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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Amor Fora de Prazo

 

 

Inconstante a forma com o te olhava ultimamente, oscilando entre o amor e o ódio, entre o altruísmo e a cobrança, entre o desejo e a vontade, agora que caí em mim posso até dizer que te olhava com olhos de amor e coração em ódio ou será que era ao contrário? Se fores sincero sabes que é verdade, posso até apostar que sentias o mesmo. Sei que um dia sentia ser tudo para ti e no outro sentia que era menos que nada. Outro acordava apaixonada e noutros não te podia sequer ouvir.

 

Esfumou-se o amor entre decisões precipitadas e indecisões confirmadas, esfumou-se o amor entre promessas quebradas e vontades desiludidas. Quebram-se segredos cobram-se desejos que se misturam entre o meu e o teu quando deveriam ter sido desde inicio nossos. Falhámos ambos num conceito quando deveríamos termos, apenas, vivido momentos.

 

Entre raivas sentidas e sonhos desfeitos questionam-se veracidades de sentimentos quando se deveriam questionar veracidade de vontades. Entre lágrimas que não se sabe provirem de rios de nuvens de sonhos se de raiva ou de vingança colocam-se dúvidas sobre a veracidade dos factos, duvida-se de se ter sentido ou mesmo de se ter vivido.

 

Pensam-nos vitimas um do outro quando afinal somos vítimas de nós próprios. Procuramos culpas exteriores quando devíamos procurar perdões interiores. Acusamo-nos mutuamente sem nunca assumirmos a nossa percentagem de amor mal confeccionado, de dúvidas exageradas ou mesmo de certezas que nunca o foram. 

 

De repente percebo que nos esquecemos de olhares cúmplices, toques furtivos, sussurros velados que rapidamente se transformaram em corações em palpitação, em palavras cheias de significados, em beijos únicos e abraços de conforto. Esquecemo-nos de momentos em que nos entrelaçámos e fomos um do outro ou mesmo um e outro. Esquecemos que um dia fomos com a preocupação que temos em pensar no que poderíamos vir a ser.

 

Perguntas-me “O que aconteceu ao nosso amor?” Eu limito-me a responder que “ Acredito que ficou fora de prazo”

 

 

Marta Leal (Texto de ficção - 31/08/2010 - escrito para a fabrica de historias)

D'alma

Hoje lembrei-me deste que escrevi para a Fabrica de Histórias

 

Conta-se que existem dois mundos. Conta-se que um dia se descobrem os segredos de um mundo de sentires. Abrem-se se os cofres das almas. Soltam-se as cúmplices com promessas de reencontros. Abraçam-se numa despedida e assumem-se missões. Só no crescer existe reencontro. Munem-se de vontades e partem para um mundo terrestre. Esqueçam as memórias num mundo de sentires. Nasce-se, cresce-se a aprende-se. Busca-se um olhar e sente-se no tocar.

 

Cresce-se num mundo de fantasia. Balança-se ao som de histórias de encantar. Dança-se ao som de músicas felizes. Queremos ser fadas de um reencontro, princesas de uma vida e felizes para sempre para todo o sempre. Acredita-se no príncipe encantado e constroem-se castelos de areia desfeitos por lágrimas de desilusão. Permite-se sonhar sabendo que se corre o risco de se permitir chorar.

 

Dá-se o meu primeiro beijo na inocência do primeiro amor. Alternam-se sentires como se alternam escolhas. Somos novos no caminhar e corajosos no sentir. Queremos tudo e queremos agora. Incompreendidos nos humores e apaixonados no todo.

 

Beijos ferozes, toques ofegantes e palavras feitas ou mesmo palavras nenhumas. Unem-se os corpos apressados em gestos desajeitados. Seduzem-se os sentidos e saciam-se as vontades. Vontades porque é de vontades que se trata. Segue-se um silêncio incómodo. Incomoda sempre o que não se sente.

