Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

A Farmácida de Nasrudin

 

Nasrudin estava desempregado. Perguntou, então, a alguns amigos que tipo de profissão deveria seguir. 

 

"Bem, Nasrudin" disseram, "como conheces bem as propriedades medicinais das ervas, podias abrir uma farmácia."

 

Nasrudin foi para casa, pensou e disse para si mesmo: "Sim, acho que é uma boa ideia. Acho que sou capaz de fazer isso, mas não abrirei apenas uma farmácia, o meu negócio vai ser algo grandioso e que cause um forte impacto.”

 

Comprou uma loja, instalou prateleiras e armários e quando chegou o momento de pintar a fachada, montou um andaime, cobriu-o com chapas e trabalhou atrás delas. Não deixou que ninguém visse o nome que daria à farmácia ou como a fachada estava a ser pintada.

 

Depois de vários dias de trabalho, distribuiu folhetos que diziam: "Grande inauguração, amanhã às nove horas".

 

Todos da sua aldeia e das aldeias vizinhas vieram e ficaram em frente à nova loja à espera das novidades. Às nove horas, Nasrudin apareceu, retirou a placa da frente e lá estava um enorme cartaz onde se lia: "Farmácia Cósmica e Galáctica de Nasrudin" e abaixo estava escrito: "Influenciada e harmonizada com influências planetárias".

 

Muitos ficaram impressionados e e Nasrudin fez um ótimo negócio naquele dia. Ao anoitecer, um professor local aproximou-se dele e disse-lhe: "Francamente, essas afirmações são um pouco duvidosas".

 

"Não, não", respondeu Nasrudin, "cada alegação que faço sobre a  influência planetária é absolutamente correcta. Quando o sol se levanta, abro a farmácia e quando o sol se põe, eu fecho."

Extraído da obra: "Sufismo como Terapia"
De Omar Ali-Shah, - Edições Dervish, - Rio de Janeiro

Um pêlo do Leão

 

"Numa aldeia nas montanhas da Etiópia, um rapaz e uma moça se apaixonaram e se casaram. Por algum tempo foram perfeitamente felizes, mas então os problemas chegaram à casa deles. Começaram a ver os erros um do outro nas pequenas coisas - ele a acusava de gastar muito no mercado, ela o acusava de estar sempre atrasado. Não se passava um dia sem uma discussão sobre dinheiro, sobre trabalho doméstico, sobre amigos. Às vezes ficavam tão bravos que gritavam, berravam impropérios e iam para a cama sem se falar, o que só piorava as coisas.

Depois de alguns meses ele achou que não agüentava mais aquilo e procurou um juiz velho e sábio para pedir o divórcio.

- Por quê? - perguntou ele. - Há menos de um ano que se casaram. Não ama seu marido?

- Sim, nós nos amamos, mas as coisas não vão nada bem.

- Como assim, não vão nada bem?

- Ah, brigamos muito, ele faz coisas que me irritam. Deixa roupas espalhadas pela casa toda, corta as unhas do pé na sala e deixa pelo chão, chega tarde em casa. Sempre que eu quero fazer alguma coisa, ele quer fazer outra. Não podemos viver juntos.

- Entendo - disse o velho juiz. - Talvez eu possa ajudar. Conheço um remédio mágico que vai fazer vocês se darem muito melhor. Se eu lhe der esse remédio, vai parar de pensar em divórcio?

- Claro! Gritou ela. - Qual é o remédio? Me dê!

- Calma - disse o juiz. - Para fazer o remédio preciso de um fio da cauda de um grande leão que vive perto do rio. Tem que trazer esse fio para mim.

- Mas como vou conseguir isso? - exclamou a mulher. - O leão vai me matar!

- Nisso não posso ajudar - disse o velho, abanando a cabeça. - Entendo muito de remédios, mas não entendo nada de leões. Você tem que descobrir um meio. Vai tentar?

A jovem esposa refletiu longamente. Amava muito o marido, e o remédio ia salvar seu casamento. Resolveu buscar o pêlo do leão.

Na manhã seguinte, foi ao rio e se escondeu atrás de uma pedra. Pouco tempo depois, o leão veio beber água. Quando viu as patas enormes, ela ficou tremendo de medo. O leão abriu a boca, mostrando os dentes afiados, e ela quase desmaiou. Então o leão deu um rugido e ela saiu correndo para casa.

