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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Fale-se de Memórias

Sou dura de ouvido. Não reconheço uma nota pese embora o facto de ter andado em aulas de piano na infância. Não porque gostasse. Apenas e tão-somente porque era óptimo para a minha educação. Desenganem-se os mais persistentes. Se não gostamos não fazemos. Agora que penso nisso, consigo recordar as escalas de notas, os solfejos e a voz da senhora Dona Amélia nas suas tentativas desesperadas em fazer de mim uma pianista de alto gabarito (só no gabarito porque aqui de alto temos muito pouco).

 

Fala-se da D. Amélia e lembro-me da D. Branca. Melhor apressar-me a explicar antes que pensem que a pouca sanidade que me resta se tenha desvanecido. A D. Branca não era a das fraudes mas sim aquela senhora sem idade que se esforçou durante tardes a fio a ensinar-me a bordar, a costurar e a fazer crochet. Se na casa da outra descobri que era dura de ouvido na casa desta apreciava o silêncio. Sim. Porque ali qualquer risinho ou sussurro era cortado pelo olhar penetrante num rosto que, naquele tempo, eu pensava ter mais de 100 anos. Ás duas por três falhou-se nas tentativas de me tornar prendada.

 

Evado-me de qualquer crença e avanço com os meus valores. Prefiro subir às arvores, brincar ao bate pé e andar de bicicleta. Também agora me revolto e afirmo que gosto de rap e música tribal.

 

Transformam-se as notas musicais em letras e os pontos de bordado em palavras. Fuja-se do que nos foi imposto e encostemo-nos ao que nos faz bem. Gosta-se de palavras bonitas sussurradas ao ouvido. Sorrimos ao som de frases escritas no nosso tom. Saltemos pela escala e não importa que se desafine. Organiza-se o concerto de vida e no final verificamos que a melodia é perfeita numa canção vivida a dois.

 

É num ser e num estar muito proprios que acredito estar a nossa verdadeira magia.

Fale-se de infância

 (imagem retirada da net)

 

Quando recuo no tempo sei que tive sorte em ter infância que tive, em partilhar momentos únicos com pessoas únicas, em ter-me sido ensinado o valor da família e sobretudo o valor de nós próprios. Ao recuar no tempo recordo tradições, recordo histórias que achava que nada significam e que retive até hoje, recordo lengalengas e canções muitas canções.

 

Ao recuar no tempo recordo os inúmeros animais de estimação que consegui levar para casa, recordo quedas com maiores ou menores consequências, recordo brincadeiras em castelos de verdade onde umas vezes era uma princesa e outras não sei bem o quê.

 

Fantástico quando as memorias nos fazem apenas sorrir mesmo que por vezes os sorrisos sejam saudosos.

 

Um dia com sabor a infância.

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