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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Filomena

Sou meia esquisitinha com esta coisa do cinema. Gosto de ver um bom filme numa sala de cinema até porque nunca consigo ver um até ao fim na minha sala de estar. Ainda não consegui perceber se está relacionado com o ritual de sair de casa ou se é apenas uma questão de gosto mas isso também não interessa nada. Há uns dias fui ver o filme Filomena e fiquei deliciada pela historia (verídica), pelo humor e pelo sentido de perdão que o filme nos transmite. Há dias saí da sala de cinema preenchida pela mensagem que recebi. Fantástico quando nos permitimos receber sem questionar valores, crenças e princípios.

 

Divas

Fala-se de cinema e lembro-me de divas. Das de ontem e das de hoje. Lembro-me de divas ao mesmo tempo que permito que o meu pensamento voe. Ao permitir que isso aconteça recordo uma conversa recente, onde se falava de heranças genéticas e heranças culturais enquanto seres e enquanto espécie. Evoluem as espécies e evoluem as características de género.

 

O homem está mais emocional e a mulher mais racional. Pacifico, compreensível e fruto de uma sociedade em constante mudança. Até aqui aplaudo de pé e com um sorriso de orelha a orelha. Surge-me contudo uma questão. Acredito que uma questão fruto da idade e da vivencia. 

 

Corremos o risco, enquanto mulheres, de perder os pequenos mimos de recebermos um ramo de flores sem razão aparente, de nos deixarem passar á frente, de nos abrirem a porta de um carro e de nos levarem os sacos? Corremos o risco de deixarmos de ser tratadas como divas?

 

Agora que penso nisso gosto de ser tratada como diva ao mesmo tempo que me assumo como mulher. Gosto de ser mimada ao mesmo tempo que me assumo determinada. Gosto daquilo que penso ser o segredo, equilíbrio no estar e no gostar.

 

Marta Leal

cinema

 

O mundo sussurrava-lhe vontades. A vida gritava-lhe apenas verdades. O mundo dizia-lhe que havia muito mais para ver. A vida afirmava que tinha de crescer. Algures no tempo sentiu-se impedida de sonhar. Algures no tempo sentiu-se impedida de avançar. Perdeu-se nas palavras da vida quando se queria ter encontrado com o mundo. Acomodam-se as vontades e deixam-se as tontarias. É-se aquilo que todos esperam que se seja.Revia-se na paixão das letras e na magia das histórias que lia. Sonhava nos ecrãs de cinema e encarnava vidas que acreditava poder viver.

 

Sonha-se apenas na tela de cinema que foi ficando cada vez mais pequena. Perde-se a magia da ida ao cinema e reduzimo-nos á sala de estar.  Perde-se a evasão do que nos rodeia e permitimo-nos que nos limitem. Acomodamo-nos ao que temos e não percebemos que nos limitámos no que fomos.

Cresce a ser heroína em silêncio.

 

Na infância veste as dores da Cinderela e acredita que um dia vai ter um príncipe encantado, na adolescência torna-se personagem principal de uma qualquer comédia romântica, sonha com personagens épicas e revê-se em personagens principais. Perdida em histórias dos outros esquece-se de escrever a sua. Avança e representa papéis impostos ou apenas vestidos como seus.

 

Por vezes, torna-se necessário reinventarem-se vidas, por vezes torna-se necessário reinventarem-se sonhos, necessidades e vontades. Reinvente-se num final e reescreva-se outra história. Aquela que um dia sonhou, aquela que um dia julgou poder ser sua. Reinvente-se numa exposição sincera de quem é e de quem decide ser. Inspire-se no que quer ser e no que alguns lhe ensinaram poder ser possível.  Autêntica no ser e transparente no querer.
Dispa-se de personagens e assuma-se quem se é na realidade. Faça-se da vida uma sala de cinema gigante onde se desempenhe o papel que se sempre se sonhou desempenhar. Permitamo-nos amar, ser e sentir.

 

Sente-se muito pouco nos nossos dias!!! Aplaudo de pé os que sentem de coração, amam com as entranhas e são apenas o que são. Aplaudo de pé os que despidos de defesas se permitem apenas a ser autenticos.

 

Marta Leal

 

Escrito por mim para a Fábrica de Histórias

 

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