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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Reflexos ou Imagens Reais?

 

Esperam que sejamos sorridentes todos os dias, que choremos com eles nas tristezas e que achemos piada ao que nos contam. Pedem-nos que concordemos com tudo o que fazem, com os seus ideais, posturas e acções. Querem que sigamos por caminhos previamente definidos por regras sociais, que sejamos desta ou daquela maneira consoante a idade, querem que atinjamos este ou aquele objectivo, que tenhamos este ou aquele comportamento e, que digamos esta ou aquela palavra apenas porque querem.

 

Exigem-nos que sejamos apenas reflexos quando podíamos ser imagens reais, criticam-nos quando não estamos sem perceberem que não queremos estar, apontam-nos por não sermos sem sequer saberem quem somos, falam-nos sobranceiros senhores da razão .. de uma razão  que não é nossa. Perdemo-nos em regras quando nos devíamos perder em bem estar,  perdemo-nos em medos quando devíamos avançar certos de vitórias. Perdemo-nos nos outros quando nos devíamos encontrar apenas no que somos e  no que queremos alcançar nunca contra os outros apenas e tão somente a favor … de nós.

 

Muitas vezes pedem-nos que sejamos quem não somos. E nós aceitamos. Não são os outros que fazem somos nós que deixamos fazer. Esquecemos que na nossa perfeição imperfeita somos seres únicos donos do ser, do estar e do escolher. Eesquecemos de ser quem somos culpamos, acusamos e perdemo-nos de um nós que nada mais é do que a nossa essência, os nossos sonhos as nossas vontades.

 

Eu escolho seguir em frente num ser e num estar muito próprios. Eu escolho ser uma imagem real e tu o que escolhes?

 

O Carmo e a Trindade

 

Nada como um abanão na vida para nos fazer pensar. Habituamo-nos a viver  uma vida calma ou um perfeito reboliço. A períodos de calma e harmonia sucedem-se períodos de  conflitos internos e externos, parece que de repente tudo nos acontece ou como o nosso querido povo costuma dizer, existem momentos em que cai o Carmo e a Trindade.

 

Incrível. Incrível como o mundo se ajusta num vaivém e vaivém de acontecimentos como se de ondas se tratasse. Muitas vezes embrenhamo-nos num dia-a-dia de insatisfações contidas ou de satisfações vividas que não nos apercebemos do quanto tudo o que está nossa volta muda. Mudamos nós e mudam os outros. O segredo está em aceitarmos isso de uma forma natural e deixarmo-nos ir ao sabor da vida. Por falar nisso, sugiro-lhe caro leitor que por aqui se deixe ir ao sabor das letras.

 

 

 

Cana de Pesca ou Peixe

 

Somos da geração do querermos o melhor para os nossos filhos, do querermos que sejam felizes, que tenham tudo, que sejam alguém. Muitos de nós, pais, realizam sonhos através deles os filhos. Querem que sejam aquilo que eles, pais, nunca foram.

 

Outros querem que sigam uma profissão de futuro uma profissão que lhes dê estatuto, casa, carreira e dinheiro. Escolhe-se pelos filhos, impõe-se decisões e esquecemo-nos que estamos a usar aquilo que um dia lhes demos como sendo só deles - a vida. Formam-se engenheiros, advogados, gestores e tantos outros mas esquecemo-nos de formar pessoas. Dão-se competências académicas mas esquecemo-nos das competências sociais. Escolhemos, decidimos e transformamo-los em adultos indecisos ou em pequenos ditadores.

 

Na ânsia de irmos para o quadro de mérito dos melhores pais do mundo onde sejamos admirados por todos caímos na tentação de escolher, decidir, fazer por eles. Apagamos sonhos, vontades e mesmo até vocações em nome daquilo que sabemos ser o melhor.

 

Adivinho aqueles que me estão a questionar neste momento: então não fazemos nada? Claro que sim. Apoiamos, cuidamos e aconselhamos. Mostramos os caminhos possíveis sempre com a noção de que responsabilidade de quem escolhe é dos filhos e não dos pais. Para mim, os melhores pais do mundo são aqueles que educam pelo exemplo na aceitação da sua força e da sua fragilidade, das suas lágrimas e dos seus sorrisos, dos seus erros e das suas vitórias. Melhores pais do mundo são aqueles que ensinam, que sabem dizer não, que responsabilizam e que se responsabilizam.

 

 

Por aqui prefiro ensinar a pescar do que dar o peixe. Prefiro permitir sonhar do que viver por eles. Prefiro que escolham conscientes de que a escolha e o caminho é deles, apenas deles. Tudo isto sempre com muito equilibro entre o saber ser e o saber estar e, o saber dar e o saber receber mas sobretudo o saber respeitar quem somos  e aquilo que os outros são na semelhança e na diferença.

 

Eu continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma.