 

Nega-se ao incómodo e sente-se ridícula no seu querer. Colam-se etiquetas de desagrado. Soltam-se lágrimas de insucessos. Mas acredita-se. Acredita-se sempre que um dia talvez um dia. Procura-se incessantemente aquilo que se deve encontrar. Forçam-se relações e partilhas, torna-se cúmplice, aquilo que nunca o foi.

 

Sonha. Suspira e cansa-se de procurar. Acredita no sentir e sente no acreditar. Assume a solidão dos outros como a companhia dela própria. Cuida-se de amores, mune-se de carinhos e deixa-se ficar. Um dia talvez um dia.

 

Diz-lhe que a quer enquanto a beija. Olham-se nos olhos e soltam-se as roupas de forma ordenada sem ordem nenhuma. Sussurram repetidamente o que sentem. Tocam-se com vontade e sentem-se com verdade. Fundem-se os corpos na cumplicidade de um querer e na partilha de um desejo. São um do outro num movimento perfeito. Segue-se um silêncio partilhado numa mão entrelaçada que não se quer soltar.

 

Transformam-se quereres, vontades e atribuem-se novos significados. Gosta-se do silêncio do olhar. Gosta-se da timidez de um gesto gosta-se apenas por gostar. Não se explica,  sente-se apenas!!!! Cuida-se, mima-se e protege-se.

 

Caminha firmemente. Pensa que desejos sentidos fazem desejos permitidos. Sorte dos que permitem que se toquem as almas . Sorte dos que se permitem sentir.

 

Marta Leal

cinema

 

O mundo sussurrava-lhe vontades. A vida gritava-lhe apenas verdades. O mundo dizia-lhe que havia muito mais para ver. A vida afirmava que tinha de crescer. Algures no tempo sentiu-se impedida de sonhar. Algures no tempo sentiu-se impedida de avançar. Perdeu-se nas palavras da vida quando se queria ter encontrado com o mundo. Acomodam-se as vontades e deixam-se as tontarias. É-se aquilo que todos esperam que se seja.Revia-se na paixão das letras e na magia das histórias que lia. Sonhava nos ecrãs de cinema e encarnava vidas que acreditava poder viver.

 

Sonha-se apenas na tela de cinema que foi ficando cada vez mais pequena. Perde-se a magia da ida ao cinema e reduzimo-nos á sala de estar.  Perde-se a evasão do que nos rodeia e permitimo-nos que nos limitem. Acomodamo-nos ao que temos e não percebemos que nos limitámos no que fomos.

Cresce a ser heroína em silêncio.

 

Na infância veste as dores da Cinderela e acredita que um dia vai ter um príncipe encantado, na adolescência torna-se personagem principal de uma qualquer comédia romântica, sonha com personagens épicas e revê-se em personagens principais. Perdida em histórias dos outros esquece-se de escrever a sua. Avança e representa papéis impostos ou apenas vestidos como seus.

 

Por vezes, torna-se necessário reinventarem-se vidas, por vezes torna-se necessário reinventarem-se sonhos, necessidades e vontades. Reinvente-se num final e reescreva-se outra história. Aquela que um dia sonhou, aquela que um dia julgou poder ser sua. Reinvente-se numa exposição sincera de quem é e de quem decide ser. Inspire-se no que quer ser e no que alguns lhe ensinaram poder ser possível.  Autêntica no ser e transparente no querer.
Dispa-se de personagens e assuma-se quem se é na realidade. Faça-se da vida uma sala de cinema gigante onde se desempenhe o papel que se sempre se sonhou desempenhar. Permitamo-nos amar, ser e sentir.

 

Sente-se muito pouco nos nossos dias!!! Aplaudo de pé os que sentem de coração, amam com as entranhas e são apenas o que são. Aplaudo de pé os que despidos de defesas se permitem apenas a ser autenticos.

