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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

O homem que falava verdade

Narrativa de Filoxeno (436-380 a.C.), recontada por Grace H. Kupfer

 

Antigamente, reinava na cidade de Siracusa, na Sicília, um tirano cruel e vaidoso chamado Dionísio. Vivia cercado por uma corte de bajuladores, que não se atreviam a dizer senão elogios, embora o criticassem duramente pelas costas.

Uma das vaidades de Dionísio era se considerar poeta. Não perdia uma oportunidade de fazer versos. Reunia então os cortesãos e recitava suas últimas composições. Todos aplaudiam e expressavam admiração por seu gênio, louvavam a beleza da poesia e Dionísio ficava muito satisfeito.

O homem mais culto de Siracusa era um filósofo chamado Filoxeno. Dionísio já estava tão envaidecido pelos repetidos aplausos dos cortesãos que mandou chamar Filoxeno para que também ouvisse seus versos e louvasse seu talento de poeta.

Filoxeno se apresentou, ouviu os versos, e Dionísio mal podia esperar as palavras de admiração e louvor à sua arte. Mas, para espanto de todos, o filósofo afirmou que os versos eram tão maus que não mereciam ser chamados de poesia, assim como o autor não merecia o nome de poeta. Dionísio ficou fora de si diante de tamanha franqueza. Chamou os guardas, ordenou que acorrentassem Filoxeno e o levassem ao calabouço, destinado aos piores criminosos.

Quando a notícia chegou aos ouvidos dos amigos de Filoxeno, eles ficaram indignados. Como o tempo passava e o filósofo continuava preso, enviaram a Dionísio uma carta pedindo a liberdade de Filoxeno.

Talvez Dionísio temesse a ira de um bom número de súditos, ou talvez tivesse uma razão inteiramente diferente, como se verá. O fato é que Dionísio concordou em libertar o filósofo, com a condição de que viesse jantar com ele uma vez mais.

Filoxeno foi. Ao fim do grande banquete, na presença de todos os cortesãos, o rei se levantou e leu os novos versos de sua lavra. Queria que o filósofo, que só dizia a verdade, os ouvisse, pois achava-os excepcionalmente bons. Os cortesãos aduladores tinham a mesma opinião, a julgar por seus gestos e elogios. Apenas Filoxeno continuava em silêncio, sem nada dizer, sem que a expressão do rosto traísse seu veredicto.

Não era absolutamente o que Dionísio esperava. Controlou a impaciência tanto quanto pôde. Vendo que Filoxeno não se manifestava, o tirano dirigiu-se a ele com pretensa calma e, achando que ele não ousaria provocar novamente sua ira, disse: - Diga-me, Filoxeno, sua opinião sobre este meu novo poema.

De fato, ninguém esperava a resposta que ele deu. Pois, dando as costas aos participantes do banquete, Filoxeno dirigiu-se aos guardas e disse, em tom de repugnância: - Levem-me de volta ao calabouço!

Era a maneira mais clara de externar sua opinião. Sabendo que a honestidade resultaria em punição, escolheu o método mais direto. Preferia voltar à cela por sua própria vontade.

Os cortesãos ficaram horrorizados diante de tão óbvia declaração. Apavorados aguardaram a reação de Dionísio. Mas o tirano, embora um poço de vaidade, tinha algum senso de humor e certo respeito pela coragem moral. Deixando os cortesãos trêmulos de medo, voltou-se com um sorriso para o imperturbável Filoxeno e deu-lhe permissão para ir em paz.

O Livro das Virtudes - William J. Bennett - Editora Nova Fronteira (pág. 295/296

Acordar a sorrir

 (imagem retirada da net)

 

Gosto dos dias em que acordo a sorrir. Aqueles dias em que o sol brilha por dentro mesmo que cá fora esteja cinzento. Hoje visto-me de vermelho por dentro e por fora. Visto-me da cor daquilo que sinto fazer cada vez mais falta. A paixão. A paixão pelo que fazemos, pelo que somos, pelo que sonhamos e pelo que concretizamos.

 

Fale-se de paixão e reflicta-se de quando foi a ultima vez que a sentimos.

 

Um dia com sabor a paixão, muita paixão

 

Marta Leal

Enquanto o mundo gira

(imagem retirada da net)
 

E enquanto, o mundo gira assumo irreverencias e formas de ser. Aceito desafios diários e vivo uma vida que merece ser vivida. Enquanto o mundo gira aceito-me como sou, e pedem-me para nunca o deixar de o ser. Enquanto, o mundo gira, agradeço de coração aos que se foram cruzando comigo neste processo de transformação.

 

Sou assim e poderia não ser. Somos diferentes. Gostos, objectivos, crenças e valores. Vivências e experiências. Amores e desamores. Mentiras e verdades. Somos o que queremos  e somos apenas o que decidimos ser.

 

Sou mimada, sempre fui mimada com consciência de que o sou. Gosto de ser mimada por mim e pelos outros.

 

Um dia com sabor a mimo, muito mimo.

 

Marta Leal

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