Mas na manhã seguinte ela voltou ao rio, trazendo um saco de carne fresca. Deixou a carne no capim da margem, a duzentos metros do leão, e ficou escondida atrás da pedra enquanto ele comia.

No dia seguinte, voltou e pôs o pedaço de carne a cem metros do leão; no outro dia, pôs a carne a cinqüenta metros do leão e não se escondeu enquanto ele comia.

Assim a cada dia chegava mais perto do leão, até que um dia chegou tão perto que pôde atirar-lhe a carne na boca. No outro dia, o leão veio comer em sua mão. Tremia ao ver os dentes enormes rasgando a carne, mas tinha mais amor ao marido do que medo do leão. Muito lentamente, ela abaixou-se e arrancou um fio do pêlo da cauda da fera.

Voltou correndo ao juiz.

- Olhe! - gritou ela. - Trouxe um pêlo do leão!

O velho pegou o fio e examinou atentamente.

- Foi muita coragem sua - disse ele. - E precisou de muita paciência, não?

- Ah, sim - disse ela. - Agora me dê o remédio para salvar meu casamento!

O velho juiz abanou a cabeça.

- Não tenho mais nada a lhe dar.

- Mas o senhor prometeu! - exclamou a jovem esposa.

- Então não vê? - perguntou ele com carinho. - Já tem o remédio de que precisa. Você estava decidida a fazer o que fosse preciso, por mais que demorasse, para ter o remédio mágico para seus problemas. Mas mágica não existe. Só existe a sua determinação. Você e seu marido se amam. Se os dois tiverem a paciência, a determinação e a coragem que você demonstrou para trazer esse pêlo do leão, serão muito felizes. Pense nisso.

E a mulher voltou para casa, com novas resoluções."

 

autor desconhecido

Perguntas e Respostas

Um dia um imperador decidiu que se ele soubesse as respostas de três questões, ele sempre saberia o que fazer, não importasse o quê. Então, ele mandou anunciar em todo o seu reino que se alguém pudesse responder suas três questões, ele daria uma grande recompensa.

Estas são as três questões:

 

  • Quando é o melhor tempo para se fazer alguma coisa?
  • Quem é a pessoa mais importante?
  • Qual é o objetivo mais importante?

 

O imperador recebeu muitas respostas, mas nenhuma o satisfez. Finalmente ele decidiu viajar para uma montanha para visitar um eremita que lá vivia no topo. Talvez ele soubesse as respostas.

Quando lá chegou ele fez as três perguntas. O eremita, que estava capinando o seu jardim, ouviu atentamente a então retornou ao seu trabalho sem dizer uma palavra. Como o eremita continuava a capinar, o imperador percebeu o quanto ele estava cansado. Assim, ele disse, me de a enxada. Eu vou capinar e você pode descansar um pouco.

Depois de capinar por muitas horas, o imperador estava cansado. Ele pôs a enxada de lado e disse: "se você não pode responder minhas questões, tudo bem. Basta me dizer que eu vou embora."

De repente o eremita pergunta: "Você ouviu alguém correndo?", apontando para as árvores. E, então, aparece um homem cambaleando entre as árvores e segurando o estômago. Quando o eremita e o imperador se aproximaram ele desmaiou. Abrindo sua camisa eles viram que ele tinha um corte profundo. O imperador limpou a ferida, usando sua própria camisa para "estancar" o sangue. Quando recobrou a consciência o homem pediu água. O imperador correu até o riacho e trouxe água para ele.. O homem bebeu e dormiu.

O eremita e o imperador carregaram-no para a cabana e o deitaram na cama do eremita. O imperador, que estava cansado, também dormiu.

Na manhã seguinte, quando o imperador acordou, viu o homem ferido em pé na sua frente murmurando: perdoa-me! Perdoar você? Disse o imperador, sentando imediatamente. O que você fez que necessita o meu perdão?