 

Lugares comuns

 
"Pense como as pessoas sábias, mas fale como as pessoas simples"
Aristóteles
Parece que somos muito simples se falarmos de lugares comuns. Consta até que poderemos ser apelidados de menos desenvolvidos intelectualmente. Por mim que seja. O que não posso negar é que gosto da simplicidade das palavras e da simplicidade da vida. Gosto das palavras simples onde o ser é apenas ser, o amar apenas amar, o sorrir apenas sorrir.
O lugar comum está no ponto onde me cruzo com os outros, a minha essência está no ponto em que eu me assumo na diferença e na igualdade de uma especie  tão dificil de entender.
 
 

Por aqui

 
 
Por aqui saltita-se entre a mãe, a mulher e a profissional. Por entre as escolhas diárias é fácil gerirem-se as prioridades e as vontades. Passa-se do todo para o particular e vamos olhando e vivendo de forma serena e calma. Por aqui avizinham-se tempos trabalhosos e bastante ocupados onde a única forma que tenho de olhar é para o particular para não ter receio de não atingir o todo.
E entre risos e formações, abraços e palestras, diversão e coaching vivo de forma mais ou menos tranquila a profissão e a família. Porque afinal de contas é tudo apenas uma questão de estratégia, vontade e equilíbrio.

Fantásticos

 

Somos todos fantásticos, somos mesmo os melhores no que toca á critica e ao juízo de valor. Apontamos, contestamos e, algumas das vezes, acusamos.  Ele é o que vestem,  o que fazem, com quem andam e o que tem. Apontamos sem reflectir, acusamos sem sequer pensar. Não gostamos porque e ponto final.

 

Acusa-se de mais. Pensa-se pouco no que dizemos e mima-se ainda menos. Olhe-se o outro como um aliado e esqueça-se as adversidades. Se não nos serve afastemo-nos sem necessidade de critica, sem necessidade de denegrir, sem necessidade de comparar o que não pode ser comparado. Escolha-se com quem se quer estar mas sempre com a consciência de que somos um entre muitos, apenas isso.

Amizades

 

 

Por vezes lembro-me daquelas amizades  onde os interesses comuns se transformaram em cumplicidades misturadas com partilhas de roupas, vontades, desejos e planos de vida. Sempre as admirei pelo respeito mútuo e pela forma como nos apoiam. Sempre admirei a dependência de presença mas a individualidade nas escolhas. Nessas amizades somos uns para os outros sem que nos transformemos uns nos outros e a prova esta na vida que cada um de nós escolhe, na forma como cada um de nós se relaciona e naquilo que cada um de nós deseja.

 

Para vos ser sincera eu gosto de ter  amizades destas até porque como é bem sabido as amizades não se forçam, acontecem.

 

Pintalgadas

 

É impressão minha ou todos temos a mania de culpar a vida pelas decisões que tomamos? Acredito que os caminhos que tomamos são apenas fruto de escolhas nossas que nos aproximam de uns e de outros consoante os caminhos que decidimos trilhar. Acredito que todos os quadros que pintamos na vida são fruto de escolhas nossas, apenas nossas. E que a vida é apenas isso um quadro com o cenário e as cores que lhe decidimos dar.

Na escrita

 

Na escrita tal como na vida gosto de me deixar ir  pela curiosidade e pela vontade. Sabem? Gosto de me deixar levar pelas palavras tal  como gosto de me deixo levar pelos sonhos. É nos sonhos tal como nas letras que perco a noção do tempo e do espaço. Surpreendidos? Perdoem-me os mais cépticos mas todos nós temos alguma coisa que gostamos tanto de fazer que nos acaba por dominar. No meu caso são as letras. Deixo que pensem por si. Deixo que se alinhem e criem ideias, histórias, vontades e emoções. Deixo que sejam um prolongamento de mim mesma. Escrevo quase como não fosse eu mesma a escrever.

 

Escreva-se, viva-se e sonhe-se.

 

Eu? continuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo eu mesma

Tranquilamente imperfeita

 

Exige-se muito nos nossos dias. De um lado são as carreiras perfeitas, medidas perfeitas, atitudes e comportamentos expectáveis. Compete-se no parecer, no estar e no ter, esquecemo-nos frequentemente do ser. Por vezes temos até dificuldade em perceber aquilo que é nosso em oposição aquilo que nos foi imposto.  Perdemo-nos de nós sem sabermos que o fazemos.

 

Perfeição,  sempre em busca de uma perfeição que assume as mais diversas formas. Aos olhos de uns somos perfeitos aos olhos de outros somos imperfeitos. Difícil corresponder a expectativas de todos,  fácil perdermo-nos das nossas. Assuma-se quem somos sem pensarmos naquilo que pretendam que sejamos. 

 

Por aqui continuo tranquilamente imperfeita mas sempre muito mãe, muito mulher e muito eu mesma.

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