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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

"Quero saber quais são seus sonhos."

 

Há alguns anos, aceitei uma atribuição numa cidade do sul para trabalhar numa obra assistencial do governo. O que eu queria era mostrar que todo mundo tem capacidade de ser auto-suficiente, basta que essa capacidade seja ativada. Pedi à cidade que selecionasse um grupo de pessoas da obra assistencial, pessoas de diferente grupos raciais e famílias. Assim, eu veria essas pessoas, em grupo, durante três horas, todas as sextas-feiras. Pedi também uma pequena quantia em dinheiro para o trabalho, conforme minha necessidade.

A primeira coisa que eu disse depois de apertar as mãos de todos foi: "Quero saber quais são seus sonhos." Todos me olharam como se eu fosse alguma desequilibrada.

¾Sonhos? Não temos sonhos.

Eu disse:

¾Bem, o que aconteceu quando você era criança? Não tinha algo que queria fazer?

Uma mulher me disse:

¾Não sei para que servem os sonhos. Os ratos estão comendo meus garotos.

¾Oh ¾eu disse. ¾Isso é terrível. Não, é claro, você esta muito envolvida com os ratos e seus garotos. Como pode se resolver isto?

¾Bem, eu poderia utilizar uma nova porta de tela porque há buracos na minha.

Perguntei:

¾Há alguém aqui que saiba consertar uma porta de tela?

Havia um homem no grupo, que disse:

¾Eu costumava fazer coisas assim há muito tempo, mas agora tenho uma terrível dor nas costas. No entanto, vou tentar.

Eu disse a ele que tinha algum dinheiro, se ele iria até a loja comprar um pouco de tela para consertar a porta da senhora.

¾Acha que pode fazer isso?

¾Sim, vou tentar.

Na semana seguinte, quando o grupo se sentou, eu disse:

¾Bem, sua porta de tela está consertada?

¾Oh, sim - ela disse.

¾Podemos então começar a sonhar, não podemos?

Ela deu um meio sorriso.

Eu disse ao homem que havia feito o trabalho:

¾Como se sente?

Ele disse:

¾Bem, sabe, é muito engraçado. Estou começando a me sentir muito melhor.

Aquilo ajudou o grupo a começar a sonhar. Estes aparentemente pequenos sucessos permitiram que o grupo visse que os sonhos nao eram insanos. Estes pequenos passos começaram a fazer as pessoas sentirem que algo podia realmente acontecer.

Comecei a perguntar a outras pessoas sobre seus sonhos. Uma mulher contou que sempre quisera ser secretária. Eu disse:

¾Bem, o que a impede? (Esta é sempre minha próxima pergunta.)

Ela disse:

¾Tenho seis filhos e ninguém que tome conta deles enquanto estou fora.

¾Vamos ver - eu disse - Há alguém aqui que tome conta de seis crianças por um dia ou dois na semana enquanto esta mulher faz um treinamento na faculdade da comunidade?

Uma mulher disse:

¾Também tenho filhos, mas poderia fazer isso.

¾Mãos à obra - eu disse. Então criou-se um plano e a mulher foi para a escola.

Todos encontraram algo. O homem que instalou a porta de tela tornou-se faz-tudo. A mulher que tomou conta das crianças transformou essa atividade em profissão. Em doze semanas, todas aquelas pessoas estavam fora da obra assistencial. E eu não fiz isso uma única vez, tenho feito muitas vezes.

Virginia Satir                 

Do livro: "Canja de galinha para a alma" Jack Canfield e Mark Victor Hansen - Ediouro

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