Vossa Majestade não me conhece, mas eu o tenho considerado como o meu pior inimigo. Durante a última guerra, V.M. matou meu irmão e roubou minhas terras. Então eu jurei vingança dizendo que iria matá-lo. E, de fato, ontem eu estava em uma emboscada, esperando V.M. retornar para casa para matá-lo. Eu esperei muito tempo, mas, por alguma razão, V.M. não retornou. Quando eu deixei meu esconderijo para procurá-lo seus guardas me encontraram e me reconheceram. Então eles me atacaram e me feriram. Eu sangrei muito, se V.M. não tivesse me ajudado eu certamente teria morrido. Eu tinha planejado matá-lo e em vez disso V.M. salvou minha vida. Eu estou envergonhado e muito agradecido. Por favor me perdoe.

O imperador estava atônito. Ele disse: eu sou agradecido por seu ódio ter acabado. Desculpe-me também, agora que ouvi a sua história, pela dor que tenho causado a você. Guerra é terrível. Eu perdôo você e devolvo as suas terras. Vamos ser amigos de agora em diante. Depois de orientar seus guardas para levar o homem para casa, o imperador retornou para o eremita dizendo: Eu devo ir agora. Vou viajar para todo lugar procurando as respostas para as minhas três questões. Eu espero algum dia encontrá-las. Adeus.

O eremita riu e disse: Suas questões já foram respondidas, Majestade!

O que você está dizendo? exclamou surpreso o imperador.

O eremita explicou. Se você não tivesse me ajudado a capinar o meu jardim ontem, atrasando o seu retorno, você teria sido atacado no caminho para casa. Entretanto, o tempo mais importante para você foi o tempo que você capinou o meu jardim. A pessoa mais importante fui eu, a pessoa com quem você estava, e o objetivo mais importante era simplesmente me ajudar.

Depois, quando o homem ferido chegou, o tempo mais importante foi o tempo que você dispendeu cuidando da sua ferida, de outro modo ele teria morrido e você teria perdido para sempre a oportunidade de perdoar e fazer nova amizade. Naquele momento ele era a pessoa mais importante e o objetivo mais importante era tratar sua ferida.

O presente momento é o único momento, disse o eremita. A pessoa mais importante é sempre a pessoa com quem você está. O objetivo mais importante é fazer a pessoa que está ao seu lado feliz. O que podia ser mais simples ou mais importante?

O imperador curvou-se em gratidão para o velho eremita e foi em paz.

autor desconhecido

 

Escolhas, é tudo uma questão de escolhas

Era domingo um daqueles típicos de Inverno. Um dia triste que acaba com noite cerrada coberta de um nevoeiro intenso. Regresso a casa cansada e percorro a rua deserta. Caminho com passo apressado, o frio corta-me a respiração e eu só quero chegar a casa. Vejo um vulto a caminhar na minha direcção. A princípio não me assusto agora que penso nisso é engraçado que passos atrás de nós podem gerar o pânico e passos à nossa frente não nos perturbam. Vejo-o cada vez mais perto reparo que se enrola num cobertor e se tenta proteger do frio como pode. Um sem abrigo penso para mim mesma. Passamos lado a lado sem que os olhares se cruzem eu por receio ele talvez por vergonha.

 

O Joãozinho saltita à minha frente. Adora correr entre as poças de água. E, quando me apanha distraída salta de propósito para o meio delas. Faço que não vejo afinal de contas lembro-me do prazer que me dava fazer o mesmo quando tinha a idade dele. Afasta-se mais do que é costume, o meu coração acelera quando o vejo perto da estrada. Ouço um carro a descer a rua, largo os sacos e corro em direcção a ele. O coração bate acelerado, o corpo responde mas a voz não sai. Ele saltita no meio da estrada alheio ao perigo e ao que o rodeia. O carro aproxima-se, ouço o chiar de travões e vejo-o saltar e tirar o Joãozinho da estrada por uma fracção de segundos. Corro até eles. Abraço-me ao meu filho, não consigo suster as lágrimas. Olho para lhe agradecer mas ele já não está lá. Procuro-o no grupo de pessoas que se juntou à minha volta, vejo-o na esquina a espreitar assustado. Sorriu-lhe e digo obrigada muito baixinho. Ele sorri, acena e afasta-se.

 

Procuro-o durante semanas. Contacto com instituições, faço perguntas mas ninguém tem conhecimento de nenhum sem abrigo que pare por aquelas paragens. Preciso de lhe agradecer, preciso de o encontrar, preciso de retribuir o que fez por mim. O tempo passa mas não me faz esquecer. Nunca se esquece o que fazem pelos nosso filhos. E eu não esqueço que um dia aquele homem salvou a vida do Joãozinho.