 

Marta Leal

 

Escrito por mim para a Fábrica de Histórias

 

Ele

 

 

 

Permitam-me os que me conhecem e não se espantem os que me desconhecem. Da minha parte esperar-se-ia uma história de amor mas hoje lamento desiludi-los. Também não se trata de desamores, trata-se apenas de decisões. Não se trata de não amar trata-se apenas de preservar. Decido num tom difícil com um sabor amargo. Não. Também não se trata de fora de tempo. Trata-se apenas de deixar o futuro em aberto.

 

Apaixonei-me em modo distraído. Avancei num sorriso abraçado e cresci num beijo sentido. Falam-se de emoções e o meu coração aperta-se. Não consigo descrever se de dor se de hesitação. Reconheço-me numa lamechice de vontades, de gestos e de palavras. Reconheço-me numa lamechice de queres não concretizáveis neste momento. Reconheço-me numa vontade de te ter, do teu toque, dos teus sussurros. Reconheço-me na vontade de nos tornarmos um enquanto nos sentimos aos dois.

 

 

Combinem-se as variáveis e recuso-me a despir o teu abraço, largar o teu sorriso e soltar-me do teu beijo. Combinem-se as variáveis e abraço-me ao teu sorriso enquanto te beijo de forma sentida. Combine-se o que se quiser num dia em que se decidir combinar.

 

 

(*) "Automat" de Edward Hopper

 

 

 

Desafio da Fábrica de Historias

Estamos no ano de 3116

Estamos no ano de 3116 e o tempo já não é o que era. Eu sei que esta expressão é muito ano 2000. Mas permitam-me que avance e talvez me faça entender. Tempos houve que nos esquecemos de nós mesmos. Que nos tornamos egoístas e materialistas. Tempos houve que matamos outros na nossa espécie apenas porque sim. Explicam-se as diferenças, a fome e a raiva. Explica-se a violência pela falta de amor. Risos contidos em rostos disformes. Perfeições fabricadas e dores multiplicadas.  Crescem especialistas do tudo e do nada. Proliferam políticos, economistas, banqueiros e guerreiros. Desanima-se e deixa-se de acreditar. Sobrevive-se sem sequer se tentar viver. Sobrevive-se sem se sonhar.

 

 Acredito que nada explica o ponto a que chegámos. Acredito que nada explica aquilo que um dia fomos. O mundo uniu-se numa economia global e desuniu-se numa sobrevivência da espécie. De um lado ostentava-se do outro morria-se de fome. De um lado protegia-se do outro atacava-se como se não existisse amanhã. Perde-se a essência individual perde-se a essência colectiva. Confundem-se as estratégias. Mudam-se os seres. Crescem os quereres e os teres. Ameaças de um lado e temores do outro. Sofre-se e deixa-se sofrer.

 

Um dia a humanidade perdeu a memória tal como os dinossauros tinham outrora sido extintos. Acredito nos que defendem que foi a necessidade da mudança. Recuso as teorias que defendem a utilização de armas químicas. Como vos dizia um dia a humanidade perdeu a memória e recomeçou apenas com sentires. Esqueçam-se as referências, as necessidades de competição, os ciúmes, o poder e a inveja. Cresça-se na essência, na intuição e nos sentires.

 

Cresce-se numa humildade contida com um respeito redobrado. Acredito que a memória não se lembre daquilo que a genética transporta. Sorri-se muito e acredita-se mais. Sonha-se num mundo que nos permite concretizar. Avança-se num mundo que nos permite avançar. Vive-se num mundo que não sabe o que é sobreviver. Vive-se o hoje porque não existe o amanhã. Protege-se o que é nosso e quem é nosso. Estamos no ano de 3116 parados num tempo sem tempo. Estamos no ano de 3116 onde o mundo sorri  e questiona de como seria se tivéssemos tempo ….

