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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

A Fortuna e o Sem-Abrigo

Era uma vez um sem-abrigo que tinha por hábito bater às portas a pedir alguns euros para comprar comida. Queixava-se da vida e afirmava que as pessoas que tinham dinheiro nunca estavam nada satisfeitas.

- Por exemplo, o dono desta casa - disse - , eu conheço-o muito bem. Sempre foi bom nos negócios e, há muito tempo, ficou imensamente rico. Foi pena não ter a sabedoria de parar por ali. Podia ter transferido os negócios para outra pessoa e passar o resto da vida a não fazer nada. Mas, em vez disso, o que foi que ele fez? Resolveu construir navios para negociar com países estrangeiros. Pensou que ia ganhar milhões.

"Mas caíram fortes tempestades. Os navios naufragaram e toda a sua riqueza foi engolida pelas ondas. Agora, todas as suas esperanças estão no fundo do mar, e a sua grande fortuna desapareceu, como se acordasse de um sonho."

"Há muitos casos como este. Os homens nunca ficam satisfeitos enquanto não conseguem ganhar o mundo inteiro!"

"Quanto a mim, se tivesse o suficiente para comer e  vestir, não ia querer mais nada!"

Neste momento, a Fortuna  vinha a  descer a rua e parou quando viu o sem-abrigo. Disse-lhe:

- Escute! Há muito tempo  que o quero ajudar. Segure na sua malinha enquanto eu despejo algumas moedas nela. Mas só faço isso com uma condição: o que ficar na mala será ouro puro, mas o que cair no chão transforma-se em pó. Compreende?

- Sim, sim, claro que compreendo - disse o sem-abrigo.

- Então tenha cuidado - disse a fortuna. – A sua mala está velha, é melhor não a encher muito.

O sem-abrigo estava tão contente que mal podia esperar. Abriu rapidamente a mala e uma enorme quantidade de moedas de ouro foi despejada lá dentro. A mala foi ficando muito pesada.

- Já é o bastante? - Perguntou a Fortuna.

- Ainda não.

- Mas a mala não está rebentar pelas costuras?

- Ainda não!

As mãos do sem-abrigo começaram a tremer. Ah, se pudesse guardar todas as moedas do mundo.

- Agora você já é o homem mais rico do mundo!

- Só mais umas moedas - disse o sem-abrigo - Só mais umas moedas.

- Pronto, já está cheia. A mala vai rebentar.

- Mas ainda aguenta mais, só mais algumas.

Ao cair mais uma moeda – a mala rebentou. O tesouro caiu ao chão e transformou-se em pó. A Fortuna desapareceu. Agora, o sem-abrigo só tinha uma mala vazia, ainda por cima rasgada de alto abaixo. Estava mais pobre do que antes.

Do livro: O Livro das Virtudes II - O Compasso Moral
William J. Bennett - Editora Nova Fronteira