 

Chega o verão e com ele a vontade de vaguear pelas esplanadas quando a noite acontece. O tempo convida a aproveitar ao máximo o dia quase como se não quiséssemos que ele acabasse. Estou concentrada na conversa que mantenho com os amigos, nas gargalhadas e na boa disposição. As crianças brincam por ali perto e enquanto os observo vejo-o caminhar para perto de nós. Levanto-me feliz por o ter reencontrado. Sinto uma divida de vida para com ele.

 

Aproximo-me, pergunto-lhe se se lembra de mim. Começo a explicar-lhe quem sou e ele responde que não é preciso. Conta-me que me conhece desde sempre. Diz que embora não andássemos nas mesmas turmas frequentamos as mesmas escolas. Fala-me de amigos de infância em comum. Fala-me de festas e espectáculos onde estivemos juntos. Faço um esforço mas não me recordo. Procuro-lhe no rosto sujo e cansado alguma referencia que me faça recordar. Culpabilizo-me e ele percebe. Diz que não tem importância que seguimos caminhos diferentes. Eu fui pelo certo ele pelo errado. Pergunta-me se me lembro desta ou daquela situação. Diz-me quem são os pais. Fico boquiaberta agora sim agora sei quem ele é. Lembro-me de ser uma miúda e babar quando ele passava. Aliás lembro-me de todas suspirarmos só por um sorriso, uma atenção daquele rapaz lindo.

 

Pergunto-lhe o que aconteceu. Explica-me que uma coisa levou à outra. Conta-me como se meteu nas drogas. As mentiras para ele próprio de que ia sair, de que não era viciado. As mentiras para os outros, o desespero para arranjar dinheiro para o vicio e todo um sem numero de situações que levaram todos à exaustão. A opção de viver na rua e o hábito que criou. Pergunto-lhe se continua tudo igual. Diz-me que não que o vício morreu há muitos anos. Mas que ninguém confiava nele para lhe dar uma oportunidade. Diz que errou e que está a pagar por isso.

 

Sinto-me angustiada e impotente perante uma situação destas. Digo-lhe que vou tentar ajudar. Digo-lhe que vou falar com pessoas. Responde-me que não vale a pena que já não sabe viver de outro modo. Diz que gostou de falar comigo que há muito tempo que não falava com ninguém. Vira-me as costas e eu chamo-o. Vira-se e sorri “afinal lembras-te do meu nome” diz-me. Pergunto-lhe se posso fazer alguma coisa por ele. Diz-me que a única coisa que posso fazer por ele é sorrir-lhe sempre que o encontrar.

 

Eu fico a vê-lo a afastar-se. Vestido com roupas remendadas, ombros descaídos e cabelo descuidado. Caminha vagarosamente como se arrastasse uma multidão atrás dele. Penso na ironia do destino e no facto daquele rapaz de quem eu ansiava um sorriso se ter tornado num homem que só pede a alguém que lhe sorria.

 

Caminhos certos? Caminhos errados?

O Vendedor de Balões

 

"Era uma vez um velho homem que vendia balões numa feira. O homem, que era um bom vendedor, deixou um balão vermelho soltar-se e elevar-se nos ares, atraindo, desse modo, uma multidão de jovens compradores de balões. Havia ali perto um menino negro que observava o vendedor e, é claro, apreciava os balões. Depois de ter soltado o balão vermelho, o homem soltou um azul, depois um amarelo e finalmente um branco. Todos foram subindo até desaparecerem de vista. O menino, de olhar atento, seguia cada um e ficava imaginando mil coisas... Mas havia uma coisa que o aborrecia: o homem não soltava o balão preto. Então o menino aproximou-se do vendedor e perguntou-lhe: - Se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os outros? O vendedor de balões sorriu compreensivo, rebentou a linha que prendia o balão preto e enquanto ele se elevava nos ares disse: - Não é a cor, filho, é o que está dentro dele que o faz subir."

 

(autor desconhecido)

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais visitados

    Arquivo

    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2014
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2013
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2012
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2011
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2010
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D