 

Testo escrito para a fabrica de historias

 

Marta Leal

 

 

 

 

Razões para acreditar

 

Falam-me de razões para acreditar e a minha imaginação remete-me, imediatamente, para uma história de amor. Os que me conhecem já sabem que sou uma romântica. Os que acabaram de chegar ficam desde já a saber que me derreto com finais felizes. Sou lamechas é verdade. Sou lamechas e mimada. Uma combinação que aos 42 anos se pode tornar problemática. Mas paremos de falar de mim, e avancemos para falar de razões para acreditar.

 

Para falar do amor teria de falar do desamor, para falar de encontros teria de escrever sobre desencontros, para falar de vitórias teria de falar de derrotas. Depois tinha de falar de trocas de olhares e de beijos mais ou menos melados. Com um bocado de sorte os gemidos faziam-se ouvir e os defensores da moral e bons costumes podiam manifestar-se. Perdoem-me e permitam-me que vos diga que não me apetece. Hoje não me apetece escrever uma história de amor. Desenganem-se aqueles que acabaram de pensar em mim como mal-amada ou outro qualquer estereótipo de mulheres que não acreditam no amor. Acredito. É verdade! Acredito cada vez mais naquele tipo de amor incondicional onde o dar é mais importante do que receber, onde o ser é mais importante que o ter e onde o estar é mais importante do que o ir a qualquer lado.

 

Afastei-me do tema para falar um pouco de mim. O momento foi egocêntrico mas justifica-se uma vez que a historia não sendo sobre mim é minha. Gosto de comandar a história tal como gosto de liderar a minha vida. Dizia eu que tomada a decisão de não escrever o amor .Decido escrever sobre o sorrir, o avançar, o lutar e o não desistir. Nada de sorrisos amarelos, avanços timidos ou lutas corpo a corpo. Falamos apenas de vida e dos conceitos que a constituem.

 

Avanço para a história sem ter personagens principais. Defendo a igualdade da diferença e a diferença na igualdade. Defino palcos de vida e grandes planos de altos e baixos. Faço com que as letras se envolvam em projectos e  alcançancem resultados. No guião coloco principalmente imperfeição. Gosto daquele tipo de imperfeição que nos faz perceber que somos apenas humanos. Falhamos, uma e outra e outra vez. Felizes dos que avançam no erro. Felizes dos que não se importam de voltar a tentar.

 

Paro. Reflicto e decido-me a mudar de rumo novamente. Nas letras entenda-se. Porque na vida apetece-me continuar assim. Falemos então de razões para acreditar quando todos se tornaram incrédulos. Difícil o tema nos tempos que correm. Fale-se das posturas diferentes sobre diferentes situações. Fale-se daqueles que lutam sem desistir e que não perdem o sorriso. Fale-se dos que arriscam, avançam e vencem. Fale-se de tantos que perante as adversidades crescem interiormente e não baixam os braços.

 

Fale-se dos que sorriem a estranhos na rua. Dos que de ideias antecipadamente designadas idiotas constroem impérios, dos que se lembram de quem foram e ajudam quem quer ser. Fale-se dos que mudam o seu mundo e sem dar por isso mudam o mundo de tantos outros. Fale-se daqueles que também choram com a certeza de que amanhã vão sorrir. Fale-se dos que sabem dar de coração cheio e dos que recebem de coração aberto.

 

Fale-se do Homem comum que não desiste, não desanima, ultrapassa desafios e sorri nos piores momentos. Fale-se daqueles que com pouco ajudam os que tem menos. Fale-se dos que já choraram e ajudam quem hoje chora. Fale-se de solidariedade, de voluntariado, de dádiva e de gratidão. Fale-se de um mundo onde mais que termos, somos.

 

Fale-se do que quiser mas fala-se de  construir em vez de se falar em destruir. Fale-se em correcções em vez de se falar em revoluções. Fale-se de vencer em vez de se falar de medos. Fale-se de agir em vez de se falar em reagir. Fale-se, escreva-se, acredite-se e sorria-se porque só assim faz sentido.

 

Marta Leal

 

Participação na Fábrica de Histórias

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