitir que alguém um dia, só porque nos magoo  fique com a nossa vida e nos impeça de voltar a viver. O permitir que alguém nos transforme ao ponto de deixarmos de ser quem somos para nos transformarmos naquilo que nunca sonhamos ser.