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Irreverências No Feminino

By Marta Leal

Irreverências No Feminino

By Marta Leal

O amor sempre o amor

Leonor saiu do táxi confiante. Tinha marcado aquela viagem há uns meses. Inicialmente iam dois mas as coisas entre ela e João tinham terminado há pouco mais de um mês. Respirou fundo tinha decidido fazer aquela viagem nem que fosse sozinha. E, ali estava ela cheia de vontade mas também cheia de receios. Nunca se tinha aventurado tanto. Olhou o relógio e depois de verificar que tinha tempo decidiu fumar um último cigarro.

- Desculpe podia-me dar lume ? – disse-lhe ele de forma educada.

- Claro .- sorriu Leonor

Fumou com toda a calma enquanto observava as pessoas que chegavam. Quem seriam, para onde iriam, será que iriam para o mesmo destino que ela? Entrou e dirigiu-se ao check-in. A fila estava longa e o serviço lento .

- Se não se despacham acho que ficamos em terra.

Leonor sorriu-lhe era ele novamente. Afinal iam para o mesmo destino.

- Sim, também me parece

- Jorge Simões – apresentou-se ele

- Leonor Almeida – acrescentou ela.

Jorge de repente ficou assustado. Olhou-a e pediu-lhe se ela não se importava de lhe fazer um favor. Que depois lhe explicava. Que lhe ia parecer que ele era maluco mas que depois explicava. Jorge deu-lhe um abraço, beijou-a na testa e deu-lhe a mão. Leonor corou não estava a perceber nada e estava a começar a sentir-se incomodada.

- Ah então foi por causa dela que acabaste comigo

- Teresa a nossa relação já acabou há 6 meses.

- Mas tu vais voltar eu sei que vais voltar.

- Teresa acabou.

Leonor não queria acreditar. De repente estava metida numa cena de ciúmes que nem sequer era dela. Quanto mais olhava para Jorge mais simpatizava com ele. A conversa estava  a ser monopolizada por Teresa que agora descrevia um rol de queixas sobre o facto de Jorge a ter deixado.  Jorge limitava-se a apertar-lhe a mão e a deixar Teresa falar. Leonor resolveu intervir.

- Teresa, eu e o Jorge estamos juntos e esta vai ser a nossa lua-de-mel.

- Quero ver quanto tempo ele vai demorar a voltar para mim 

- Isso é uma questão que nem se põe porque nós amamo-nos mesmo – dito isto beijou Jorge com sofreguidão deixando-o sem fôlego e sem palavras.

Quando o acabou de beijar Teresa já se tinha afastado. Jorge olhava-a de forma estranha e Leonor que começava a cair em si e a perceber o que tinha feito disse-lhe:

- Para grandes males grandes remédios.

- Achas que ela já se foi?

- Penso que sim mas o melhor é não facilitar não vá estar ela aí escondida atrás de algum poste. A vigiar-te.

Jorge riu á gargalhada e Leonor também. Agradeceu-lhe ela ter entrado no jogo. E disse-lhe que se ela tivesse um tempinho lhe contava a história. Leonor disse que não era necessário, que tinha dado para perceber e que já estava tudo esclarecido.

 

Seguiram juntos na viagem. Sentados lado a lado Jorge contou-lhe a sua história. Leonor ouvia-o mas os olhos teimavam em fechar-se. Ainda deu por ele lhe dar um beijo na cara ao de leve e de a ter tapado. Sonhou muito. Um sonho sem qualquer nexo. Sentia-se feliz e a flutuar mas não sabia onde estava ou com quem estava.

- Calma bela adormecida é só turbulência.

Leonor olhou-a estremunhada teve dificuldade em localizar espaço e envolvente. Sorriu-lhe perguntou-lhe se tinha dormido muito. Disse-lhe que não que fora o tempo suficiente para ele sonhar acordado. Jorge continuou a falar de forma imparável. Leonor de início ouvia-o mas depois começou a observá-lo, olhava-lhe os gestos, os olhos, a boca, o cabelo, a postura e sentia que ele mexia com ela. Pensava que há umas horas atrás saíra de casa rumo ao desconhecido e agora ali estava ela com um desconhecido. 

- E já conheces a cidade?

- Não nunca cá estive.

- Precisas de um guia? Conheço um charmoso, bem falante e sabes até pelo que consta bom beijador

- Preço?

- Para ti tenho uma tabela especial. Por cada rua que conheceres contas-me um desejo teu para que eu o possa realizar. Por cada museu que visitarmos contas-me um segredo teu para que eu o possa guardar. Por cada espectáculo que assistirmos peço-te que me dês a mão para que eu te segure e não te deixe fugir. O que é que foi ? Porque é que estás a olhar para mim assim?

- Apetecia-me beijar-te

- Normal, esqueci-me de te avisar que sou viciante.

- E quanto isso me vai custar

- Tempo para me deixares conquistar-te

Avance-se

(Imagem retirada da net)

 

Deixemo-nos da necessidade de certezas absolutas e avancemos na diversidade. Deixemo-nos da necessidade de planeamentos exaustivos e permita-se que os acontecimentos se desenrolem de forma natural, muito natural. Avance-se com sorrisos sem necessidade de preocupações. Avance-se com entrega sem necessidade de cobranças.  Avance-se com o que somos sem necessidades de sermos mais ninguém.

 

Apaixonem-se como se não existisse amanhã. Vivam as experiencias como se não tivessem tido o ontem. Permitam-se ser leves, tão leves que um dia vão perceber que se atreveram a voar.

 

Um dia com sabor a liberdade, muita liberdade.

 

Marta Leal

Acordar a sorrir

 (imagem retirada da net)

 

Gosto dos dias em que acordo a sorrir. Aqueles dias em que o sol brilha por dentro mesmo que cá fora esteja cinzento. Hoje visto-me de vermelho por dentro e por fora. Visto-me da cor daquilo que sinto fazer cada vez mais falta. A paixão. A paixão pelo que fazemos, pelo que somos, pelo que sonhamos e pelo que concretizamos.

 

Fale-se de paixão e reflicta-se de quando foi a ultima vez que a sentimos.

 

Um dia com sabor a paixão, muita paixão

 

Marta Leal

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